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América x Atlético: clássico tem protesto das atletas contra a violência sexual

Rodada do Brasileirão Feminino ficou marcada por ações contra o retorno de Kleiton Lima, técnico do Santos, acusado de assédio

O clássico entre América e Atlético, pelo Brasileirão Feminino, foi iniciado com protestos, contra a violência sexual. As jogadoras permaneceram, durante o hino nacional, com as mãos na boca, exibindo a frase “sou dona de mim”.

O recado tem relação com o retorno de Kleiton Lima ao Santos. O técnico foi recontratado após afastamento por, ao menos, 19 acusações de assédio, por parte das jogadoras.

Nessa sexta-feira (12), protestos também foram feitos na vitória do Palmeiras, por 4 a 0, sobre o Avaí Kindermann, e na derrota do Santos, por 3 a 1, para o Corinthians.

Jogadoras ‘desmentem’ declarações do Santos

Depois do primeiro pronunciamento oficial do clube sobre o caso, após o retorno, ex-atletas do time paulista se manifestaram, nas redes sociais.

Duas delas, as goleiras Camila e Jully, estão no Cruzeiro. As jogadoras desmentiram a afirmação de Thaís Picarte, coordenadora do Santos, que disse ter apurado a situação com as envolvidas no caso.

"É tapa atrás de tapa”, ironizou Camila, que esteve na Copa do Mundo de 2023, com a Seleção Brasileira. Jully, por sua vez, foi ainda mais incisiva.

“Que apuração frágil. Como ex-atleta do clube, acho importante me posicionar e me pronunciar: não fui procurada por ninguém, nem quando estava no clube, nem após a minha saída. Que isso fique extremamente claro”, pontuou.

Além das jogadoras do Cruzeiro, outras sete ex-atletas do clube disseram não terem sido procurada na apuração do caso. As zagueiras Kaká e Tayla, a lateral Gi Fernandes, a volante Brena e as atacantes Tainá Maranhã e Jourdan Ziff reforçaram a narrativa.

Entenda o caso

Em setembro de 2023, Kleiton Lima deixou o Santos após denúncias de assédio moral e sexual. Ao todo, pelo menos 19 atletas entregaram cartas para a diretoria, com reclamações sobre a postura do treinador.

Na época, o GE divulgou trechos das cartas escritas, à mão, por algumas das atletas.

Confira:

“Suas vestimentas não são adequadas ao ambiente de trabalho, pois deixa transparecer o seu órgão genital na calça/short, principalmente por estar em um departamento feminino e se torna um ambiente desconfortável”.

“O treinador diariamente falta com respeito em sua fala constrangedora e desrespeitosa, como ‘xerecada’ e ‘tetada’. Muitas das vezes o técnico não usa vestes adequadas no ambiente de trabalho, transparecendo o seu órgão genital causando desconforto no ambiente de trabalho”

“Algumas brincadeiras e comentários que não cabiam no momento insinuando que eu estava machucada de propósito, como se eu tivesse simulado minha dor, porém, só eu sei o que passei e sei o quanto foi difícil a minha recuperação”.

“E com o passar do tempo, essas situações além de persistirem e se agravarem, abriu portas para agressões verbais, humilhações em público e de forma particular, atitudes de extremo desrespeito para com as atletas (como por exemplo treinos sem o uso de roupa íntima por baixo da calça por parte do treinador, causando assim desconforto em nós meninas)”.

“Uma vez na feira eu estava esperando perto de uma barraca de pastel. Lá o treinador chegou e perguntou se eu estava comendo pastel, aí eu respondi ‘não, estou esperando as meninas’. Então ele deu a volta por mim, olhou para minha bunda e disse: ‘acho que não’, insinuando que minha bunda parecia grande, então isso significava que eu estava comendo pastel”.

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Jornalista em formação na UFMG. Apaixonado por futebol e esportes em geral.
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