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Profissionais da saúde denunciam falta de remédios, funcionários e até de seringas em hospitais de Belo Horizonte

Os relatos são de uma servidora da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais: 'temos que fazer milagre'

Os relatos são de uma servidora da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais: 'temos que fazer milagre'.

Os pacientes e usuários que buscam por atendimento e serviços de saúde nos hospitais João Paulo II e João XXIII, em Belo Horizonte, enfrentam, além da longa espera na fila, a falta de itens básicos para tratamento. Quem denuncia é uma servidora da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) que não será identificada, em entrevista ao repórter Ailton do Vale.

"Eu sou servidora do Hospital Infantil João Paulo II, um hospital referência no atendimento à criança, e eu trabalho no setor de urgência. Mas essa denúncia não é somente do setor de urgência. Ela é de todo hospital, onde estamos com faltas de insumos, seringas, esparadrapos. Isso é muito grave, uma vez que vem acontecendo há tempos. A gente informa, comunica, mas nada aconteceu até hoje e temos que trabalhar com o que a gente tem. Fazer milagre."

Segundo a Associação dos Trabalhadores em Hospitais do Estado (ASTHEMG), o cenário é ainda mais crítico. Isso porque também estão em falta medicamentos como antibióticos e anestésicos. Carlos Martins, que é diretor da ASTHEMG, relata qual é a explicação recebida pelos servidores diante do problema e a solução provisória para contornar a situação.

"Apesar de várias cobranças por parte dos trabalhadores a justificativa é que o processo de compra realizado pelo governo do estado, que está centralizado e não depende da FEMIG, tem passado por toda morosidade tanto no processo de compra quanto na aquisição desses produtos. Mas o que sabemos é que eles não fizeram uma previsão de manter um estoque necessário para esses produtos, uma vez que já havia um planejamento de uso de consumo."

Outro problema relatado pelos servidores, que está diretamente ligado à demora nos atendimentos, é a falta de médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem. Carlos Martins dá mais detalhes.

"A exemplo do Hospital Júlia Kubitschek que está com a urgência fechada apesar de uma determinação do Ministério Público para que os serviços sejam abertos porque eles não conseguem recursos humanos suficiente para abrir o serviço. Profissionais como técnico em enfermagem e principalmente médicos. Isso também tem corrido no Hospital Infantil João Paulo II. No Hospital João XXIII que é o maior pronto-socorro do estado tem uma carência de profissionais principalmente cirurgião plástico. Isso porque a Fhemig não consegue manter um quadro de funcionário necessário pra prestação de serviço."

Ainda de acordo com o diretor da ASTHEMG, mesmo que o auge da pandemia já tenha passado, a situação tende a piorar porque outras doenças continuam a se proliferar principalmente com a chegada do inverno. Diante de todo esse problema, servidores da FHEMIG pretendem fazer manifestações em frente aos hospitais nos próximos dias.

Em nota, a Fhemig, Fundação Hospitalar de Minas Gerais, afirma que não procede a informação de falta de insumos em suas unidades, incluindo no Hospital João 23. Mas reconhece que há dificuldade no mercado para o fornecimento de alguns itens. A Fhemig tem orientado o uso de produtos substitutos, nestes casos.

Nota da Fhemig

Por meio de nota, a Fundação Hospitalar também nega o atraso de pagamento dos servidores.

Quanto às contratações, a Fhemig diz que abre processos seletivos sempre que necessário para recompor as equipes. Os editais estão disponíveis na página da fundação.

Um concurso público para diversas funções e hospitais já foi autorizado pela Secretaria de Estado de Planejamento e está na fase de dimensionamento das vagas para formulação do edital.

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