Reportagem da Itatiaia é finalista do 4º Prêmio MOL de Jornalismo para a Solidariedade
Série apresentada no ‘Café com Notícia’, programa matinal de rádio, trouxe histórias de pessoas que fazem a diferença na vida de quem está hospitalizado

A Itatiaia é finalista do 4º Prêmio MOL de Jornalismo para a Solidariedade com a série de reportagens “O poder transformador da doação e do voluntariado nos hospitais”, do repórter Fabiano Frade, com edição e produção de áudio de Sérgio Coelho.
Entre 230 trabalhos inscritos, de 24 estados e 71 cidades brasileiras, a produção da Itatiaia está entre os 36 finalistas desta edição do prêmio.
A cerimônia de premiação será realizada em 7 de abril, em São Paulo.
O Prêmio MOL de Jornalismo para a Solidariedade é uma iniciativa do Instituto MOL para reconhecer o trabalho de profissionais, estudantes da comunicação e comunicadores populares que contribuem para fortalecer a cultura de doação, a solidariedade e a atuação das organizações da sociedade civil, destacando a importância dos temas para o exercício da cidadania em nosso país.
Serão premiados trabalhos nas categorias texto, áudio, vídeo e fotografia publicados em veículos de comunicação profissionais, acadêmicos ou comunitários no período de 1º de janeiro 2025 a 21 de janeiro de 2026.
Em quatro capítulos, a série “O poder transformador da doação e do voluntariado nos hospitais” abordou o trabalho que impacta diretamente a vida de pessoas hospitalizadas, acompanhantes e profissionais da saúde, além de destacar a importância do terceiro setor e o valor das doações — seja de tempo, de cuidado ou de dinheiro, como no caso do troco solidário.
A arte mais forte que a dor
No primeiro capítulo, a série faz um mergulho no significado da doação, que, segundo o dicionário, é o ato ou efeito de doar algo. Na vida real, porém, esse conceito se amplia e passa a representar empatia, afeto e amor ao próximo.
São histórias de pessoas que doam tempo, dinheiro e atenção a quem está internado. Em uma ala de atendimento a crianças com câncer, em meio a pequenos pacientes em tratamento, surge o Dr. Violino. Igor Ribeiro atua há 10 anos em hospitais de Belo Horizonte, levando música a ambientes marcados pela dor e pela incerteza.
“A música, quando chega ao CTI infantil, acaba com a aridez do dia. O ambiente hospitalar é de muita angústia e dificuldade. Qualquer ferramenta que traga leveza, carinho e acolhimento floresce ali. A música tira, por um momento, pacientes e colaboradores daquele lugar de dor, trazendo o lúdico e a esperança. Muitas vezes vemos o paciente se emocionar e, a partir disso, se engajar melhor no tratamento”, relatou.
O voluntariado também aparece como uma força sensível que move as pessoas em direção ao cuidado com o outro. Para Elizeu Custódio, o palhaço Custódio, um dos fundadores do Instituto "Hahaha", a arte é essencial no ambiente hospitalar. “Quando chega um palhaço, chega a arte. A criança se acende, se movimenta, chama a mãe. São estímulos que nem conseguimos mensurar. A arte no hospital se transforma em trabalho, em profissão, em pesquisa e em apoio direto ao ser humano em um momento de extrema fragilidade”, explicou.
🔊 Ouça a reportagem 01 da série
Entre o amor que cura e a comida que abraça
No segundo episódio, conhecemos a história de duas mulheres chamadas Renata, que encontraram na solidariedade uma missão de vida.
Renata Medeiros, do projeto “Amor que Cura”, começou a atuar após ser diagnosticada com câncer de mama em estágio avançado. Durante o tratamento no Hospital da Baleia, ela se deparou com uma realidade ainda mais dura. “Muitos pacientes passam o dia inteiro no hospital sem comer. Não têm dinheiro sequer para um café. Isso me deixou mais triste do que o meu diagnóstico. Entendi que eu não estava ali por acaso.” Com recursos próprios e o auxílio-doença, Renata passou a oferecer lanches simples aos pacientes em quimioterapia. “Começamos com um pão com manteiga e um café. Eles me abraçavam chorando, dizendo que aquela seria a única refeição do dia”.
A iniciativa cresceu, ganhou apoio nas redes sociais e se transformou em algo maior: grupos de apoio emocional, rodas de conversa e acolhimento. “O hospital virou meu campo missionário. Não era só alimento, era presença, era dar um bom dia. Muitos vão sozinhos para o tratamento”.
Já Renata Camargo, do projeto “Comida que Abraça”, começou distribuindo refeições a pessoas em situação de rua durante a pandemia, mas logo percebeu que a insegurança alimentar também atingia acompanhantes de pacientes hospitalizados. “Muitas pessoas vêm do interior, ficam o dia inteiro no hospital e não têm condições de se alimentar”.
Hoje, o projeto já distribuiu mais de 500 mil refeições, atendendo UPAs e hospitais.
🔊 Ouça a reportagem 02 da série
Sempre há tempo de ser voluntário
Segundo a pesquisa Voluntariado no Brasil 2021, cerca de 56% da população adulta já fez ou faz trabalho voluntário. Em 2021, o país contava com 57 milhões de voluntários ativos. A principal motivação é a solidariedade.
Na Santa Casa de Belo Horizonte, são 168 voluntários atuando em diferentes frentes. O provedor da instituição, Roberto Otto, explica: “Tem voluntariado no bazar, na palhaçaria, no acolhimento. Existem várias formas de apoiar.”
Estudos da UFMG mostram que o voluntariado hospitalar beneficia pacientes, profissionais e estudantes da área da saúde, fortalecendo vínculos e oferecendo apoio emocional.
O Tio Flávio, do Instituto Cultural Tio Flávio, destaca que muitas pessoas desejam ajudar, mas esbarram na falta de tempo. “Muita gente acha bonito, mas coloca dificuldade. Alguns vão por curiosidade e se apaixonam, outros não voltam.”
Ele também ressalta a importância do financiamento para ações sociais sérias: “Existe uma economia da solidariedade. Tem muita gente fazendo muito com poucos recursos.”
🔊 Ouça a reportagem 03 da série
Muito mais que os centavos
“Você gostaria de doar seu troco?” A pergunta, comum no comércio, já mobilizou milhões de pessoas. A aposentada Neuza Bambirra é uma delas: “Sempre doo. Antes mesmo de pedirem.”
A campanha do Troco Solidário, implantada pela Drogaria Araújo em 2003, apoia o Hospital da Baleia. Em 22 anos, a iniciativa arrecadou mais de R$ 41 milhões, com uma média de 38 centavos por doação.

Para Danielle Ferreira, superintendente de relações institucionais do hospital, o impacto vai além do dinheiro: “Muitas pessoas que começam doando acabam se aproximando e se tornando voluntárias.”
Seja com tempo, talento ou alguns centavos, tudo é solidariedade. O voluntariado precisa de recursos para existir, e o troco solidário mostra como pequenos gestos podem se multiplicar.
🔊 Ouça a reportagem 04 da série
Um despertar para a esperança.
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