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Leoni se apresenta em BH a bordo de sucessos e anuncia inéditas 

Músicas como 'Só Pro Meu Prazer', 'Garotos II', 'Por Que Não Eu?' e 'Exagerado' estão no repertório do encerramento da turnê 

Leoni fala sobre parcerias com Cazuza, Marcos Valle, Francis Hime e Samuel Rosa

“Foi um sustão!”, admite Leoni. A poucas horas de subir no palco, com o Mineirinho absolutamente lotado, o saxofonista George Israel não aparecia. A informação era que o músico tinha se perdido em uma cachoeira com um amigo. “Ele não sabia mais onde estava”, recorda Leoni. Na ocasião, um carro foi deslocado para procura-lo, enquanto o restante da banda roía as unhas e sentia a barriga congelar de nervoso.

George Israel acabou chegando a tempo, para alívio geral da nação. Essa lembrança aflitiva remonta a uma das primeiras vezes que Leoni se apresentou em Belo Horizonte, ainda como integrante do Kid Abelha, em um festival que contava com a presença de bandas locais.

“Belo Horizonte é uma cidade tão musical, pra mim é uma referência. Eu me lembro, na adolescência, que ficava ouvindo os discos do Clube da Esquina e achava que eu nunca ia chegar em nada parecido, porque eu tocava mal e aqueles caras tocavam bem demais”. Leoni chegou lá. Ou melhor, aqui. Pertinho de nós.

Sucessos. Nesta sexta (10), ele retorna à cidade em uma situação mais confortável. Aos 61 anos, já consagrado como um dos grandes hitmakers da música brasileira, apresenta a sua coleção de sucessos para o público mineiro, no encerramento da turnê que enfileira “Garotos II”, “Só Pro Meu Prazer”, “Por Que Não Eu?”, “A Fórmula do Amor”, dentre outras, músicas regravadas por artistas tão diversos quanto Bruno & Marrone, Lucas Lucco, Jeito Moleque, Leo Jaime e etc.

“Na época eu fazia as músicas que eu gostava, e que estavam em sintonia com o que o povo estava gostando. Hoje, o que eu faço pode até ser melhor, pode ser pior, mas não vai ter o mesmo impacto. O sucesso é muito circunstancial. É você estar no lugar certo, na hora certa, dizendo as coisas que as pessoas querem ouvir”, sintetiza Leoni.

Ele também promete se arriscar nas releituras de sucessos alheios, casos de “Como Nossos Pais” (de Belchior), “Quase Sem Querer” (de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha), “Sua Estupidez” (de Roberto e Erasmo Carlos) e “Quase um Segundo” (de Herbert Vianna).

Outras novidades incluem parcerias recentes com os “ídolos de juventude”, como ele define, Francis Hime e Marcos Valle, um livro de poesias dividido com Mauro Santa Cecília e a trilha sonora do filme “Intimidade entre Estranhos”, de José Alvarenga, assinada com Frejat. Também na agenda está o encontro com Samuel Rosa para compor uma canção.

Novidades. “Eu sou um cara muito pouco fiel com meus parceiros, sempre tenho mais parceiros”, diverte-se Leoni, que enumera “a galera do rock toda”, ao incluir Frejat, Herbert Vianna, Cazuza, Leo Jaime, além de Ivan Lins, Fernanda Abreu, Zélia Duncan e Paulinho Moska, dando a medida de seu leque amplo.

A música ainda inédita com Francis Hime deverá integrar o projeto capitaneado por “Defesa da Alegria”, faixa já disponibilizada nas redes, feita para integrar o projeto “Vem Alegria”, em celebração ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.

“Vai ser um espetáculo meio circense. Estou até aprendendo a fazer malabares, com as bolinhas eu já domino. A família proibiu de usar perna de pau e engolir fogo, não deve fazer muito bem pra garganta”, brinca o músico.

Na próxima semana, entra em rotação “O Exercício da Preguiça”, para adensar o gostinho de quero mais e excitar a curiosidade dos fãs. “É difícil hoje você ser preguiçoso, se você bobear já está fazendo alguma coisa, sendo produtivo”, observa Leoni.

Trajetória. Carioca da gema, o compositor foi batizado com um nome pomposo: Carlos Leoni Rodrigues Siqueira Júnior, mas optou pela simplicidade. Leoni se especializou em baladas que embalaram gerações desde que estreou como baixista do grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, que depois também resumiu o próprio nome, em 1981.

Em 1986, partiu para liderar os Heróis da Resistência, assumindo os vocais. Após seis anos e um disco de ouro, investiu na carreira-solo. “Como banda, o Heróis da Resistência era bastante diferente do Kid Abelha. Depois, na carreira-solo, foi uma coisa mais pop. A carreira-solo é boa porque você pode experimentar muito. Fiz um disco que era mais eletrônico, aí depois fiz um de violão e quarteto de cordas. Em uma banda você não tem essa liberdade de ficar mudando”, pondera.

Um encontro fundamental nessa trajetória aconteceu com Cazuza (1958-1990). “O Cazuza era quase família. Ele tinha um caso, meio namoro, com a minha sogra, e a gente convivia mas, por incrível que pareça, ele era uma pessoa muito tímida. Virava o ‘exagerado’ depois que bebia ou quando subia no palco”, revela Leoni.

Exageros. Como o entrevistado compartilhava da mesma timidez, as conversas não evoluíam muito, e eles raramente falavam sobre música. Na esteira da saída intempestiva de Cazuza do Barão Vermelho, com direito a barracos públicos e acusações recíprocas, o produtor Ezequiel Neves sugeriu ao pupilo procurar Leoni para uma parceria a fim de catapultar a sua recém-inaugurada carreira-solo.

Por meio da caligrafia de Cazuza e Ezequiel, chegou ao conhecimento de Leoni uma letra imensa, acompanhada pelo convite para criar a melodia e se tornar parceiro da dupla mais conhecida e temida nas noitadas intermináveis do Baixo Leblon. Cazuza dizia que o “exagerado” da letra era Ezequiel, que devolvia o elogio ao cantor.

“Nessa época eu dividia apartamento com o Leo Jaime, e ele não estava lá. Ele até quis participar, mas eu falei: ‘Não, essa aqui é minha, não vou deixar não’. Porque a gente fazia muita coisa juntos”, rememora Leoni. Cazuza deixou, ainda, um pedido expresso. Queria uma coisa bem exagerada, com pegada latina.

“Ele falou: ‘Faz um bolero’. E eu falei: ‘Bolero?! Eu nunca compus um bolero na vida. Deixa aqui que eu vou pensar’. E aí eu organizei, porque era um poema que não tinha as partes estruturadas ainda, com refrão e tal”, conta Leoni, que foi assistir à gravação da música que puxou as vendas do primeiro disco solo de Cazuza no estúdio, em 1985.

Nascia “Exagerado”, cantada a plenos pulmões até hoje. Recentemente, Leoni colocou melodia em duas letras inéditas de Cazuza, “Tocha Acesa” e “Estranha Palavra”. As canções deverão integrar um disco póstumo em homenagem ao amigo, em uma iniciativa da Sociedade Viva Cazuza, com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Rogério Flausino, Seu Jorge, Xande de Pilares e Bebel Gilberto, entre outros artistas que musicaram textos de Cazuza.

Serviço.

O quê. Encerramento da turnê “Sucessos”, de Leoni

Quando. Nesta sexta (10), às 21h

Onde. Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro)

Quanto. De R$ 90 (meia) a R$ 140 (inteira), pelo eventim.com.br/artist/leoni/

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