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Pepa revela mágoa e analisa saída do Cruzeiro: ‘Não houve força ou coragem’

Treinador português abriu o jogo sobre saída do clube e disse que esperava mais da diretoria do clube

Pepa deixou o Cruzeiro em agosto de 2023, e atualmente está no Mundo Árabe

Segundo técnico português na história do Cruzeiro, Pepa deixou o clube celeste em agosto de 2023. A saída deixou marcas no treinador, que revelou mágoa por não ter conseguido dar continuidade ao trabalho na Toca II.

“Fiquei magoado, fiquei frustrado. Acima de tudo porque quando me venderam o projeto, eu me senti tão esmiuçado. Entrevistas atrás de entrevistas. Pensei: ‘Se eu for o escolhido, vou ter respaldo’. Talvez ficar ali dois, três anos. Não é à toa que meus segundos anos são sempre melhores que os primeiros. É deixar a casa preparada, melhor do que quando cheguei. Por isso a mágoa”, disse, em entrevista ao site ZeroZero, de Portugal.

Pepa foi contratado pelo Cruzeiro no dia 20 de março de 2023. O português chegou ao clube para substituir o uruguaio Paulo Pezzolano, que havia deixado à Toca II antes de assumir o Real Valladolid, da Espanha.

Pelo Cruzeiro, Pepa fez 25 jogos, somando sete vitórias, oito empates e acumulando 10 derrotas.

“Nós passamos por uma fase de resultados não tão bons, mas não de apresentações ruins. No primeiro resultado desastroso, o 3 a 0 (contra o Grêmio), não houve a força ou a coragem numa altura que era para se manter o trabalho”, lamentou Pepa.

Expectativas frustradas

Nas seis primeiras rodadas da Série A do Campeonato Brasileiro do ano passado, o Cruzeiro conquistou quatro vitórias e iniciou a competição com desempenho acima das expectativas. Contudo, a sequência ruim de resultados nas últimas rodadas impactaram na demissão do técnico.

“Vamos ser muito claros. Eu sou diretor de futebol ou presidente de clube. Eu contrato um treinador. É esse o treinador que eu quero. A equipe está dentro dos objetivos? Há uma boa relação com a estrutura, diretores e jogadores? O treinador está motivado e com força para aguentar a pressão? Havia isso tudo. A minha resposta para isso é a pressão louca, externa, que existe no Brasil, que muitos não aguentam. O que aconteceu com o Valladolid, que caiu de divisão... (pode ter influenciado). O Ronaldo até admitiu que as trocas de treinadores não foram benéficas. Mas são águas passadas. Gosto de ver o lado positivo. Aprendi e evoluí mais uma vez”, contou.

Pepa é o atual comandante do Al-Ahli, do Catar. O treinador assumiu o comando da equipe em outubro de 2023 e assinou contrato de uma temporada.

Certeza de competição internacional

O português tinha planos audaciosos no comando do Cruzeiro, mas teve sua trajetória interrompida antes do que imaginava. Mesmo assim, acreditava no retorno do clube a uma competição internacional.

Algo que realmente aconteceu, já que neste ano o Cruzeiro disputará a Copa Sul-Americana. “Eu internamente até queria a Libertadores. Mas é ter noção que é o passo a passo. Um dos temas que abordei na despedida foi justamente esse. Que já não seria comigo, mas que eles iriam conseguir a classificação para um torneio internacional. Nunca tive dúvida nenhuma disso, não é hipocrisia nem nada. e convicção mesmo. Era a melhor defesa do campeonato. Uma equipe com a melhor defesa diz muito sobre ela. Isso e muitas coisas me encheram de orgulho”, comemorou Pepa, que projetou um próximo trabalho em solo brasileiro.

“Diferente só se fosse para melhor. Já vivenciei o Brasil. O que é o jogador brasileiro, um grupo de trabalho. Só tinha a melhorar. Só vejo coisas positivas depois desse primeiro “choque”. Costumo dizer que o burro é o animal que nasce burro e morre burro. Eu felizmente não sou burro. Alguns erros que foram cometidos são momentos de aprendizagem. Não tenho dúvidas que se voltasse ao Brasil iria melhor. É o conhecimento mais profundo das equipes, dos jogadores e da cultura. O Brasil também tem o seu contexto”, finalizou Pepa.

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Guilherme Piu é jornalista esportivo com experiência multiplataforma: digital, revista, rádio e TV. Tem dois livros publicados e foi premiado em festivais de cinema no Brasil e no exterior, dentre eles o Cinefoot. Cobriu grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíada, Copa América e torneios de futebol. Passou por Hoje em Dia, Uol e Revista Placar.

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