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Ouça as melhores músicas para o Dia dos Namorados: de 'Carinhoso' a Bruno & Marrone 

Não há uma época do nosso cancioneiro em que alguém não se declare de amor e faça jus à tradição romântica da MPB

Dia dos Namorados é embalado com samba, choro, rock e música sertaneja na MPB

A tradição romântica marca a música brasileira desde o seu princípio, com valsas e boleros eternizados por nomes como Carlos Galhardo, Francisco Alves e outros apaixonados do gênero.

Os primeiros ritmos com acento nacional, como as serestas e o samba-canção, também seguiram esse estilo, destacando cantoras cuja entrega era possível sentir nas letras e interpretações, casos de Dolores Duran, Dalva de Oliveira e, mais à frente, Maysa.

Não há uma época no nosso cancioneiro em que alguém não se declare de amor. Com a chegada do Dia dos Namorados, celebrado no Brasil neste domingo (12), músicas para embalar os corações é o que não nos falta...

“Carinhoso” (samba-choro, 1937) – Pixinguinha e João de Barro

Pixinguinha foi regente de várias orquestras, entre elas a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, Oito Batutas e Diabos do Céu. Suas inovações melódicas provocaram celeuma na imprensa, que não compreendia a insurgente sofisticação. Ao escrever um choro em duas partes, e não em três, como era costume, o próprio compositor sabia que seria alvo de reclamações.

Por isso mesmo, “Carinhoso” demorou 20 anos para tomar forma definitiva e alcançar sucesso irrevogável. O que só aconteceu quando João de Barro, o Braguinha, adentrou a ourivesaria de Pixinguinha e lapidou com versos a refinada harmonia de “Carinhoso”.

Desde a gravação original de Orlando Silva, em 1937, por recusa de Francisco Alves e quebra de compromisso de Carlos Galhardo, a música se tornou um dos maiores emblemas do cancioneiro romântico brasileiro, com mais de 200 regravações.

“Dois Corações” (samba-canção, 1942) – Herivelto Martins e Waldemar Gomes

O romance entre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins foi tão intenso quanto profícuo, e rendeu vários clássicos da canção brasileira. Infelizmente, a fase de maior criação acerca do relacionamento foi justamente aquela em que eles andavam às turras, antes de um desfecho triste para ambos os lados, com mútuas acusações e um ressentimento que permaneceu até o fim da vida.

No entanto, quando ainda estavam perdidamente apaixonados, Herivelto compôs, em parceria com Waldemar Gomes, uma ode ao amor que não deixa dúvidas: “Quando dois corações/ Se amam de verdade/ Não pode haver no mundo/ Maior felicidade/ Tudo é alegria/ Tudo é esplendor”. A música foi lançada em 1942 num dueto de Dalva com Francisco Alves, os dois maiores intérpretes daquela época.

“Fim de Semana em Paquetá” (samba-bossa, 1947) – Braguinha e Alberto Ribeiro

No final da década de 1940, Braguinha e Alberto Ribeiro captaram com sensibilidade os primeiros momentos do amor ao retratar encontros no bairro carioca de Paquetá. “Esquece por momentos teus cuidados/ e passa teu domingo em Paquetá/ aonde vão casais de namorados/ buscar a paz que a natureza dá/ (…) agarradinhos, descuidados/ ainda dormem namorados/ sob um céu de flamboyants”. A música foi lançada por Nuno Roland, em 1947, e regravada, com enorme sucesso, por Jorge Goulart e, depois, Wilson Simonal.

“Namorados” (samba-canção, 1954) – Lupicínio Rodrigues

Mestre da chamada “dor de cotovelo”, Lupicínio Rodrigues também abordou o amor e seus primeiros anos, porém sob o viés em que se especializou. “Quando eu era só teu namorado/ Mas que vida que a gente vivia/ (…) Todo dia nossos lábios somente se abriam/ Para trocarmos promessas sem fim/ (…) Mas agora que somos casados/ Foi que tudo para nós mudou/ Antes tu me chamavas de amado/ Hoje até desgraçado eu já sou”.

Lançada por Léo Romano em um disco de 78 rotações no ano de 1954, ela foi regravada por Arrigo Barnabé em um dueto impagável com Sérgio Espíndola. Antes, também recebeu uma versão do próprio Lupicínio Rodrigues, no distante ano de 1955.

“Eu Sei Que Vou Te Amar” (samba-canção, 1959) – Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Considerada ainda hoje, com justiça, uma das mais românticas canções do repertório nacional, “Eu Sei Que Vou Te Amar” costuma embalar pombinhos apaixonados de todas as gerações. Composta pela dupla Vinicius de Moraes e Tom Jobim, a música foi lançada pela cantora lírica Lenita Bruno, em 1959. No mesmo ano, recebeu outras regravações, sendo a mais destacada delas a da intérprete paulista Elza Laranjeira.

Os versos de Vinicius ganharam a adesão de uma declamação feita por ele próprio do “Soneto de Fidelidade”, mais conhecido pelo afamado verso “que seja infinito enquanto dure”, numa gravação feita por Maria Creuza em 1972, com o acompanhamento do violão de Toquinho. “Eu sei que vou te amar/ Por toda a minha vida, eu vou te amar/ Em cada despedida…”.

“A Lua É dos Namorados” (marchinha, 1961) – Klécius Caldas, Brasinha e Armando Cavalcanti

O trio de foliões Klécius Caldas, Brasinha e Armando Cavalcanti optou por colocar um símbolo da paixão como protagonista da marchinha lançada no início da década de 1960, por Angela Maria: a lua. Além disso, a disputa espacial travada no período entre russos e norte-americanos contribuiu para inspirar os autores.

Os versos de entusiasmo que abrem a composição servem, também, como refrão, e ainda voltam para encerrar a música. “Todos eles estão errados/ A lua é dos namorados”. Um grande hit de arrastar quarteirões...

“Minha Namorada” (bossa nova, 1965) – Vinicius de Moraes e Carlos Lyra

Considerada por Elis Regina “a maior cantada da música brasileira”, a composição de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra faz jus ao entendimento da cantora, que assistiu ao registro feito por Jair Rodrigues durante o programa “O Fino da Bossa”, apresentado pela dupla na rede Record nos anos 1960.

“Se você quer ser minha namorada/ah, que linda namorada/você poderia ser/ (…) e também de não perder esse jeitinho/de falar devagarinho/essas histórias de você”. E a música foi regravada, com êxito, por Maria Creuza, Maria Bethânia e Mart'nália.

“Como É Grande o Meu Amor Por Você” (balada, 1967) – Roberto Carlos

Roberto Carlos vinha, aos poucos, de descolando do título de ídolo da garotada para se consagrar como o Rei da música brasileira. Um dos principais ativos nesse movimento foi apostar em canções mais maduras, que deixavam para trás o espírito juvenil e rebelde, em busca de declarações de amor capazes de acalentar corações de todas as idades.

“Como É Grande o Meu Amor Por Você” destoa do repertório de “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, LP lançado em 1967, exatamente por esse motivo. A balada se eternizou como uma das mais tocadas em festas de casamento país afora, e empilhou regravações de nomes como Nara Leão, Fagner, Ivete Sangalo, Fábio Jr., Sandy, Lulu Santos, Roberta Miranda, Nelson Gonçalves, Joanna, Oswaldo Montenegro e muitos outros mais.

“Namorinho de Portão” (tropicalista, 1968) – Tom Zé

Lançada por Tom Zé em “Grande Liquidação”, primeiro álbum do autor, a composição se vale de uma abertura incidental da música de domínio público “Cai, cai, balão”, para, em seguida, incluir outros elementos caros à Tropicália, como a mistura sonora e a fluidez discursiva.

“Namorinho de portão/biscoito, café/meu priminho, meu irmão/conheço essa onda/vou saltar da canoa”. A música foi regravada com grande sucesso por Gal Costa, no conceituado álbum que trazia, ainda, “Não Identificado” e “Baby”, que se tornaram clássicas.

“Samba de Gesse” (bossa nova, 1971) – Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes (1913-1980) foi casado nove vezes. A sétima esposa foi a atriz baiana Gessy Gesse. Apresentados por Maria Bethânia, os dois selaram o matrimônio de maneira pouca ortodoxa. Numa praia de Salvador, Vinicius vestiu-se de bata branca e uma coroa de margaridas. Os dois foram morar na capital baiana, e o relacionamento durou sete anos.

Enquanto a chama do amor ainda não havia se apagado, o Poetinha compôs, para a sua musa, “Samba de Gesse”, um singelo samba ao estilo da bossa nova, em que declarava uma paixão que, apesar de nova, ele suspeitava vir de outras eras.

“Até parece que eu conhecia sempre você/ Que me aparece quando eu não via jeito de ser/ (…) Quando amanhece e eu ao meu lado vejo você/ Eu digo em prece que a vida é linda como você”. Fato curioso e raro na trajetória do compositor, Vinicius criou melodia e letra sozinho, sem parceiros.

“Dia Branco” (balada, 1981) – Geraldo Azevedo e Renato Rocha

“Dia Branco” ostentou durante muito tempo o título de canção brasileira mais executada em casamentos e, talvez, ainda hoje, esteja entre as primeiras nesse ranking romântico. A história de sua criação é curiosa.

O batismo teria sido inspirado pelo famoso “Álbum Branco” dos Beatles, que, naquela época, fazia a cabeça de Geraldo Azevedo, pernambucano que rumou para o Sudeste a convite da cantora Eliana Pittman em busca de oportunidades para seu trabalho. A travessia, no entanto, não foi das mais fáceis.

Azevedo levou nove anos até conseguir gravar o seu primeiro LP. Pode-se dizer que “Dia Branco”, parceria com Renato Rocha, ajudou a asfaltar o caminho que havia sido aberto com “Bicho de Sete Cabeças” dois anos antes. A canção dolente ainda toca corações.

“Eduardo e Mônica” (balada, 1986) – Renato Russo

Clássico absoluto do rock nacional, responsável por catapultar a Legião Urbana ao topo das paradas de sucesso, “Eduardo e Mônica”, lançada em 1986, traz todos os elementos da marcada poética de Renato Russo, calcada em uma narrativa fílmica que centra as discussões em personagens e dispensa a necessidade de um refrão. A determinada altura da balada, após apresentar as contradições aparentes entre Eduardo e Mônica, Renato conta que eles “fizeram natação, fotografia, teatro e artesanato”. E a música virou até um filme.

“Dia dos Namorados” (balada, 1987) – Cazuza e Perinho Albuquerque

Composta em 1986 a música “Dia dos Namorados” ficou fora de “Só Se For a Dois”, disco lançado por Cazuza um ano mais tarde. Parceria do “poeta exagerado” com Perinho Albuquerque, a música foi então oferecida para Zezé Motta, que a cantou em shows, mas não chegou a registrá-la por falta de gravadora na época.

Trinta anos depois, com o intermédio do produtor e baixista Nilo Romero a gravação feita com a voz de Cazuza foi recuperada e mais: passou a contar com a adesão de Ney Matogrosso. Não por acaso, o dueto bisa relação protagonizada pelos dois, que foram namorados. É, no entanto, o único registro musical com a voz dos dois juntos.

“Românticos” (balada, 1999) – Vander Lee

O segundo disco de Vander Lee, no “Balanço do Balaio”, foi lançado em 1999 pela gravadora Kuarup, e trouxe no repertório o maior sucesso de sua carreira: “Românticos”, uma balada delicada, dolente e sensível, com forte poder de identificação sobre o público. “Românticos são poucos/ Românticos são loucos desvairados/ Que querem ser o outro/ Que pensam que o outro é o paraíso”. Em 2019, a música ganhou uma versão da Orquestra Ouro Preto, com os vocais de Renegado, rapper que manteve longa amizade com Vander Lee.

“Vai Dar Namoro” (sertaneja, 2003) – Bruno & Marrone

Estouro da dupla sertaneja Bruno & Marrone no ano de 2003, a música foi lançada no álbum “Inevitável”, que trazia ainda a presença de Claudia Leitte na faixa “Doce Desejo” e uma regravação para “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, música de Fernando Mendes. Aliás, a canção de Mendes foi gravada por Caetano Veloso neste mesmo ano. Para completar, Maria Bethânia intercala em seus shows o refrão de “Vai Dar Namoro” com “É O Amor”, outro sucesso sertanejo. “Do jeito que você me olha/ Vai dar namoro...”.

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