Ouça a rádio

Compartilhe

João Petra de Barros, a voz de 18 quilates, morreu jovem após sucessos 

Cantor da Era de Ouro do Rádio foi o primeiro a gravar canções de Noel Rosa, Mário Lago, Ary Barroso e Vinicius de Moraes 

João Petra de Barros lançou 'Até Amanhã', de Noel Rosa, em 1932

Nem todo herói morre de overdose. E nem foi Cazuza o único a deixar a vida aos 32 anos. João Petra de Barros, um carioca da capital, de timbre parecido ao do grandiloquente Francisco Alves, foi apelidado por César Ladeira como “a voz de 18 quilates”.

Ícone do rádio de seu tempo, as décadas de 1930 e 1940, o hoje esquecido cantor completaria nasceu no dia 23 de junho de 1914, e morreu em 11 de janeiro de 1948.

Pouco festejado nos dias atuais, João Petra foi sinônimo de farra e sucesso na época em que atuou. Parceiro de boemia de Noel Rosa, ele teve o privilégio de gravar músicas de Mário Lago, Ary Barroso, Ismael Silva, Orestes Barbosa, Custódio Mesquita, Peterpan, de um iniciante Vinicius de Moraes, na música “Dor De Uma Saudade”, e claro, do amigo da Vila Isabel.

Uma dessas composições, “Até Amanhã”, foi entregue por Noel Rosa para João Petra como uma espécie de pirraça a Francisco Alves, em razão do cansaço do poeta da Vila de ver as suas músicas sempre associadas ao mesmo nome, além do “jabá autoral” que o cantor cobrava dos compositores.

“Linda Pequena”, a primeira versão da histórica “As Pastorinhas”, mais exitosa parceria de Noel e Braguinha, o João de Barro, foi lançada, e com sucesso, por João Petra, sendo bisada no rádio por cerca de dois anos até a definitiva versão, lançada por Silvio Caldas um ano após a morte de Noel Rosa, fato este que prenunciou a derrocada da carreira e da vida de João Petra, que, em pouco tempo perdeu, para a mesma doença, a tuberculose, dois amigos do samba, Noel e Nílton Bastos.

No dia 22 de julho de 1946, João Petra é atingido por uma caminhonete da Aeronáutica enquanto viaja no estribo de um bonde. As consequências tanto físicas quanto emocionais para o jovem cantor são desastrosas, que, apesar de todo o esforço dos médicos, tem uma perna amputada.

Inconsolável, recebe o carinho e apoio de amigos, como das irmãs Carmen e Aurora Miranda, sendo que registrou, com a segunda, várias músicas, mas não se anima. Após duas tentativas, João Petra de Barros consegue, na terceira, suicidar, no dia 11 de janeiro de 1948, aos 32 anos. Mas, para o ouvido atento ainda brilha, mesmo distante, a voz de 18 quilates, nascida num 23 de junho.

Leia Mais

Mais lidas

Ops, não conseguimos encontrar os artigos mais lidos dessa editoria

Baixar o App da Itatiaia na Google Play
Baixar o App da Itatiaia na App Store

Acesso rápido