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Grupo de pais divulga carta em apoio a greve de professores na rede particular

Professores entraram em greve no dia 6 de junho e negociação não avançou com os donos de escolas particulares

Professores entraram em greve no dia 6 de junho

Pais de alunos que estudam em escolas particulares de Minas Gerais divulgaram uma carta em apoio aos professores que estão em greve desde o dia 6 de junho. O objetivo é manifestar apoio às reivindicações dos docentes mesmo com a paralisação das atividades em algumas escolas particulares.

Os professores cobram reajuste salarial e a manutenção de conquistas históricas da categoria e que estão ameaçadas na negociação entre o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG) e o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG).

Na mesa de negociação, professores e donos de escolas particulares não conseguem chegar a um consenso sobre as bases para a convenção coletiva de trabalho deste ano. Com relação aos salários, os professores pedem um reajuste de 5% acima da inflação, que fechou o ano passado em 11,73%. Nos últimos dois anos, a categoria aceitou percentuais inferiores ao índice inflacionário em meio à pandemia que obrigou que eles e os alunos ficassem fora das salas de aula.

No entanto, o Sinep-MG não avançou na proposta inicial, de conceder aumento de 5% para professores do ensino básico e 4% para os de ensino superior.

Além disso, há outras questões em negociação, como o fim da concessão de bolsas de estudo, a ampliação de situações em que há possibilidade de redução de carga de trabalho sem a devida indenização à categoria ou a oportunidade de a escola deixar de pagar horas extras aos professores.

"Apoiamos a manutenção de direitos e repudiamos a precarização da condição de trabalho dos docentes em instituições privadas, comprometendo qualidade da educação de forma estrutural", diz trecho da carta que circula em grupos de pais e mães de alunos afetados pela paralisação, que dura mais de uma semana.

Pais defendem greve

Um dos signatários do manifesto, Alessandro Santos é pai de duas crianças que estudam em uma escola particular de Belo Horizonte e estão sem aulas regulares há sete dias úteis. Segundo ele, o apoio ao movimento é uma aposta na defesa de uma educação de qualidade e fortalece os docentes.

"Vejo com bons olhos o movimento de professores que estão tentando ampliar o debate sobre uma educação de qualidade e entendendo que uma educação de qualidade tem relação com um salário adequado mas, mais do que isso, os professores fazem reivindicações importantes", defende.

"É uma aposta na educação de qualidade, na necessidade de organização da categoria em um diálogo com as escolas e os representantes ou donos de escola", defende. "Precarizar o trabalho dos professores impacta diretamente na qualidade do ensino e na transmissão que eles fazem aos alunos", opina.

E como explicar para as crianças todo esse imbróglio e porque elas vão ficar fora da escola por alguns dias?

Para Santos, essa é uma oportunidade de conversar questões complexas com os filhos.

"Vejo a importância de transmitir aos meus filhos como a negociação faz parte das relações, inclusive de trabalho. E é fundamental a organização e posicionamento dos trabalhadores para criar e pautar a agenda pública no que diz respeito a tensões tanto da educação como do mundo do trabalho", explica.

Um abaixo-assinado com a carta dos pais de alunos das escolas particulares circula em uma plataforma e recebeu apoio de mais de 3 mil pessoas. O documento diz que, desde janeiro, foram realizadas oito rodadas de negociação e que as propostas dos professores foram "ignoradas".

"Vale lembrar que boa parte dessas medidas para reduzir os direitos dos professores foram propostas pelo sindicato patronal em negociações anteriores à pandemia e que não refletem apenas as dificuldades do momento atual, mas também um projeto de precarização da condição de trabalho nas escolas", diz o documento.

Uma nova assembleia dos professores está marcada para esta quarta-feira (15), quando os docentes vão avaliar, novamente, as propostas e decidirem se permanecem ou encerram a greve.

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