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Estudo aponta que população de Brumadinho tem nível elevado de exposição a metais

Além disso, os resultados chamaram a atenção para a referência a problemas respiratórios e casos de depressão 

Barragem B1, da mina Córrego do Feijão, da Vale, rompeu-se em 25 de janeiro de 2019

As vítimas de Brumadinho - desastre causado pelo rompimento da barragem da Mineradora Vale - sofrem com doenças respiratórias, contaminação por metais pesados e depressão. Essa é conclusão do estudo da Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado com o objetivo medir o impacto da exposição das pessoas à tragédia. O resultado da pesquisa divulgado na manhã desta quinta-feira (7). Em 2019, a tragédia deixou 270 morto.

Metais pesados

Um dos aspectos avaliados na pesquisa é o perfil de exposição a metais do município. A dosagem de cádmio, arsênio, mercúrio, chumbo e manganês foi verificada por meio de exames de sangue e\ou urina.

Entre os adultos, 33,7% apresentaram níveis aumentados de arsênio total na urina e 37%, de manganês no sangue.

As crianças de 0 a 6 anos de idade também foram avaliadas em relação à dosagem de metais presente no organismo, por meio de exames de urina. Do total de amostras coletadas, 172 foram consideradas válidas para análise.

Os resultados mostraram que, em todas elas, foi detectada a presença de pelo menos um dos cinco metais em avaliação.

As análises também apontaram que 50,6% das amostras urinárias apresentaram pelo menos um metal acima do valor de referência.

Problemas respiratórios

Entre os adolescentes, quando perguntados se já haviam recebido diagnósticos médicos de doenças crônicas, as respostas mais frequentes foram asma ou bronquite asmática, mencionadas por 12,3% dos entrevistados.

Mas esse percentual é maior entre os moradores de algumas regiões, chegando a 23,8% entre os residentes do Parque da Cachoeira e 17,1% entre os que vivem no Córrego do Feijão, regiões diretamente expostas ao rompimento da barragem de rejeitos.

Pneumonia foi citada por 10,9% dos adolescentes, mas, entre aqueles que moram no Pires, região banhada pelo Rio Paraopeba que foi atingido pela lama, esse percentual foi de 16,7%.

Na população adulta, quando perguntada se algum médico já havia feito o diagnóstico de doenças crônicas, as mais citadas foram hipertensão (30,1%), colesterol alto (23,1%) e problema crônico de coluna (21,1%), com pequenas variações entre as regiões.

Em relação às crianças, 49% dos responsáveis observaram alterações na saúde dos seus filhos após o desastre. Os principais problemas de saúde apontados referem-se ao sistema respiratório e alterações na pele.

Saúde mental

A avaliação da saúde mental incluiu perguntas sobre o diagnóstico médico de algumas condições. Entre os adultos, quando perguntados sobre diagnóstico para depressão, o percentual foi de 22,5%, número superior aos 10,2% relatados pela população adulta brasileira durante a PNS de 2019. Já o diagnóstico de ansiedade ou problemas do sono foi reportado por 33,4% dos entrevistados com mais de 18 anos de idade. Nos adolescentes, 10,4% relataram diagnóstico médico de depressão e 20,1% de ansiedade.

Ainda para avaliar a saúde mental, os pesquisadores aplicaram as escalas Patient Health Questionnaire-9-PHQ-9 e General Anxiety Disorder -GAD7, que incluem perguntas sobre alguns sentimentos e sintomas.

A aplicação das escalas no público com mais de 18 anos mostrou que 29,4% apresentavam episódio depressivo e 19,2% transtorno de ansiedade.

Entre os adolescentes, a aplicação das escalas mostrou prevalências de 28,2% para episódio depressivo e 15,6% para transtorno de ansiedade. A dificuldade para dormir três ou mais vezes por semana foi reportada por 27,2% da população adulta de Brumadinho e por 19,4% dos adolescentes.

Os que consideram sua qualidade de sono como ruim ou péssima são 19,2% entre os adultos e 9,6% entre os adolescentes.

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