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Inquieto, polêmico e controverso, Caetano Veloso chega aos 80 anos 

Líder tropicalista, músico baiano legou verdadeiros clássicos para a canção popular brasileira e nunca escondeu o que pensava 

Fernando Young/Divulgação

Uma frase dita por Caetano Veloso não é qualquer coisa, afinal de contas, o baiano de Santo Amaro da Purificação é um dos maiores nomes da música brasileira. De tanto repetida, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” se tornou um clichê e, aos 80 anos, podemos dizer que Caetano Veloso entende melhor do que ninguém essa frase.

Com seu projeto tropicalista, que incluía escrever um capítulo definitivo na história da cultura nacional, o músico, cantor e compositor criou clássicos atemporais, com os quais subiu aos palcos em recente espetáculo ao lado dos três filhos, como “Oração ao Tempo”, “O Leãozinho”, “Alegria, Alegria”, “Trem das Cores”, “Reconvexo”, “Gente”, “Força Estranha”, e muitos outros.

Irmão de Maria Bethânia e filho de Dona Canô, Caetano foi preso e torturado pela ditadura militar no período mais repressivo do regime, sendo exilado em Londres, onde deu forma a um de seus discos mais aclamados tanto pela crítica quanto pelo público. “Transa”, de 1972, reuniu participações fundamentais de nomes como Jards Macalé, Gal Costa e Angela Ro Ro.

Na volta ao Brasil, ao lado de Gal, Bethânia e Gil, formou o quarteto Doces Bárbaros, que interpretou versões arrebatadoras para músicas como “Um Índio”, de Caetano, e “Esotérico”, de Gil, ambas cada vez mais atuais. Já ao lado de Chico Buarque, Caetano comandou um marcante programa de TV na Rede Globo, que recebeu os mais importantes artistas da música brasileira, como Milton Nascimento, Cazuza e Rita Lee.

Sempre inquieto, polêmico e controverso, Caetano também se tornou especialista em reconfigurar canções populares, tidas como bregas, trazendo-as para seu ambiente particular e aparando qualquer excesso, renovando o sucesso de músicas como “Sozinho”, “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, “Coração Materno”, “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar”, e tantas outras.

Porque ninguém pode negar que Caetano Veloso mexe com as estruturas e as emoções de qualquer um que se aproxime da música brasileira. São dele os versos de “Cajuína”: “existirmos, a que será que se destina?”. A existência de Caetano Veloso é um presente para os amantes da arte, como comprova seu mais recente trabalho, “Meu Coco”, disponível em todas as plataformas digitais, com direito a um videoclipe para cada faixa.

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