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Esposa de Zé Vaqueiro desabafa sobre gestação e depressão pós-parto com síndrome rara do filho

Ingra Soares fez um relato emocionado sobre as dificuldades de cuidar do filho com Síndrome de Patau

Ingra Soares, esposa do cantor Zé Vaqueiro, foi às redes sociais nesta segunda-feira (27) fazer um desabafo sobre a gestação e o nascimento do filho, Arthur, com Sídrome de Patau. Ela contou sobre os momentos difíceis que quase a fizeram passar por uma depressão pós-parto.

Nos últimos dias, Ingra compartilhou uma caixinha de perguntas no Instagram para falar sobre a condição de seu filho e todos os cuidados. Ela explicou que não conseguiu responder todos, mas gravou vários Stories para se abrir sobre a síndrome rara do filho desde o diagnóstico.

"É uma gestação muito difícil. Desde quando você recebe o diagnóstico, você precisa ter muita sabedoria que até então no começo eu acredito que a gente não consegue ter porque é uma informação que dá um impacto muito grande na nossa vida, nossa cabeça”, iniciou ela.

A esposa de Zé Vaqueiro relatou que como mãe, ela procurou em todos os métodos entender o que estava acontecendo e não conseguia porque era algo novo. “Você começa uma luta muito grande com você, com Deus. É algo espiritual muito grande, muito forte. Foram muitos questionamentos, um deles era: ‘Por que, senhor? Por que isso aconteceu comigo?’. O medo vai tomando conta, você perde o foco das coisas. Quando se trata de uma palavra chamada ‘síndrome rara’ aí é onde você vai ter um descontrole emocional terrível”, descreveu.

Segundo ela, a médica recomendou um acompanhamento no psicólogo para trabalhar a saúde mental neste momento difícil. “Não é uma gestação fácil, não é igual as outras que eu tive. Devido a você estar abalada emocionalmente, sua gestação já passa a ser totalmente diferente. Você precisa querer muito que tudo passe a dar certo. Foram muitos percursos que eu percorri nesta gestação. Tudo que eu queria era que chegasse o momento que tudo ficasse bem, então eu passei a orar mais ainda com meu esposo”, ressaltou.

“Eu preferi me resguardar na gestação toda, agora que o Arthur nasceu e ninguém entende. É uma coisa que envolve Deus, a palavra de Deus, o que Deus me pede, muitas vezes o meu silencio, e ele está fazendo. É lindo de ver a obra de Deus. Muitas das coisas que a gente passou as pessoas nem sabem”, destacou Ingra.
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Depressão pós-parto

Ingra relatou um momento pouco depois de Arthur nascer que ela quase teve depressão pós-parto. “Eu me recordo logo quando fui visitar meu filho, porque quando ele nasceu foi direto para a UTI e eu não pude ficar com ele, que eu peguei meu filho no braço, foi um esforço muito difícil para mim porque eu estava operada, com três dias de uma cesária, meu emocional muito abalado, eu estava chorando com meu esposo, estava tentando entender o que estava acontecendo”, disse.

Ela continuou: “Chegou uma técnica e ela foi muito grossa, ela foi de uma atitude muito sem empatia. Eu chorando de soluçar e ela chegou assim: ‘Não chora, você não tem que chorar, tem que sorrir, seu filho precisa de alegria, ele tem que sentir sua alegria’. Eu fiquei assustada, meu corpo tremia e eu ficava querendo sair daquele lugar. Já não bastava a dor que eu estava sentindo naquele momento eu não entendi por que fui tratada daquela forma.”

“Então começou o processo de depressão querendo me pegar. As coisas na minha cabeça, todas as mudanças, o processo de ajudar ele a viver, as coisas novas que eu nem sabia o que era porque nós não sabemos o que é, o que se passa em uma síndrome rara. A gente aceita e vai viver tudo”, acrescentou.

Ingra contou que passou “muitas angústias, muitas dores”. “Eu ficava me perguntando se era isso que eu iria viver, se era críticas, pessoas sem empatia. Ao mesmo tempo uma coisa rara e com uma coisa que ‘você tem que passar por isso’”, afirmou.

Diagnóstico

De acordo com a esposa de Zé Vaqueiro, seus médicos foram quem deram maior suporte emocional para ela. “Tenho muita gratidão a minha médica que me acompanhou e ao médico, Dr. Hernano. Ele cuida sobre essa questão de feto, diagnósticos, e ele é incrível. Deus colocou essa pessoa incrível que ele foi me dando força na gestação só pela empatia dele, pela forma que ele cuidava da situação porque ele sabia que eu sentia muito medo e ele fazia de tudo para me deixar calma”, relatou.

“Eu sinto muito carinho por ele ter feito isso por mim em um momento que eu tinha muito medo. Ele sempre acreditou no meu filho. Eu fazia muito ultrassom porque eu queria ver como estava e ele sempre quando via, procurava e mexia tudo na minha barriga para poder me dar uma notícia boa e eu sair mais tranquila. Dá muito medo e só quem vai entender é uma mãe, assim como eu, atípica que passa por tudo isso”, completou.

Prolongar os dias

Ingra apontou que o único que se resta a fazer é deixar que os médicos prolonguem a vida do filho. “No começo só o que eu sabia era isso: que meu filho ia nascer e não ia sobreviver. Não existe nada que vocês possam fazer, só deixar com os médicos para prolongar os dias dele. Que foi feito e é feito até hoje. Imaginem como ficou minha cabeça e a do meu esposo, pessoas públicas”, apontou.

“Eu tenho outros filhos pequenos ainda e para lidar com tudo isso? Eu sozinha para dar conta de tudo, me sentia mais forte quando meu marido estava em casa, mas meu marido trabalha na rua e precisava viajar, cumprir agenda. Não teve um dia que a gente saía devastado na gestação e depois ele vivo. A gente entrava no carro, chorava. Quantas vezes a gente saía no elevador chorando, com nossa cara triste e precisava tirar uma foto, fazer um sorriso porque as pessoas não precisavam entender isso pelo nosso rosto como a gente estava”, continuou.

Ela concluiu: “Meu marido sempre fez isso com muita maestria. Já eu não consigo fazer isso, tenho a cara muito fechada e quando está acontecendo alguma coisa eu não consigo esconder porque minhas expressões demonstram muito.”

Entenda a doença do filho de Zé Vaqueiro

Arthur nasceu no dia 27 de julho de 2023 com uma má-formação congênita associada à síndrome da trissomia do cromossomo 13, mais conhecida como síndrome de Patau, uma condição rara que afeta um em cada quatro mil nascimentos.

“A condição é raramente herdada geneticamente dos pais. Ela ocorre, na maioria das vezes, por acidentes genéticos”, explica o geneticista Marcos Aguiar, professor aposentado de pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e criador do serviço de genética do Hospital das Clínicas.

Dentre os principais efeitos no desenvolvimento das crianças afetadas pela trissomia do cromossomo 13, Aguiar destacou: má formação do sistema nervoso central, dedos a mais (polidactilia), defeito no fechamento da parede abdominal (onfalocele), olhos muito pequenos (microftalmia), alterações no nariz, fendas labiais e paladina e má formação cardíaca.

“O desenvolvimento dessas crianças, muitas vezes, leva ao aborto. No entanto, quando o bebê nasce ele pode ter muitas anormalidades que podem levar ao óbito antes de um mês. O quadro clínico de crianças com síndrome é variável, e algumas podem ter uma vida mais longa”, esclarece o médico.

O geneticista também explicou que crianças com o diagnóstico podem ter atrasos graves no desenvolvimento, devido à má formação do sistema nervoso. Por isso, elas, normalmente, irão precisar de fisioterapia, de terapia ocupacional e de fonoaudiologia.


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Natasha Werneck é jornalista formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Foi repórter de Política e Cultura do Jornal Estado de Minas e já atuou em portais como Hugo Gloss e POPline. Foi estagiária da Itatiaia e retornou à empresa em 2023, como repórter de Entretenimento.
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