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Símbolos das duas eras cruzeirenses unem clube ao Vasco

Niginho e Tostão deixaram o Barro Preto para jogar em São Januário

Tostão defendeu Cruzeiro e Vasco

Os maiores ídolos de cada uma das eras do Cruzeiro, que foi Palestra Itália entre 1921 e 1942, unem o clube ao Vasco, adversário celeste neste domingo (12), no Maracanã, em partida válida pela 12ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Isso porque Niginho e Tostão tiveram em suas trajetórias passagens por São Januário.

Essa história começa em 1937. Em 19 de setembro daquele ano, Niginho se despediu do Palestra Itália num empate por 1 a 1 com o Sete de Setembro em amistoso disputado no Barro Preto, seu principal palco. Ele marcou o gol palestrino e ainda desperdiçou um pênalti.

O Palestra Itália vivia situação financeira complicada e aceitou uma proposta do Vasco para vender seu principal jogador e tentar colocar as finanças em dia.

Sua estreia com a camisa vascaína foi 20 dias depois, em 10 de outubro de 1937, num clássico contra o Flamengo, em São Januário, pelo Campeonato Carioca. E o menino Metralha, como era chamado em Belo Horizonte, mostrou sua vocação artilheira marcando duas vezes no empate por 3 a 3.

Como jogador do Vasco, Niginho, que foi o primeiro atleta de um clube mineiro convocado para a Seleção Brasileira, em 1936, na época defendendo o Palestra Itália, foi chamado pelo técnico Ademar Pimenta para a disputa da Copa do Mundo de 1938, na Fança.

O centroavante titular do time era Leônidas da Silva, do Flamengo, que sofreu lesão muscular em 14 de junho na segunda partida das quartas de final contra a Tchecoslováquia, quando o Brasil fez 2 a 1, de virada, após as duas equipes terem empatado o primeiro jogo, dois dias antes, por 1 a 1. Esses dois confrontos foram em Bourdeaux.

Niginho era o reserva do Diamante Negro e teria a chance de jogar em 16 de junho de 1938, quando o Brasil encarou a Itália pelas semifinais, em Marselha. Mas o Menino Metralha não entrou em campo. E existem duas versões para essa ausência.

Niginho foi o grande nome do Palestra Itália

Versões

A mais forte e divulgada na época era de que a federação italiana mostrou à Fifa que ele ainda tinha contrato com a Lazio, onde foi jogar em 1932 retornando ao Brasil em 1935. Isso porque ele foi convocado pelo exército italiano para lutar na Guerra da Abissínia, no Norte da África.

No “Almanaque do Cruzeiro”, de Henrique Ribeiro, ele explica essa história quando trata da volta do Menino Metralha ao Barro Preto com reestreia em 19 de maio de 1935, num 3 a 0 sobre o Sete de Setembro, pelo Campeonato da Cidade, com o último gol marcado por ele.

“O ídolo Niginho retornou da Lazio, da Itália. O craque havia sido convocado pelo exército italiano para lutar na Guerra da Abissínia, mas resolveu desertar e fugir para o Brasil. Assim que desembarcou de navio, no Rio de Janeiro, foi assediado pelos dirigentes dos clubes cariocas e recusou as propostas justificando que retornaria a Minas Gerais, pois se considerava uma extensão do Cruzeiro (Palestra Itália)”, afirma o autor.

No livro “Todos os jogos do Brasil”, de Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Denis Woods e Valmir Storti, é apresentada a versão de José Maria Castello Branco, chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 1938. Segundo ele, Niginho não enfrentou os italianos por causa de uma lesão no pé que o impedia até de andar.

Em 16 de junho de 1938, o Brasil jogou contra a Itália sem um centroavante de ofício e perdeu por 2 a 1, o que impediu a Seleção de disputar sua primeira final de Copa do Mundo.

Retorno

O retorno de Niginho ao Palestra Itália teve como marca um jogo amistoso contra o Vasco, que ele defendeu no confronto, que foi disputado em 8 de setembro de 1939, no Estádio Antônio Carlos, em Lourdes, que pertencia ao Atlético.

A vitória palestrina por 2 a 1 decretou o fim da passagem por São Januário. Em 24 de setembro de 1939 o Menino Metralha iniciou sua terceira e última passagem pelo Barro Preto com uma derrota por 2 a 1 para o América, na Alameda, em jogo válido pelo Campeonato Mineiro. Ele marcou o gol palestrino.

Maior ídolo do Palestra Itália e do início da Era Cruzeiro e nome principal da história cruzeirense antes da chamada Era Mineirão, Niginho une Raposa e Vasco, adversários deste domingo no principal jogo da 12ª rodada da Série B.

Tostão

A história envolvendo Tostão é mais conhecida. Em 2 de abril de 1972 ele disputou sua última partida com a camisa 8 cruzeirense. Nos 5 a 0 sobre o Tupi, no Mineirão, ele marcou dois gols, ambos em cobranças de pênaltis, em jogo válido pelo Campeonato Mineiro.

No dia 29 de abril, um amistoso entre Vasco e Cruzeiro, em São Januário, marcou a sua apresentação no Cruzmaltino. Ele não jogou porque estava machucado. A vitória foi cruzeirense, por 1 a 0, gol de Roberto Batata.

Tostão deixou a Toca da Raposa por causa da contratação do técnico Yustrich pelo clube. A Raposa fazia uma excursão pela Ásia. Ele convocou a imprensa para uma entrevista no hotel em que estava a delegação, em Bangcok, na Tailândia, e anunciou sua saída do Cruzeiro por não concordar com os métodos do novo treinador celeste, que era muito polêmico.

Em 7 de maio, Tostão estreou pelo Vasco num clássico contra o Flamengo, assim como tinha acontecido com Niginho. O jogo, que era válido pelo Campeonato Carioca, também terminou empatado, mas por 2 a 2, e levou 108.454 pagantes ao Maracanã.

O primeiro gol com a camisa vascaína só foi marcado em 29 de julho de 1972, numa vitória por 1 a 0 sobre o São Cristóvão, no Maracanã. Em 1974, por causa de uma lesão no olho, sofrida em 1969 e que quase o tirou da Copa do Mundo de 1970, Tostão encerrou a carreira ainda aos 27 anos.

Apesar de toda a rivalidade entre as torcidas de Cruzeiro e Vasco, os dois grandes símbolos das duas eras cruzeirenses unem os dois clubes.

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