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Chico Buarque lança música nova; Relembre dez grandes sucessos 

Além de anunciar turnê pelo país, ele acaba de colocar na praça 'Que Tal Um Samba?', com participação de Hamilton de Holanda 

Chico Buarque é autor de grandes clássicos da MPB e acaba de lançar um samba

Se a história da música popular brasileira possui uma linhagem, nela não pode faltar o nome de Chico Buarque de Hollanda. Filho do historiador Sérgio Buarque – e irmão das também cantoras Miúcha, Cristina Buarque e Ana de Hollanda –, o garoto prodígio da canção nacional, como era de se esperar, começou cedo.

Enfileirou sucessos desde o princípio da carreira, nos anos 1960, auge da bossa nova, passando por vários ritmos, gêneros e inclusive movimentos musicais, alinhavando parcerias com nomes como o poeta Vinicius de Moraes, o maestro Tom Jobim, o dramaturgo Ruy Guerra e o tropicalista Gilberto Gil, além de outros compositores de peso, tais como Milton Nascimento, Francis Hime e Edu Lobo.

Mas Chico Buarque foi e ainda é, por si só, um emblema, símbolo da qualidade musical, tanto em texto quanto em melodia. Não se considera um poeta, nem é preciso, as músicas o confirmam. Agora, em 2022, ele acaba de anunciar uma turnê e lançar a sua mais nova música: “Que Tal Um Samba?”.

“A Banda” (marcha, 1966) – Chico Buarque

Em 1966, Nara Leão estourou em todo o país ao revelar um jovem compositor, até então desconhecido: Chico Buarque, autor da singela marcha “A Banda”. O sucesso foi tanto que a gravadora exigiu que Nara registrasse a música em seu próximo LP, mas ela já estava em outra. A cantora consentiu a seu modo, colocando a música ao lado de temas de forte apelo social, no LP “Manhã de Liberdade”. Com “A Banda”, Nara abocanhou o primeiro lugar no II Festival de Música Brasileira da TV Record, empatada com “Disparada”, de Geraldo Vandré, interpretada por Jair Rodrigues. A música ainda foi gravada por Chico.

“Sabiá” (bossa-nova, 1968) – Chico Buarque e Tom Jobim

O primeiro registro fonográfico do Quarteto em Cy aconteceu em 1963, na gravação da trilha sonora do filme “Sol sobre a lama”, de Alex Viany. Em 1968, Cybele e Cynara, como dupla, venceram o III Festival Internacional da Canção com a bossa-nova “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, mas sob vaias, já que o público em massa apoiava a politizada “Caminhando”, de Geraldo Vandré. Após inúmeros sucessos, formações, discos em homenagem a gêneros e compositores, o grupo gravou “Sabiá” no ano de 1997, em parceria com o MPB4, no álbum intitulado “Bate-Boca”. E está dado o recado. Aplausos!

“Apesar de Você” (samba, 1970) – Chico Buarque

Exilado na Itália, Chico Buarque retornou ao Brasil em 1970, após mais de um ano. Incentivado pelo dono de sua gravadora, André Midani, que garantia a melhora da situação, Chico se decepcionou ao constatar o verdadeiro cenário. Para expressar sua indignação e esperança compôs o samba “Apesar de Você”, no qual mandava recados diretos. “Você vai pagar e é dobrado/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar”. Incrivelmente os censores não captaram a mensagem, e caíram na ladainha duma “briga de amantes”. Quando a canção estourou nas rádios, a população, bem mais esperta, a tomou em seus braços.

“Vai Trabalhar, Vagabundo!” (samba, 1973) – Chico Buarque

“Vai Trabalhar, Vagabundo!” foi composta por Chico Buarque a pedido de Hugo Carvana para o primeiro filme do ator como diretor, de título homônimo. A música trata o tema de forma irônica, em consonância com a película, que exalta o malandro, mote sempre repetido por Carvana. O autor da letra chega a comparar a labuta a “uma loucura”, e faz referência à gravata como um nó prestes a enforcar o protagonista. Lançada em 1973, a música só foi gravada em disco três anos mais tarde, pois, perseguido pela ditadura militar, Chico Buarque via-se impossibilitado de registrar suas canções em razão da censura.

“Cálice” (MPB, 1978) – Chico Buarque e Gilberto Gil

O tema religioso perpassa toda a estrutura da música “Cálice”. Composta numa Sexta-Feira da Paixão, a lembrança do martírio de Cristo inspirou Gilberto Gil a identificá-lo com a situação vivida pelos brasileiros no auge da ditadura militar. A melodia, também de memória sacra, acompanha os versos que falam da “bebida amarga”, a “força bruta”, o “monstro da lagoa” e “o grito desumano”. Todas essas imagens fortes seriam ainda coroadas com o refrão que mistura o sentido das palavras “cálice” e “cale-se”. O trauma da época levou Gilberto Gil a jamais regravar essa canção após a tentativa, censurada pelo regime militar, de apresentá-la em um show ao lado de Chico Buarque, naquele ano de 1978.

“Folhetim” (MPB, 1978) – Chico Buarque

Composta para a “Ópera do Malandro”, a belíssima “Folhetim” é uma das muitas músicas que sobreviveram ao espetáculo de Chico Buarque. Interpretada por Gal Costa no ano de 1978, na companhia de Wagner Tiso ao piano, Perinho Albuquerque, autor do arranjo, Jorginho Ferreira da Silva no saxofone, e outros músicos de peso, a canção narra a trajetória simples e peculiar de uma prostituta, com uma melodia ao mesmo tempo suave e incisiva, como requer a letra. “Se acaso me quiseres/ Sou dessas mulheres/ Que só dizem sim”. A música foi regravada por Nara Leão, Chico Buarque, etc.

“Geni e o Zepelim” (MPB, 1978) – Chico Buarque

Não é por injustiça que “Geni e o Zepelim” é uma das mais célebres canções brasileiras de todos os tempos, não limitada ao tema da prostituição e muito menos à peça em que está inscrita, a também lendária “Ópera do Malandro”. Mas é pelo que ela tem em si, a força dos versos, a inventividade da melodia, a métrica perfeita usada por Chico Buarque para abordar um tema religioso que toca na esfera pagã do homem. O episódio descrito na Bíblia das pedras jogadas em Madalena aparece em nova leitura. O desprezo da personagem ao representante máximo da burguesia, da destruição, e, sobretudo, da hipocrisia.

“Feijoada Completa” (samba, 1978) – Chico Buarque

É com muita fome e a elegância habitual de suas canções que Chico Buarque, acompanhado de seu batalhão, pede para que a mulher bote água no feijão, jogue o paio, a carne seca e o toucinho, além de fritar os torremos, separar a laranja e a farofa e preparar a indispensável couve mineira. “Feijoada Completa”, samba de 1978, remonta às tradicionais e festivas feijoadas de domingo, aonde não falta boa comida e bebida, além da presença dos amigos. Aquela feijoada gostosa que cheira à distância é o prato principal da música de Chico, e não há nada melhor do que saboreá-la ouvindo os seus belos versos.

“Bastidores” (samba-canção, 1980) – Chico Buarque

Chico Buarque escreveu “Bastidores”, inicialmente, para sua irmã Cristina gravar. Interpretada por Cauby Peixoto, tornou-se uma das pérolas mais elegantes de seu repertório. “Bastidores” visualiza o veludo da voz de Cauby quando ele retornava à mídia depois de um tempo afastado, em que seu estilo foi considerado ultrapassado. Em 1980, não apenas Chico, mas vários compositores da música brasileira, como Caetano Veloso, Eduardo Dussek e Joanna, dedicaram canções ao ídolo de gerações. “Bastidores” é o carro-chefe que transporta a espetacular voz de Cauby Peixoto, e com todas as suas joias.

“Paratodos” (MPB, 1993) – Chico Buarque

Não há exemplo maior de riqueza e diversidade cultural do Brasil do que a música “Paratodos”, lançada no disco homônimo de Chico Buarque, em 1993. E não é por acaso. Chico carrega a herança desde o pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, que cunhou o controverso termo “homem cordial” para o brasileiro, mas é, sobretudo, por sua arte que o compositor se destaca nessa seara. Chico é capaz de reforçar a tradição sem perder o olhar para o contemporâneo. Se há no Brasil muitas culturas diferentes, é essa a sua maior riqueza: “O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano, meu maestro soberano, foi Antônio Brasileiro…”.

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