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Entenda o que é 'abandono afetivo inverso’ de idosos e suas consequências

Considerado crime, casos mais graves podem chegar a 3 anos de reclusão

Abandono pode trazer consequências não apenas para o idoso, mas para o sistema de saúde

Milhares de idosos brasileiros sofrem diariamente com o abandono, muitas vezes, daqueles que ajudaram a criar. Essa dura realidade é denominada ‘abandono afetivo inverso’. Muitos deles são abandonados pela família numa cama de hospital, como explica a assistente social do hospital Risoleta Neves, Jordana Araújo.

“São pacientes em situação de muita vulnerabilidade, às vezes com cuidado precário, às vezes desidratado. Pode até ter um familiar presente, mas que está muito sobrecarregado”, conta.

Jordana diz que, antes de tomar outras medidas, o serviço social hospitalar faz de tudo para tentar reatar os vínculos afetivos entre o idoso e a família .

“Quando a gente conhece mais dessa família e percebe que tem um vínculo fragilizado e a família se opõe a levar esse paciente, fazemos um contato com a rede para descobrir a história dele no território, como que ele aciona essa rede e se a família acompanha. Quando recebe alta e a família não busca, acionamos o serviço de diretoria regional de assistência social”, completa.

Porém, nem sempre a falta de cuidado é intencional. Algumas vezes as pessoas mais próximas do idoso não têm condições financeiras ou mesmo físicas de cuidar do familiar. É o que aponta o diretor da Associação dos Trabalhadores em Hospitais de Minas (ASTHEMG), Carlos Augusto Martins.

“É comum uma pessoa com 80 anos que o único parente próximo é a esposa, por exemplo, que tem 85 anos. Ou seja, não tem condições de permanecer no hospital fazendo o acompanhamento dessa pessoa ou mesmo de fazer determinados cuidados”, explica.

O diretor da ASTHEMG também relata como o abandono de idosos prejudica todo o sistema de saúde.

“No período em que, clinicamente a pessoa idosa recebe alta, mas socialmente ainda não está em condições de sair do hospital por não ter um lugar adequado para permanecer, ela vai ficando no hospital e, com isso, é mais um leito ocupado que seria usado para outro tratamento”, afirma.

Se comprovado provado o dolo, o abandono de idosos é crime e os casos mais graves chegam à Justiça, como explica a coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias e Justiça de Promoção dos Direitos dos Idosos e das Pessoas com Deficiência, Vânia Samira Doro.

“Em uma situação mais grave, quando esses vínculos já estão fragilizados de maneira que, naquele momento, a gente precise retirar o idoso da unidade hospitalar, mas ele não tem pra onde ir, a nossa atuação é na falha da política pública”, conclui.

Segundo o Estatuto do Idoso, o abandono de idosos é passível de pena de seis meses a 3 anos de detenção, além de multa.

Matéria assinada sob supervisão de Rômulo Ávila

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