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Entenda o que é recuperação judicial e como ela influencia no futuro do Cruzeiro

Clube celeste entrou oficialmente com o pedido na Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte

Cruzeiro formalizou o pedido de recuperação judicial nessa segunda-feira

O Cruzeiro entrou nessa segunda-feira (12) com o pedido de recuperação judicial na Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte. A solicitação vale para a parte associativa do clube, que atualmente se difere da SAF, gerida por Ronaldo e responsável pelo futebol da instituição.

A medida de urgência, adotada costumeiramente por empresas em situação financeira delicada, foi aprovada pelo Conselho Deliberativo em abril deste ano e era uma das condições que o Fenômeno impôs para concluir a compra de 90% da SAF celeste.

A Itatiaia conversou com o professor da UFMG e advogado na área de direito empresarial Sérgio Morão para entender os próximos passos. Na prática, o Cruzeiro ganha fôlego por um período de 180 dias, já que as execuções das dívidas ficam suspensas. Nesse período, o clube tem a oportunidade de elaborar um novo plano de pagamento aos credores.

"O que é débito do passado, a empresa que está em recuperação elabora um plano. É como se fosse uma proposta dizendo que vai pagar os credores antigos de uma seguinte forma. Pode propor desconto, parcelamento, pode propor em pagar em muito tempo. Ela tem diversas alternativas e é uma proposta que ela constrói para pagar os credores do período anterior", explicou.

Daniel Vilas Boas, advogado responsável pela recuperação judicial do Cruzeiro, explicou que houve um estudo interno sobre a situação financeira e débitos existentes no clube. Após a avaliação, a recuperação judicial foi considerada a melhor saída.

"A associação contratou uma consultoria especializada na área financeira, a Alvarez & Marsal, para que estudasse o endividamento do Cruzeiro, a projeção de receitas, e apresentasse um plano de pagamentos. Após este estudo verificar os requisitos legais, a associação resolveu entrar com o pedido de recuperação judicial, que está dentro de um conjunto de iniciativas que o clube tomou, para que as dívidas sejam saneadas”, afirmou.

Ao invés de negociar individualmente com cada credor, a associação da Raposa vai elaborar um plano detalhado de como faria os pagamentos a todos os indivíduos e empresas que têm um valor a receber. A proposta é inicialmente apresentada a um juiz. Posteriormente, uma assembleia com os credores é realizada para a análise. É possível a aprovação, reprovação ou uma contraproposta.

"A empresa que pediu recuperação tem que apresentar um plano de pagamento aos credores. Nesse plano, ela vai falar que meu passivo é x, eu tenho um número de credores, consigo levantar dinheiro de alguma forma e vou usar esse dinheiro para pagar os credores. Ele deve conversar com os credores e fazer uma pesquisa de campo para não correr o risco de receber uma proposta dos credores de que não aceitam de jeito nenhum".

Caso seja aprovado o plano de quitação dos débitos, a dívida é atualizada com os novos termos, valores e condições.

Mesmo com a recuperação judicial, as despesas e responsabilidades adquiridas a partir do momento da medida tomada pelo departamento jurídico do clube seguem o mesmo rito normal, ficando fora da nova proposta de pagamento.

"O pedido de recuperação judicial é como se houvesse um corte na vida da empresa. Tudo aquilo que é débito anterior ao pedido de recuperação, a empresa ou a associação não pode pagar esses débitos. Ele para de pagar todos esses débitos, mas tem que continuar pagando as despesas correntes. Ou seja, você tem que continuar pagando água, luz salário, do período daqui para frente", disse Mourão.

Nas últimas semanas houve inúmeras demissões nas sedes sociais do Cruzeiro, tanto no Parque Esportivo do Barro Preto quanto na Campestre.

Segundo apuração da Itatiaia, funcionários da limpeza, professores de escolinhas de esporte de várias modalidades e integrantes do setor administrativo foram demitidos por causa da dificuldade financeira da associação.

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