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'Quando eu assustei estava pegando fogo', relata jovem atingida por coquetel molotov

Suspeito foi preso pela polícia seis meses após o crime

Crime ocorreu em janeiro deste ano em Patos de Minas

A jovem que teve 40% do corpo queimado após um homem jogar coquetel molotov nela, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, explicou que, além das dores físicas, o crime deixou marcas bem mais profundas. Dislande Ramos Bonfim, de 20 anos, viu o agressor ser preso seis meses após o crime.

À Itatiaia, a jovem contou que realizava uma festa de virada de ano em sua casa com a presença de amigos mais próximos, quando o suspeito chegou ao local e não cumprimentou nenhum convidado. Ele não era uma pessoa do convívio dela, mas era conhecido do bairro.

Após o homem ingerir bebida alcoólica e usar drogas, a vítima conta que ele ficou bastante exaltado, brigou com alguns rapazes que estavam na festa e foi embora. Pouco depois, ele voltou ao local e ateou coquetel molotov no corredor da casa dela. Neste momento, Dislaine explica que estava na moto com o namorado, quando se assustou ao ver o homem com uma camisa no rosto indo em sua direção.

Meu namorado arrancou a moto, puxou meu ombro e saiu arrastando. Neste momento, eu caí no chão, levantei e saí correndo para minha casa. Na hora que eu bati a mão no portão, ele estava trancado. Olhei e vi que ele estava do meu lado. Na hora que eu virei, ele tacou gasolina e, quando eu assustei, estava pegando fogo

Desesperada, Dislande tirou a roupa e saiu correndo em direção a esquina da casa dela. “Meu namorado veio, me pegou e fomos correndo para o hospital. Aí os médicos foram fazer todos os procedimentos. Fiquei internada aqui no Regional 19 dias, tive que fazer procedimento de enxerto, debridação, fui transferida para BH, porque o hospital é especialista em queimados”, contou se referindo ao João XXIII.

Dislande queimou quase 40% do corpo. “Queimei os dois braços, as costas, um pouco das coxas e as pernas”, explicou. Conforme ela, o tratamento tem sido bastante doloroso. “O tratamento é muito doloroso porque a gente queima um dedinho e já dói, né? Imagina várias partes do corpo? Queimadura de 2º e 3º grau”, acrescentou.

‘Para sair na rua tem que ser toda coberta’

A vítima disse ainda à Itatiaia que “praticamente não vive mais” por causa de algumas restrições, que ultrapassam as dores físicas. “Eu não posso tomar sol, tem que ficar quase seis meses, um ano, só dentro de casa até os machucados cicatrizarem. Para sair na rua tem que ser toda coberta, né? Tem que usar uma malha compreensiva que é muito apertada e é horrível ficar com ela”, relatou.

O cabelo de Dislande batia na cintura, mas ela precisou cortá-lo. “Ficou curtinho. Tive que cortar porque ficava só saindo. Sinto dor até hoje. Minha autoestima é bem baixa até pra pentear o cabelo. É difícil, mas estou fazendo fisioterapia e aos poucos vou retornando, voltando ao normal como era antes”, completou.

Para realizar enxerto em algumas partes do corpo, os médicos tiraram pele da coxa de Dislande. “Minhas pernas estão todas manchadas por conta do enxerto. Tenho vergonha de usar short, porque as pessoas perguntam. Pra mim, às vezes é difícil, mas Deus é mais. Vai dar tudo certo se Deus quiser e isso vai passar”, disse.

Prisão

O homem foi detido pela Polícia Civil após o compartilhamento de informações entre os agentes de Patos de Minas e São Francisco. O investigado estava se escondendo na cidade do Norte de Minas, que fica a cerca de 500 quilômetros do município onde ocorreu o crime.

Pra mim é um alívio saber que ele foi preso, porque pra ele poder fazer uma coisa dessa, ele é um covarde, não é um ser humano, é um monstro. Tenho certeza que ele vai pagar por isso

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