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Eleições 2024: ‘A cadeira de prefeito de BH tem sido apequenada e esvaziada’, diz Brant

Pré-candidato pelo PSB, Paulo Brant avalia que o cargo de prefeito da capital mineira perdeu sua importância nos últimos anos

O ex-vice-governador Paulo Brant, pré-candidato do PSB à Prefeitura de Belo Horizonte, considera que o cadeira do chefe do Executivo da capital mineira está ficando cada vez mais “apequenada e esvaziada”.

Brant elogiou o prefeito Fuad Noman (PSD), que tentará a reeleição em outubro, mas avaliou que a atual gestão tem uma visão “tecnocrata” do serviço público.

“A cadeira de prefeito de Belo Horizonte tem sido apequenada e esvaziada. Essa cadeira é grande. Sentou nessa cadeira durante quatro anos o maior político brasileiro do século 20: Juscelino Kubitschek. Essa cadeira é enorme. O prefeito não pode dizer que não tem maioria na Câmara e por isso não pode governar. Essa é a atribuição número 1 do prefeito: construir uma maioria na Câmara”, afirmou Brant.

O ex-vice-governador citou as dificuldades da articulação política da gestão Fuad com a Câmara Municipal.

“Tenho uma relação excepcional com o prefeito Fuad, acho ele uma pessoa do bem e não tenho nenhuma restrição pessoal. Mas, acho que é uma gestão que peca por sua visão tecnocrática. Uma coisa é usar a ciência, conhecimentos, técnica para auxiliar a gestão pública, isso é fundamental, mas outra coisa é achar que isso resolve e que a política é um obstáculo. Com isso, o governo perde brilho. Ele tem dificuldade de se colocar como uma liderança legítima da sociedade. O primeiro papel do prefeito é ser uma pessoa confiável, quando ele fala, as pessoas têm que acreditar. Podem até discordar, mas têm que saber que ele diz o que sente. Gestão e política são inseparáveis”, disse Brant.

Saída do Novo

Ainda durante o primeiro mandato do governo Romeu Zema, o então vice-governador Paulo Brant deixou o Partido Novo e fez críticas ao governo estadual. Ele diz que mantém boa relação com o governador, mas que a sua antiga sigla “descambou” para a direita.

“No caso do Partido Novo, quando entrei no Partido Novo ele não se colocava como um partido de direita. Era um partido que focava muito na liberdade. Depois ele foi descambando um pouco para um conceito pequeno de liberdade, que é o da liberdade econômica. Eu acredito na economia de mercado, acho que BH só vai crescer se criarmos um ambiente amigável para o empreendedor, para gerar postos de trabalho na cidade, mas a liberdade econômica é um pedaço da liberdade”, afirmou Brant.

“Nos debates dentro do Partido Novo eu perguntava: você acha que o governo Pinochet, no Chile, que foi do ponto de vista econômico um dos mais liberais, foi um governo liberal? Um governo que prendia e torturava? A liberdade é uma coisa complexa, completa e cheia. A liberdade econômica é super importante, mas é preciso ter outras liberdades, como a de expressão, para participar de eleições, para respeitar as pessoas que pensam diferente”, concluiu o pré-candidato do PSB.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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