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Guilherme Arantes obteve sucesso com música infantil lançada há 40 anos 

Cantor e compositor paulista levou influências do rock progressivo à MPB e foi gravado por Elis Regina e Caetano

Guilherme Arantes é autor de clássicos da música brasileira, como 'Planeta Água' e 'Lindo Balão Azul'

Quando montou a banda Moto Perpétuo, que misturava rock progressivo com música brasileira, Guilherme Arantes provavelmente não imaginava que um dos maiores sucessos da sua carreira viria do universo infantil.

Ao ser convidado, em 1982, para compor a música do especial de TV “Pirlimpimpim”, em homenagem aos 100 anos de nascimento de Monteiro Lobato, Guilherme Arantes aproveitou um tema que havia feito ao piano e se valeu de expressões que vinham na própria sinopse.

Assim nasceu “Lindo Balão Azul”. A música fez tanto sucesso que virou abertura do programa de TV “Balão Mágico”, há 40 anos.

Guilherme Arantes está comemorando 69 anos como um dos maiores nomes da música brasileira. Morando na Espanha desde o final de 2019, o músico lançou, no ano passado, seu mais recente disco, “A Desordem dos Templários”.

Mas o músico ficou mesmo conhecido por baladas e canções cheias de lirismo que ecoaram com força nos anos 70 e 80, cristalizando o seu estilo inconfundível com músicas que ultrapassaram gerações, como “Cheia de Charme”, que ganhou uma regravação com o duo Anavitória, “Um Dia, Um Adeus”, revisitada por Vanessa da Mata, “Meu Mundo e Nada Mais”, rebobinada nas rádios na voz do cantor Daniel, entre muitas outras.

Guilherme Arantes também teve a proeza de ser gravado pelos maiores cantores da sua época, como Caetano Veloso, que registrou uma belíssima versão da clássica “Amanhã”, canção sobre esperança, e Elis Regina, que lançou “Aprendendo a Jogar”, um samba ao estilo de Guilherme Arantes, numa das últimas gravações da Pimentinha, que morreu em 1982, meses depois do lançamento.

Com todos esses feitos, Guilherme Arantes ainda é muito lembrado por uma canção que não perde a atualidade: “Planeta Água”, hino de preservação ao mundo e à natureza que fala para todas as gerações de brasileiros.

“Meu Mundo e Nada Mais” (balada, 1976) – Guilherme Arantes

Guilherme Arantes nasceu em São Paulo, no dia 28 de julho de 1953. É um dos poucos pianistas brasileiros a integrar o hall da fama da secular fabricante teuto-americana de pianos Steinway & Sons, estando em companhia de nomes como Guiomar Novaes, Franz Liszt, George Gershwin e Duke Ellington.

Entre os maiores sucessos de Guilherme Arantes estão “Planeta Água”, “Cheia de Charme”, “Amanhã”, “Um Dia, Um Adeus”, “Lindo Balão” e “Meu Mundo E Nada Mais”, gravadas por Caetano Veloso, Roberto Carlos, Elis, Gal e outros. Em 1976, Guilherme Arantes estreou em carreira-solo e logo obteve um grande sucesso. “Meu Mundo e Nada Mais” foi trilha da novela “Anjo Mau”, da Rede Globo. A música obteve regravações de Zizi Possi, Nenhum de Nós e Daniel.

“Amanhã” (balada, 1977) – Guilherme Arantes

Em 1977, Guilherme Arantes compôs uma balada de espírito hippie, mas, sobretudo, um hino de esperança. O próprio título já entregava a proposta. “Amanhã” retrata a incansável luta, a busca eterna por um destino melhor e mais confortável do que o oferecido pelo momento presente, tudo por uma lente otimista, leve e confiante.

“Amanhã, será um lindo dia/ Da mais louca alegria/ Que se possa imaginar”, relata Guilherme Arantes nos versos da canção, lançada por ele mesmo no álbum “Ronda Noturna”. A música foi regravada por Caetano Veloso, em um registro impecável, acompanhado apenas por seu violão. “Amanhã, a luminosidade/ Alheia a qualquer vontade/ Há de imperar! Há de imperar!”. Curiosamente, a letra nasceu do fim dum relacionamento amoroso.

“Planeta Água” (balada, 1980) – Guilherme Arantes

Outra música elementar do combate à destruição da natureza e da preservação ao meio ambiente é a balada composta por Guilherme Arantes, “Planeta Água”, lançada em 1980. Com versos simples, mas carregados de simbologia, Guilherme descreve o percurso da água, o bem mais fundamental na existência humana, e procura atentar para o descaso das políticas que não a protegem. Por fim, num jogo de palavras de forte apelo popular, destaca uma nova incoerência do homem que batizou o planeta por “Terra” – “Planeta Água”, corrige Arantes. A música foi regravada pelo paraibano Zé Ramalho.

“Aprendendo a Jogar” (MPB, 1981) – Guilherme Arantes

Um dos motivos sempre apontados para alçar Elis Regina ao posto de maior cantora brasileira é, não somente a qualidade da voz, a afinação, a entrega nas interpretações, mas a escolha do repertório. Elis gostava de recolher e pesquisar tanto temas então esquecidos pelo público e compositores relegados ao ostracismo, como Adoniran Barbosa, quanto jogar luz sobre desconhecidos do grande público.

João Bosco, Renato Teixeira, Milton Nascimento e Zé Rodrix são alguns deles, mas, também, Guilherme Arantes, de quem Elis captou todas as nuances da rítmica e sinuosa “Aprendendo a Jogar”. Em consonância com a melodia, o compositor aplica o recurso do drible, para lançar à plateia versos que embaralham os ditados populares do Brasil. A música foi lançada em 1981.

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