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Endividamento cresce, e cria uma geração de devedores crônicos no Brasil

Consumidores relatam conviver há anos com as contas no vermelho

Função de crédito segue sendo um dos maiores motivos de endividamento

As dívidas podem se tornar uma verdadeira bola de neve sem controle, e essa é a realidade de mais de 65 milhões de brasileiros, com uma dívida média de 4 mil reais por pessoa. 

É o chamado devedor crônico, e no centro da capital não é difícil encontrar quem esteja passando por essa situação. Raí, 39 anos, diz que tem dívidas com cartão de crédito que chegam a 3 mil reais. 

“Só o salário não dá, então acaba que você faz uma compra do mês no mercado, mês que vem vence uma prestação, mas você já está fazendo outra e assim vai embolando. Porque se não for assim, você não consegue comer”, explica. 

Raí explica que ainda não tem expectativa de conseguir pagar e que vai levando até quando der.

“O custo de vida está muito alto, o salário está muito baixo, não acompanha o crescimento do preço das coisas. Então você tem que escolher, seu salário não dá pra você manter uma casa e comer. Não tem como cortar mais nada, chegou no ponto em que você se endivida ou você não vive”, conta.

Simone, 28 anos, é faxineira e conta que tinha seis patroas há mais de quatro anos, mas em função da pandemia, acabou perdendo muitos dos seus serviços.

“Uma das maiores causas que a gente está endividado é devido à pandemia, foi através dela que eu senti na pele e no meu bolso. Meu nome está sujo, e não tenho intenção de pagar, o salário da gente é uma vergonha”, critica.

O professor de Administração e Tecnológicos da Faculdade Newton Paiva, Leandro Silva, aponta os fatores que estariam causando esse endividamento das famílias brasileiras. 

“É importante entender que nós temos um cenário econômico bastante conturbado e nos últimos 15 anos as famílias brasileiras tiveram acesso com muita facilidade a crédito, e grande parte dessa família brasileira, quando ela assumiu essa questão, assumiu, também, a ideia de que ela teria algum aumento real de renda e não é o que não aconteceu, e nós não estamos dizendo nos últimos 3 anos, estamos dizendo de 12, 15 anos pra trás”, ressalta.

O professor ainda afirma que não há previsão de melhora em um futuro próximo, acreditando que ainda podemos enfrentar 5 anos muito conturbados no cenário financeiro por conta desse novo rearranjo econômico mundial. 

“De todo modo, se eu tenho uma perspectiva negativa da economia se deve ao fato de muitas famílias contraírem muitas dívidas, muitas famílias perderam renda. Nós temos uma desvalorização do real em 20 anos que é algo próximo a 597%, e soma-se a isso a inflação. O que eu deixo como uma sugestão aos nossos ouvintes é que neste momento é momento de prudência, de cautela”, conclui.

Matéria assinada sob supervisão de Enzo Menezes.

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