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Cúpula das Américas: EUA querem dividir responsabilidade sobre migrações na região

Texto será apresentado no último dia do encontro de líderes, que ocorre em Los Angeles 

Caravana de migrantes segue em direção aos EUA

O governo dos Estados Unidos deixou para sexta-feira (10), último dia da Cúpula das Américas, a declaração sobre migração que apresenta como uma associação regional de responsabilidade compartilhada sobre o asilo e o controle de fronteiras, mas não é possível saber quantos países assinarão o texto.  

"Uma migração segura e ordenada é boa para todas as nossas economias, incluindo a dos Estados Unidos. Pode ser um catalisador para o crescimento sustentável, enquanto a migração irregular não é aceitável", afirmou o presidente americano Joe Biden na quarta-feira, no discurso de abertura da nona Cúpula das Américas.

As palavras cruciais para Biden são responsabilidade compartilhada, porque Washington não deseja carregar todo o peso do fluxo migratório.

E menos ainda a poucos meses das eleições de meio de mandato de novembro, no momento em que a inflação elevada provoca a queda de popularidade de Biden.

Os detalhes do texto não foram divulgados, mas uma fonte do governo que pediu anonimato afirmou que Biden "está pedindo a todos os governos ao longo da rota migratória que estabeleçam ou fortaleçam o processo de asilo em seus respectivos países". 

Também solicita que "reforcem suas fronteiras de maneira mais efetiva, com controles e expulsando as pessoas que não são elegíveis para asilo", acrescentou.

Quase 7.500 migrantes sem documentos, em sua maioria procedentes da América Central, tentam atravessar diariamente a fronteira com os Estados Unidos, de acordo com dados oficiais do mês de abril.

Caravana

Os migrantes passam pelo México, onde uma caravana de milhares de pessoas avança atualmente em direção aos Estados Unidos. Vários deles contaram à AFP que estão exaustos e alguns, em um ato de protesto pela demora nos procedimentos de salvo-conduto, costuraram os lábios.

A incógnita é saber quantos países assinarão a declaração, no momento em que a relação de Washington com alguns vizinhos não está no melhor momento.

De acordo com a fonte da Casa Branca, o governo "não espera que todos os países assinem", mas vai priorizar "aqueles mais afetados pela migração e os fluxos de refugiados".

A lista de países convidados à reunião de cúpula provocou discórdia, depois que o governo Biden optou por excluir Nicarágua, Cuba e Venezuela.

Em resposta, alguns países, liderados pelo México, decidiram boicotar o evento, como Bolívia e Honduras. 

Outros participam no encontro, mas como porta-vozes dos que não foram convidados ou para expressar suas reivindicações.

"Imperdoável"

Na primeira sessão plenária da cúpula, na quinta-feira, o presidente argentino Alberto Fernández confrontou Biden ao discursar na qualidade de presidente 'pro tempore' da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), organização que conta com os três países excluídos pelos Estados Unidos.

"O fato de ser país anfitrião da Cúpula não outorga a capacidade de impor o direito de admissão", disse.

O primeiro-ministro de Belize, John Briceño, acompanhou o protesto. "Esta reunião de cúpula pertence a todas as Américas. Portanto, é imperdoável que todos os países das Américas não estejam aqui".

Além dos protestos pelas exclusões, existe, segundo a Argentina, a necessidade de "reconstruir instituições que foram pensadas" para a integração.

"A OEA, se quer ser respeitada e voltar a ser a plataforma política regional para a qual foi criada, deve ser reestruturada, removendo imediatamente aqueles que a dirigem", disse Fernandez, somando-se às críticas do México ao secretário-geral da organização, Luís Almagro.

Irritado com as exclusões, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador não compareceu à cúpula e enviou o chanceler Marcelo Ebrard, que chamou as ausências de "erro estratégico" e defendeu medidas para "refundar a ordem interamericana".

Além da Declaração de Los Angeles sobre Migração e Proteção, a reunião de cúpula deve adotar projetos de compromisso político sobre a governança democrática, saúde e resiliência, mudanças climáticas e sustentabilidade ambiental, transição para energia limpa e a transformação digital. 


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