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Celly Campello, que nasceu há 80 anos, ganha cinebiografia para celebrar data 

Cantora e atriz foi uma das primeiras estrelas da chamada música jovem brasileira, graças a sucessos como 'Banho de Lua' 

Celly Campello atingiu o sucesso nos anos 60 e morreu em 2003, de câncer de mama

Uma mocinha e um rapazote dividem um milk-shake enquanto trocam olhares salientes, que sugerem um interesse mútuo. Ele permanece sério, ao passo em que ela entrega um leve sorriso nas bochechas, entre o canudinho e o copo da bebida láctea. À frente do casal, está Celly Campello, com seu sorriso infantil e franco, e a roupa coberta de lantejoulas, amarela como a capa do disco.

Tudo ali é artificial, produzido, desde as imagens claramente posadas até o conteúdo do LP “Brôto Certinho” – grafado assim, com o acento circunflexo, seguindo a norma gramatical do período –, lançado pela cantora em 1960, contendo um sucesso que arrastou as multidões pelos auditórios das rádios: “Banho de Lua”.

Sucessos. A música vinha na esteira de outro arrasa-quarteirões. Celly tornou-se nome conhecido em todo o país a partir de “Estúpido Cupido”, em 1959. As canções falavam sobre relacionamentos amorosos, com uma pitadinha de sensualidade, conservando certa inocência daquela juventude romantizada.

Ambas eram versões de hits norte-americanos, reproduzindo em solo tupiniquim os ritmos que embalavam as pistas de dança do exterior, como o twist e o rock’n’roll. Tudo propício e embalado para consumo imediato, através da voz doce e meiga de Celly, que encarnava a imagem da mocinha bem-comportada de classe média, com leves pendores para acatar os assédios dos cupidos bobos.

Nascida em São Paulo, batizada Célia, ela se mudou para Taubaté ainda na infância, e logo adotou a alcunha que era uma espécie de tradução para o idioma ianque. Àquela altura, a política da boa-vizinhança que intentava a uma dominação cultural dos países da América estava em plena ebulição. Aluna de piano, violão e balé, Celly preenchia os requisitos básicos da dita “moça de família”.

Aos doze anos, já era dona do próprio programa de rádio, confirmando a sua precocidade. A família, no entanto, não aprovou quando ela se tornou uma estrela radiofônica, mas aí era tarde para conter todo o seu talento. Antes de completar a maioridade, era figurinha carimbada em atrações de rádio e TV.

Logo chegou ao cinema com o longa-metragem “Jeca Tatu”, de Mazzaropi, mais um estouro de pipoca e bilheteria. Acontece que, novamente atendendo às demandas um tanto quanto machistas e retrógradas da época, Celly converteu matrimônio, abandonou a carreira e dedicou-se aos dois filhos, como uma autêntica dona-de-casa das antigas.

Teve ainda dois netos, e perdeu a oportunidade de comandar o programa “Jovem Guarda”, cedendo o lugar para a loiríssima Wanderléa, até então uma desconhecida. Quando parece ter se arrependido, tentou retornar aos microfones e holofotes.

Mas, aí, já era tarde demais. As luzes da ribalda haviam se apagado para ela. No ritmo alucinante do show bis, a estrela de Celly Campello, nascida há 80 anos, passou como um raio e, agora, nesse 2022, vai virar filme: “Um Broto Legal”, já nos cinemas.

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