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Rebaixamento do Santos provoca improvável união de cruzeirenses e palmeirenses

As duas torcidas, que têm organizadas rivais, comemoraram a queda do Peixe

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Torcidas de Cruzeiro e Palmeiras no Mineirão comemoraram rebaixamento do Santos

Alessandra Torres/Staff Images/Cruzeiro

O temor era por violência, fruto não da história, pois ambos nasceram Societá Sportiva Palestra Itália, mas da rivalidade irracional das principais organizadas de cada lado. Mas para o bem do futebol, o empate por 1 a 1 entre Cruzeiro e Palmeiras, desta quarta-feira (6), no Mineirão, que decidiu o Campeonato Brasileiro de 2023, com os paulistas ficando com a taça, e a Raposa com uma vaga na Copa Sul-Americana de 2024, acabou foi com uma incomum harmonia.

E quem provocou isso foi o inédito rebaixamento do Santos, que perdeu para o Fortaleza por 2 a 1, na Vila Belmiro, e no ano que vem jogará a Série B pela primeira vez, experiência que palmeirenses e cruzeirenses já viveram neste século.

“Arerê, o Santos vai jogar a Série B!”, puxou a China Azul na reta final da partida, sendo acompanhada pela torcida palmeirense. Era a rivalidade falando mais alto, mas a harmonia não foi algo incomum no Gigante da Pampulha, diante do fato de o maior concorrente palmeirense pelo título, antes de a bola rolar, ser o Atlético.

Assim, os gols do Bahia, que ajudavam ao Palmeiras, eram mais comemorados por cruzeirenses do que pelos próprios palmeirenses.

No final, o empate, que dava o título ao Porco independentemente de qualquer conta de saldo de gols, e que colocava a Raposa na Copa Sul-Americana sem depender do resultado do Santos, foi comemorado pelos dois lados.

Claro que a comemoração palmeirense era mais entusiasmada e nobre, até pelo feito alcançado, já que o Botafogo chegou a abrir grande vantagem na liderança deste Brasileirão.

Mas o cruzeirense também festejou. Não só a vaga à Sul-Americana, mas também o fim da angústia de quem correu o risco do rebaixamento na maior parte da Série A de 2023.

E no final, os jogadores que quase apanharam da torcida que invadiu o Durival Britto, em Curitiba, há quase um mês, em 11 de novembro, na derrota de 1 a 0 para o Coritiba, ganharam da torcida gritos de: “Guerreiro, Guerreiro, time de Guerreiros!”.

Entre a razão e a emoção, o torcedor cruzeirense respirou aliviado, mas sem dúvida viveu uma grande lição, de que no futebol, o jogo só termina quando acaba.

Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
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