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Antonio Cicero se debruça sobre a poesia de Ferreira Gullar 

Membro da Academia Brasileira de Letras e irmão de Marina Lima, ele apresenta palestra no 'Letra em Cena. Como Ler...' 

Antonio Cicero analisa os principais pontos da poesia de Ferreira Gullar

Bico, penas, crista e esporões. Um reles galo, cujo grito é “mero complemento de auroras”, mas que “adquire uma aparência heroica”. “Coisas de que a poesia é capaz”, sentencia o escritor e filósofo Antonio Cicero, que assim analisa o poema “Galo Galo”, publicado por Ferreira Gullar (1930-2016) em seu “primeiro que na verdade é o segundo livro”.

“O primeiro mesmo ele nunca mais reeditou, ninguém tem, não existe mais”, explica Cicero, em referência a “Um Pouco Acima do Chão”, lançado em 1949, quando Gullar tinha 18 anos. A “maioridade literária” o poeta maranhense atingiu com “Luta Corporal”, de 1954, do qual “Galo Galo” faz parte, ao lado de “A Galinha”, outro poema que impressionou Antonio Cicero.

Estilo. “São poemas pequenos, que falam sobre coisas simples, mas de maneira forte e muito bonita”. Nesta terça (14), Cicero se debruça sobre a obra de Ferreira Gullar, como parte do projeto “Letra em Cena. Como Ler”, em palestra que terá a mediação do jornalista mineiro José Eduardo Gonçalves. Quando lançou “Luta Corporal”, Gullar logo foi procurado pelos concretistas, dado o teor experimental de sua poesia. O intento do poeta era “explodir com a linguagem”, em suas próprias palavras.

Posteriormente, ele acabou rompendo com o grupo de Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, e fundando o neoconcretismo. “O Gullar é simplesmente um grande poeta, ele tem todas as qualidades que um poeta precisa ter”, elogia Cicero, que, a partir de 2017, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras. Irmão de Marina Lima, ele também é autor de letras para sucessos da cantora, como “Fullgás”, “Charme do Mundo”, “Virgem”, e outras.

Célebre. Para completar, “divide” com Gullar uma parceira musical: Adriana Calcanhotto, que compôs com ambos. A primeira vez que Cicero se aproximou da obra do poeta maranhense foi aos 13 anos, quando lhe caiu nas mãos a antologia “Toda Poesia”, por intermédio dos pais, contendo a obra produzida entre 1950 e 1980. “Ainda tenho esse volume. No começo da carreira, com 20 e poucos anos, o Gullar já escrevia poemas que ainda hoje considero muito bons”, destaca.

Em 1976, durante o exílio imposto pela ditadura militar no Brasil que o levou a viver entre a Argentina, o Chile e a União Soviética, Gullar escreveu aquele que é considerado o seu poema mais célebre. O “Poema Sujo” mereceu elogios públicos de Vinicius de Moraes e do historiador Sérgio Buarque de Holanda.

Política. Na época, Gullar era filiado ao Partido Comunista Brasileiro, outro movimento com o qual rompeu, tornando-se um crítico ferino do Partido dos Trabalhadores no final da vida. “O Gullar sempre escreveu, sobretudo, sobre o Brasil”, define Cicero, que enxerga com pessimismo o atual momento político do país.

“Esse governo é, declaradamente, contra a cultura. Transformaram a cultura em inimiga, acabaram com tudo o que a estimula e incentiva, de modo que não é possível nenhum artista sério ficar ao lado desse governo”, critica Cicero, que complementa: “Foram péssimos do ponto de vista da educação e da cultura em geral. Não há nada a elogiar nesse governo”.

Serviço

O quê. “Letra em Cena. Como ler” Ferreira Gullar, com Antonio Cicero

Quando. Nesta terça (14), às 19h

Onde. Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia, 2.244)

Quanto. Inscrições gratuitas no site: www.sympla.com.br

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