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Atlético: STJD suspende Rodrigo Caetano e Victor por ofensas a árbitro Bruno Arleu

O diretor-executivo pegou 60 dias de gancho e o gente, 20; o jurídico do clube pode recorrer da decisão

O gerente de futebol Victor participou de forma remota do julgamento no STJD

Por Henrique André e Cláudio Rezende

O Atlético terá duas baixas importantes, dos bastidores do clube, nos próximos dias de competições nacionais. Nesta quinta-feira (26), o STJD suspendeu o diretor-executivo Rodrigo Caetano, por 60 dias, e o gerente de futebol Victor, por 20 dias, por ofensas proferidas ao árbitro Bruno Arleu, no empate por 2 a 2 com o Goiás.

Após a partida na Serrinha, válida pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro, os dirigentes do Galo não pouparam reclamações à equipe de arbitragem, principalmente pelo lance em que o lateral Danilo Barcelos chutou a barriga de Guga, ferindo o jogador do alvinegro. Houve também uma penalidade assinalada para os Esmeraldinos.

Na súmula, Arleu relatou: 

'Após o termino da partida, enquanto a equipe de arbitragem descia pelo acesso destino a mesma, se deparou com dois diretores da equipe do Clube Atlético Mineiro, que mesmo diante do policiamento local, os srs. Rodrigo Vila Verde Caetano e Victor Leandro Bagy forçaram a passagem e invadiram o corredor de acesso ao vestiário da arbitragem, por uma porta que se encontrava aberta. O sr. Rodrigo Caetano muito exaltado e desrespeitoso, proferia as seguintes palavras: "vocês foram uma vergonha hoje! Isso foi mandado? o Galo não pode vencer mais? Foi o Seneme? Foi a CBF? Parabéns CBF!!". O sr. Victor Bagy proferia as seguintes palavras: "vocês foram omissos!". Ambos foram contidos e retirados pelo policiamento do local'.

A Procuradoria denunciou Rodrigo Caetano por infração aos artigos 258, inciso II e 243-F e enquadrou Victor no artigo 258, inciso II. Victor Bagy, por sua vez, prestou depoimento de forma virtual na sessão e negou que tenha invadido o vestiário ou tenha sido ofensivo.

Procurador presente na sessão, Rafael Bozzano lembrou a reincidência de Rodrigo Caetano e classificou a conduta dos denunciados como gravosas.

“No presente caso, salvo o depoimento de um dos denunciados, não é capaz de afastar a presunção relativa de veracidade tanto da súmula quanto do delegado. Importante destacar o que foi dito pelo denunciado: Insatisfação. Eles forçaram a passagem, invadiram o vestiário da arbitragem e não teve nenhuma prova contrária. Outro ponto importante é o ofício enviado a Comissão de Arbitragem da CBF, que é o caminho adequado. Frisa-se que o denunciado Rodrigo Caetano é reincidente e tem um histórico considerável. O desrespeito nas palavras é claro. O denunciado atribuiu ao novo chefe da arbitragem o desejo de prejudicar o Atlético e como se toda a conduta da arbitragem foi premeditada. Isso ofende a moral e coloca em xeque toda a credibilidade do campeonato", destacou.

"Um suposto erro de arbitragem não pode ser um condão para que ofensas ocorram. Atribuir ao chefe da comissão da arbitragem é uma conduta tipificada no estatuto do torcedor como crime. Essa mesma suposição de manipulação de resultado foi levada aos órgãos policias para investigar a situação? A ofensa a honra do árbitro, da entidade e ao chefe da arbitragem ficou clara. O denunciado Victor também foi desrespeitoso ao se dirigir ao vestiário, ao descer e trazer a insatisfação com revolta e as palavras desrespeitosas estão tipificadas no artigo 258. A Procuradoria pede a procedência da denúncia com a gravidade com que o caso deve ser levado e que se leve em conta a reincidência do primeiro denunciado”, concluiu o representante da Procuradoria", acrescentou.

Defesa do Atlético

Responsável pelo jurídico do Atlético/MG, o advogado Luiz Ribeiro Pimenta juntou prova de vídeo de lances da partida e destacou a forte emoção dos denunciados que se sentiram injustiçados.

“Em nenhum momento houve por parte dos denunciados qualquer interesse de ordem ou ofensa moral. Quantos processos passam nessa casa em que palavras de baixo calão e ofensas são colocadas e que, quando não há manifestação por parte dos ofendidos, não há motivação para punição em ofensa moral. O que houve ali foi uma efetiva reclamação contra a arbitragem. O que ocorreu foi uma insatisfação ao que foi colocado no campo e decidido perante as regras do jogo pela arbitragem. Dois lances no mesmo jogador. Jogada kung-fu com uma tatuagem deixada na barriga do atleta Guga. Infelizmente não estamos rediscutindo a partida, mas colocando as circunstâncias para entender como as reclamações ocorreram. Outra informação importante é que a porta da zona mista estava aberta e foi possível ouvir as palavras”, pronunciou Pimenta, que ainda acrescentou:

“Ao Rodrigo Caetano não houve um concurso material por ter sido decorrente de uma única ação. Um contexto mais de uma insatisfação. A própria arbitragem não colocou que teve a honra atingida. Quanto ao Victor, peço a absolvição por não estar se referindo de uma forma desrespeitosa, mas apenas se manifestando. Não sendo assim o entendimento, que se aplique a pena mínima aos denunciados”, finalizou.
Apesar do pedido da defesa, a auditora Adriene Hassen, relatora do processo, entendeu que os denunciados cometeram infração disciplinar gravosa e levou em conta o atenuante dos mesmos serem dirigentes.

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