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Repatriada de Gaza lamenta guerra: ‘futuro das crianças destruído’

A jovem Shadd Albanna, de 18 anos, contou em entrevista à Itatiaia que a casa em que vivia na Faixa de Gaza foi destruída pelos bombardeios de Israel

A jovem Shadd Albanna, de 18 anos, foi uma das 32 pessoas repatriadas da Faixa de Gaza

A jovem Shadd Albanna, de 18 anos, foi uma das 32 pessoas repatriadas da Faixa de Gaza

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Recomeçar a vida e ajudar os brasileiros a sair da Faixa de Gaza. Esses são os desejos da jovem brasileira Shadd Albanna, de 18 anos, que foi uma das 32 pessoas repatriadas pelo Governo Federal da Faixa de Gaza. O grupo esperou pouco mais de um mês, para, finalmente, atravessar a fronteira de Gaza com o Egito. Foram cinco listas de espera, uma vez que as autoridades egípcias e israelenses precisam autorizar a travessia de todos os estrangeiros.

O voo do Egito ao Brasil teve uma mistura de sentimentos, mas o principal, é o da esperança por dias melhores. “Vou fazer o que eu puder para ajudar os brasileiros e os nossos familiares, que ainda estão presos na Faixa de Gaza, a saírem de lá”, afirmou Albanna.

Das 32 pessoas repatriadas, 28 estão hospedadas no Hotel de Trânsito da Força Aérea Brasileira (FAB), incluindo Shadd Albanna, que conversou com a reportagem da Itatiaia na tarde desta terça-feira (14). Ela lembrou de quando a internet foi cortada em Gaza, em 29 de outubro. “Quando eles cortam o acesso à internet, significa que algo muito ruim irá acontecer. Então, toda vez que a gente ficava sem conexão a gente morria de medo, porque os bombardeios aumentam, eles começam a jogar bombas aleatoriamente. É horrível. É um pesadelo. A gente ficava com muito medo sempre que cortavam a conexão”, contou Albanna.

A Faixa de Gaza, na opinião de Shadd Albanna, lembra as cidades europeias em relação às belezas e opções de lazer. “A Faixa de Gaza sempre foi uma área de guerra, mas nunca foi terrível desse jeito. A cidade de Gaza é muito bonita, têm praias lindas, lugares bonitos que parecem a Europa. Mas, depois da guerra, está tudo destruído por lá, infelizmente”, lamentou.

A jovem não faz planos de retornar para Gaza, uma vez que a casa dela foi destruída com os bombardeios. “Tudo foi destruído lá. Os sonhos das crianças, o futuro, tudo foi destruído. Não há futuro lá. Não tem como voltar para lá, infelizmente, minha casa foi destruída”, contou Shadd Albanna.

A Operação Voltando em Paz, do Governo Federal, vai realizar nesta quarta-feira (15) mais um voo para levar 26 brasileiros repatriados da Faixa de Gaza para o estado de São Paulo. Segundo o governo, 12 deles irão para um abrigo, no interior de São Paulo. Os demais irão para as casas de familiares no estado. A aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), tem previsão de decolagem da Base Aérea de Brasília às 10 horas, para a Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos (SP).

Repórter da Itatiaia desde 2018. Foi correspondente no Rio de Janeiro por dois anos, e está em Brasília, na cobertura dos Três Poderes, desde setembro de 2020. É formado em Jornalismo pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso), com pós-graduação em Comunicação Eleitoral e Marketing Político.
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