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Vereadores denunciam renúncias falsas e fraudes em eleição na Câmara de Brumadinho

Vanderlei Rosa e Valcir Carlos dizem que documento fraudado foi apresentado na Câmara e possibilitou reeleição de Daniel Hilário 

Câmara de Brumadinho

Dois vereadores de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmam que foram vítimas de uma fraude que os impediu de participar da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal na noite de segunda-feira (11). 

Segundo a Mesa Diretora, dois pedidos de renúncia dos vereadores Vanderlei Rosa de Castro (PV) e Valcir Carlos Martins (PV) foram protocolados na Casa na sexta-feira (8) e eles ficaram impedidos de participar da votação para o comando da Câmara nos próximos dois anos (biênio de 2023-2024). 

Os dois afirmam que foram pegos de surpresa na hora da sessão e negam que tenham renunciado. “O documento foi fraudado. Como que eu vou pedir uma renúncia? Estou no quarto mandato, sempre honrei com meus compromissos. Já fizemos um boletim de ocorrência na delegacia e vamos apurar o que houve”, afirma Vanderlei Rosa, conhecido como Xodó. 

Segundo o vereador, o ato foi uma “maldade” do atual presidente da Câmara, Daniel Hilário de Lima Freitas (Cidadania). “Não houve renúncia. Houve uma maldade do presidente. Anteciparam a eleição da Mesa Diretora que era para acontecer em dezembro. Ele antecipou para fazer do jeito dele. Fiquei surpreso com a notícia, na hora da votação, que eu tinha renunciado. O que não era verdade”, disse Valcir. 

O vereador Valcir Carlos também se disse surpreso com a renúncia e disse que o documento protocolado na Câmara era um xerox fraudado. “Eu fui pego de surpresa. Foi lida uma carta de renúncia que me pegou de surpresa, porque ela estava um advogado falando em meu nome que eu estava renunciando. Eu falei que desconhecia o fato e que estava ali para votar. Não reconheci aquele documento. Ainda falei que a procuração não estava assinada a caneta, era um xerox antigo. Fui cerceado de exercer meu direito de voto, que não foi computado. Nós dois votaríamos no Ricardo, o que mudaria o resultado da eleição”, afirma. 

Eleição empatada

Sem a presença dos dois vereadores que teriam renunciado, a eleição ficou empatada. Cinco votos para a reeleição do atual presidente, Daniel Hilário, e outros cinco votos para o vereador Ricardo Tejucana (PSL). O critério de desempate foi o número de votos que cada parlamentar recebeu nas urnas, dessa forma, Daniel Hilário foi reeleito. 

Em entrevista à Itatiaia, o presidente da Câmara afirmou que a Casa não poderia deixar de receber os documentos de renúncia que foram protocolados e que caberá aos dois vereadores provar que houve algum tipo de fraude. 

“O documento chegou para a Câmara e não temos conhecimento se é fraude ou não. Nós fizemos o protocolo na sexta-feira. O advogado tinha uma procuração dos dois vereadores que dava poder para ele. E foi juntada essa documentação no protocolo”, disse. “Demos ciência ao plenário e agora cabe a eles provar se é falso ou não, a Câmara não pode entrar nesse mérito”, afirma Daniel Hilário. 

Eleição antecipada

Perguntado sobre o motivo da antecipação da eleição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2023 e 2024, o atual presidente afirmou que esse ato é comum em algumas câmaras, mas não explicou o motivo de tal antecipação. 

“A nossa era para acontecer em dezembro, mas mudamos o regimento e a lei orgânica para antecipar. É comum em algumas Câmaras fazer isso. Mas a proposta de alteração da data não foi minha. É uma questão interna deles, seguiu todos os ritos, pediram alteração e do regimento”, disse. 


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