MP investiga presidente do Corinthians por contratação de empresa de segurança
Osmar Stabile é acusado por sócios e conselheiros de cometer irregularidades em sua gestão

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, foi incluído pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na lista de investigados do procedimento criminal que apura supostas irregularidades na contratação de uma empresa de segurança pelo clube. O caso está sob responsabilidade do promotor Cassio Conserino.
Segundo o documento, a decisão de incluir Osmar Stabile na investigação ocorreu após o depoimento de Fábio Soares, ex-diretor administrativo do Corinthians. Fábio afirmou que a contratação emergencial da empresa partiu do presidente.
Documentos apontam que Fernando José da Silva, proprietário da empresa contratada, era funcionário do clube à época. Em maio de 2026, Fernando se apresentava como gerente operacional do Corinthians, o que contraria a versão da diretoria do Timão, segundo a qual ele prestou serviços apenas entre setembro e outubro de 2025.
Cassio Conserino solicitou ao Corinthians documentos de 2026 que indiquem Fernando como gerente operacional do clube, além de outros ofícios subscritos no período em que ele trabalhou na agremiação. As informações foram divulgadas inicialmente pelo Meu Timão.
Investigado, Osmar Stabile será ouvido pelo Ministério Público no dia 23 de junho (terça-feira), às 11h15 (de Brasília).
Entenda o caso
No começo de maio, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, voltou a ser alvo de um pedido de impeachment no Parque São Jorge. Um grupo de conselheiros e associados de oposição acusa o dirigente de cometer irregularidades administrativas na gestão, citando a contratação de empresas ligadas à área de segurança do clube.
Os autores solicitam a abertura de um processo de impeachment no Conselho Deliberativo por suposto descumprimento do Estatuto Social e possíveis infrações previstas na legislação esportiva e civil. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada pela Itatiaia.
No documento, ao qual a reportagem teve acesso, conselheiros e associados citam a Mega Assessoria Operacional Ltda., empresa que teria prestado serviços ao clube sem vínculo contratual formal e que é investigada pelo Ministério Público de São Paulo. O pedido também menciona a Bear Security Ltda., que, segundo o grupo de oposição, prestava serviços à família de Stabile antes de ser contratada pelo Corinthians e não possui regularização junto à Polícia Federal para atuar na área de segurança.
Os autores afirmam que o clube contratou a Mega Assessoria Operacional Ltda., ligada a Fernando José da Silva, apontado como gerente operacional do Corinthians e pessoa próxima à atual gestão.
Segundo o grupo, a contratação ocorreu sem contrato formal e sem aprovação prévia do Cori (Conselho de Orientação). Além disso, a empresa não teria regularização junto à Polícia Federal para prestar serviços de segurança armada, e as notas fiscais emitidas apresentariam irregularidades.
O documento sustenta que Osmar Stabile não solicitou autorização formal dos órgãos internos para a contratação da empresa. Os autores também afirmam que o presidente deu declarações públicas contraditórias sobre o caso ao negar vínculo formal com Fernando José da Silva, que, segundo eles, atuaria efetivamente no dia a dia do clube.
Já a Bear Security Ltda., de acordo com o pedido, foi criada recentemente e não possui a regularização necessária junto à Polícia Federal para prestar serviços de segurança. Além disso, a empresa teria atendido a família de Stabile antes da posse do dirigente.
Segundo o documento, a Mega recebeu cerca de R$ 676 mil do Corinthians por meio de três notas fiscais. Já a Bear Security teria recebido R$ 586.987,65.
Os autores alegam que Osmar Stabile violou o Estatuto Social do Corinthians pela ausência de aprovação do Cori, supostas irregularidades no processo de contratação e falta de formalização contratual adequada.
O documento também aponta indícios de gestão temerária, falta de diligência administrativa, possível conflito de interesses e falta de transparência.
Ao fim do pedido, os conselheiros solicitam a abertura e o processamento do impeachment de Osmar Stabile, a comunicação dos fatos ao Ministério Público de São Paulo e a realização de uma auditoria independente nas contas do clube.
Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.



