Corinthians: Tuma se licencia da presidência do Conselho Deliberativo
Romeu vinha sofrendo forte pressão nos bastidores por conta projeto de reforma do estatuto

Romeu Tuma Júnior pediu licença do cargo de presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians por tempo indeterminado. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (14).
No documento, ao qual a Itatiaia teve acesso, Romeu deixou claro que o estopim para a licença foi a suspensão da votação da reforma do estatuto por meio de determinação judicial. Os sócios se reuniriam no Parque São Jorge no próximo sábado (18).
Tuma, que vinha sofrendo forte pressão nos bastidores por conduzir a reforma do estatuto, entende que havia uma articulação no clube para “bloquear a vontade dos associados”.
Osmar Stabile, presidente da diretoria, foi chamado de “traidor” por Romeu, que entende que o antigo aliado político atuou em convergência para paralisar a Assembleia Geral.
"Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista", escreveu Tuma.
Com a licença de Romeu, quem assume a presidência do CD é Leonardo Pantaleão, vice do órgão e presidente da Comissão de Ética.
A Assembleia Geral que marcaria a votação da reforma do estatuto foi convocada por Romeu Tuma Júnior, até então presidente do Conselho Deliberativo, após ele suspender a reunião no órgão que daria o primeiro passo para alterar a "carta magna" do Timão.
No entendimento de Romeu, conselheiros contrários à reforma organizaram uma confusão para impedir a conclusão da reunião no Conselho. Na ocasião, Osmar Stabile, presidente da diretoria, fez acusações contra Tuma, e uma confusão generalizada foi formada.
Stabile, posteriormente, convocou uma reunião no Conselho para votar o afastamento de Romeu Tuma Júnior. A maioria dos conselheiros votou a favor, mas Tuma e Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo, não reconheceram a legitimidade da convocação feita por Osmar, com base no estatuto vigente.
Votação suspensa
O Corinthians informou, na manhã desta segunda-feira (13), que a votação da reforma do estatuto, marcada para o próximo sábado (18), foi suspensa liminarmente por determinação judicial.
A decisão ocorreu após um pedido do conselheiro Felipe Ezabella, integrante do Cori (Conselho de Orientação) e figura ativa na política corintiana.
"Lamento que tenha sido necessária a intervenção judicial para, mais uma vez, corrigir ilegalidade praticada pela presidência do Conselho Deliberativo. Eu, o Cori, o Conselho Fiscal e vários conselheiros avisamos que o procedimento estava errado. Agora, com essa decisão e com o afastamento do presidente do Conselho, espero que a votação possa ser retomada no Conselho", disse Ezabella ao ge.globo.
Texto completo de Romeu Tuma Júnior
Diante dos fatos tornados públicos nesta data, especialmente após a decisão liminar que suspendeu a realização da Assembleia Geral destinada à apreciação da Reforma Estatutária do Sport Club Corinthians Paulista, comunico meu licenciamento, por tempo indeterminado, do cargo de Presidente do Conselho Deliberativo.
Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril (sábado próximo).
Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stábile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição.
A cronologia delineada na decisão liminar revela isso com clareza:
1. O pedido de suspensão da Assembleia não foi acolhido de imediato. O entendimento inicial do Magistrado foi pelo indeferimento fundamentando que era necessário ouvir o Corinthians antes de qualquer decisão. Houve, inclusive, a fixação de prazo para manifestação do clube.
2. O Corinthians, por sua vez, através de seu Presidente e de seu Diretor Jurídico, adiantando deliberadamente o prazo processual, se deu por citado no dia 8 de abril. Na sua manifestação, “concordou” com o pedido inicial para barrar a Assembleia da reforma estatutária.
3. No dia 10 de abril, diante do pedido de Ezabella e da conivência expressa da Diretoria do Corinthians, não restou alternativa ao juiz, se não suspender a Assembleia.
Não é razoável ignorar o significado político dessa sequência. Quando o próprio réu, nesse caso o clube, se antecipa e age em convergência com a tese de quem pretendia paralisar a Assembleia Geral, o resultado se torna previsível.
Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a
funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista.
Dou este passo para remover da frente qualquer desculpa fabricada em nome de uma disputa de poder que nunca foi sobre a minha pessoa, mas sempre sobre o medo de submeter o futuro do Corinthians à decisão livre da sua base associativa.
Saio da presidência do Conselho Deliberativo temporariamente, como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar.
A partir de agora, todos saberão com mais nitidez quem quer a votação e quem quer impedi-la.
Continuarei onde sempre estive: ao lado da democratização do clube, da modernização de sua governança e do direito de o associado decidir, sem sabotagem e sem arranjos, o destino do Corinthians.
Espero e confio na independência e boa-fé dos Associados e Torcedores, que cientes do que está por trás dessa narrativa
fraudulenta, dos mesmos de sempre, que detém o “poder” de manobrar o futuro do Corinthians, aos quais não nos submetemos, entendam que é chegada a hora de se expor os fatos e não mais as versões de bastidores que só se prestam aos interesses mesquinhos de grupelhos que aparelham esse Gigante Centenário do Futebol Mundial.
Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.
