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Luís Barbosa foi pioneiro do samba de breque e influenciou a bossa nova 

Cantor e compositor carioca se tornou referência na década de 1920 e morreu de tuberculose em 1938, com apenas 28 anos 

Luís Barbosa também influenciou cantores do porte de Vassourinha e Ciro Monteiro

O perfil esguio, de rosto cavado e olheiras profundas, além do cabelo cuidadosamente penteado com pastas de brilhantina que realçavam seu aspecto preto, em contraposição à palidez das faces, sugeria a figura de um vampiro, com direito a um leve sorriso sarcástico.

Pouco se preservou da imagem de Luís Barbosa, e essa é uma das únicas fotografias do sambista, um retrato 3x4 que talvez ele levasse na carteira como forma de identificação pelas autoridades do Rio de Janeiro da década de 1920.

Nascido na capital carioca, Luís Barbosa cresceu familiarizado com a arte. O irmão, Paulo Barbosa, era compositor; o outro irmão, Barbosa Júnior, atuava como comediante e cantor; e, por fim, Henrique Barbosa se consagrou como radialista naquelas priscas eras. Coube a Luís Barbosa os holofotes do samba, com inovações peculiares.

Ritmo. A presença de um chapéu de palha sobre seus cabelos platinados tinha um motivo rítmico: auxiliar na condução dos breques que ele introduzia ao samba, com um cantar cheio de bossa e suavidade, distante do canto empostado de Francisco Alves, Carlos Galhardo e Vicente Celestino, mais próximo ao estilo depurado por Mário Reis, herdado, lá na frente, por ninguém menos que João Gilberto.

Assim, Luís Barbosa lançou “Na Estrada da Vida”, de Wilson Batista, “Seu Libório”, de Braguinha e Alberto Ribeiro, e “Caixa Econômica”, de Nássara e Orestes Barbosa, em gravações preciosas, além do dueto com Carmen Miranda na clássica “No Tabuleiro da Baiana”, de Ary Barroso, em 1937. Entre sambas e marchas, se tornou atração obrigatória do Teatro Carlos Gomes, com apresentação cativa durante todas as noites e noitadas boêmias...

Legado. O modo hedonista de vida, aberto a todos os prazeres, cobrou seu preço e, aos 28 anos, no auge da trajetória artística, Luís Barbosa contraiu tuberculose e logo morreu, em 1938, para a mesma doença que vitimou Noel Rosa, Nílton Bastos e outros compositores tarimbados da época.

Antes, porém, teve tempo de emprestar a voz melodiosa e a interpretação precisa, enxugada de excessos, a canções cheias de malícia, como “Quem Nunca Comeu Melado”, “Bebida, Mulher e Orgia”, “Eu Peço e Você Não Dá” e “Já Paguei Meus Pecados”, dentre outros.

A influência de Luís Barbosa sobre a música brasileira está aí e não pode ser desmentida, seja na consolidação do samba de breque ou na inovação que a bossa nova promoveu. Suas gravações guardam um frescor, ao mesmo tempo, antigo e moderno, plenas de nostalgia e criatividade.

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