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Otan alerta que guerra na Ucrânia pode durar anos

Exército ucraniano conseguiu frear ataques russos no leste do país

Otan alerta que guerra na Ucrânia pode durar anos

O Exército ucraniano anunciou, neste domingo (19), que conseguiu frear os ataques russos perto da cidade de Severodonetsk, no leste do país, palco de intensos combates durante semanas nesta guerra que, de acordo com a segundo a Otan, poderá durar "anos". 

"Nosso exército está aguentando", assegurou na noite deste domingo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, no início de uma semana que considera "histórica" e na qual 27 países da União Europeia terão que decidir se concedem a Kiev o status de candidato oficial a integrar o bloco.

Mais cedo, o exército ucraniano informou pelo Facebook que tinha conseguido "frear o assalto na região de Toshkyvka", no leste do país. "O inimigo se retirou".

Os combates se intensificam por enquanto na bacia oriental do Donbass, integrada pelas províncias de Lugansk e Donetsk, e controlada parcialmente pelos separatistas pró-russos desde 2014.

A cidade de Severodonetsk concentra por enquanto os combates entre as tropas russas e ucranianas e Moscou controla grande parte da cidade.

Serguii Gaidai, governador de Lugansk, região onde fica Severodonetsk, classificou como "mentiras" as declarações, segundo as quais a Rússia controla toda localidade.

"É verdade que eles controlam a maior parte da cidade, mas não completamente", frisou. 

De Moscou, o Ministério russo da Defesa afirmou, neste domingo, que "a ofensiva contra Severodonetsk está sendo realizada com sucesso". 

"Unidades da milícia popular da República Popular de Lugansk, apoiadas pelas Forças Armadas russas, libertaram a cidade de Metolkin", a sudeste de Severodonetsk, relatou o ministério à imprensa. 

Também afirmou ter atingido uma fábrica em Mikolaiv (sul), que armazenava mísseis de cruzeiro, e destruído "dez obuses de 155 mm e até vinte veículos blindados, fornecidos ao regime de Kiev pelo Ocidente nos últimos dez dias".

As afirmações não puderam ser verificadas de forma independente.

"Não há lugar seguro"

Depois de fracassar em sua tentativa de tomar Kiev no início da ofensiva, em 24 de fevereiro passado, o objetivo da Rússia agora parece ser assumir o controle total da bacia de mineira do Donbass, composta pelas regiões de Lugansk e Donetsk. 

"Não há lugar seguro", admitiu o governador em uma entrevista à AFP, de Lysychansk, na região de Lugansk. Os russos "bombardeiam nossas posições 24 horas por dia", descreveu. 

"Tem um ditado que diz: você tem que se preparar para o pior, e o melhor virá", diz Gaidai. "Claro que temos que nos preparar", reitera o funcionário, que teme que os russos cerquem a cidade e bloqueiem as estradas que garantem o abastecimento. 

Com uma população de cerca de 100.000 habitantes antes da guerra, apenas 10% permanecem em Lysychansk. 

E, na cidade, tudo e todos parecem estar se preparando para combates nas ruas: os soldados cavam buracos e colocam arame farpado; a polícia coloca carros incendiados para parar o trânsito; e muitos moradores que ainda estavam lá decidem, enfim, ir embora.

"Largamos tudo e vamos embora. Ninguém pode sobreviver a um ataque desses", lamenta a professora de história Alla Bor. 

"Não vamos dar o sul para ninguém"

Neste domingo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou sua determinação de continuar resistindo no sul, após uma visita às cidades de Mykolaiv e Odessa no sábado. 

Mikolaiv, que tinha meio milhão de habitantes antes da guerra, continua sob controle ucraniano, mas fica perto de Kherson, região praticamente ocupada pelos russos.

Além disso, fica na rodovia que leva a Odessa, o maior porto da Ucrânia, cerca de 130 km a sudoeste, onde milhões de toneladas de grãos ucranianos estão bloqueadas.

"Não daremos o sul para ninguém. Vamos recuperar tudo. O mar será ucraniano e será seguro", prometeu, em um vídeo publicado no Telegram, após retornar para a capital do país, Kiev.

"Estão confiantes e, olhando nos olhos deles, é óbvio que não duvidam de sua vitória", acrescentou Zelensky, referindo-se às suas tropas. 

Seu otimismo diverge, no entanto, do panorama sombrio apresentado pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg. Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal alemão Bild, ele avalia que a guerra pode durar "anos" e, por isso, os países ocidentais devem se preparar para um apoio duradouro à Ucrânia.

"Temos de estar preparados para que isso dure anos", afirmou Stoltenberg. 

"Não devemos esmorecer em nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam altos, não apenas em termos de apoio militar, mas também no aumento dos preços da energia e dos alimentos", completou.

A Rússia reduziu esta semana o fluxo de gás para a Europa ocidental, alegando problemas técnicos. A Alemanha, na primeira linha, anunciou medidas urgentes neste domingo para assegurar seu abastecimento de energia e estas implicarão recorrer mais ao carvão.

"É amargo, mas é indispensável para reduzir o consumo de gás", declarou o ministro da Economia, o ecologista Robert Habeck, em um comunicado. O governo de coalizão alemão prometeu abandonar o uso do carvão até 2030.

Enquanto isso, o Catar anunciou que o grupo italiano ENI se unia à empresa francesa TotalEnergies no projeto North Field East, cujo objetivo é aumentar a produção de gás natural liquefeito do país do Golfo em 60% para 2027.

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