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'Ocupação irregular atrapalha ação da polícia', diz PM sobre barracas de moradores de rua em BH

Comandante de policiamento em BH comenta desafios da segurança pública quando o assunto são moradores em situação de rua

Policial vê muitas relações entre a segurança pública e moradores em situação de rua em BH

O contexto dos moradores em situação de rua constantemente se relaciona com a segurança pública em Belo Horizonte. A Itatiaia vem acompanhando essa situação, e a percepção ao longo dos últimos tempos é que o número de pessoas nas ruas é cada vez maior.

Nesta quarta-feira (8), a reportagem conversou com o Coronel Micael, comandante de policiamento em BH e ex-comandante do 1º Batalhão da capital, que explica um pouco mais sobre essa relação na cidade.

Como vem sendo o trabalho da polícia em relação a esse desafio tão grande?

"Pode-se dizer que, há cerca de quatro anos, temos um contato muito próximo com esse desafio, que é importante e envolve também a segurança pública. A população em situação de rua não é necessariamente um problema de polícia, mas que passa por ela também. Já fizemos um levantamento com mais de 500 pessoas na área Central, e grande parte falava de conflito familiar, envolvimento com drogas e outras circunstâncias".

"A gente observa que há envolvimento de grande parte dessa população com dependência química de álcool e outras drogas. Isso cria um ciclo que afeta outros crimes, como os casos de furto de cabos".

Essa situação do furto de cabos, que a Itatiaia sempre acompanhou e alertou, impressiona pela repetência criminal. Todos os dias tem hospital sem luz, semáforo estragado...

"Nós temos investido em uma ação para perceber aquele autor do furto como reiterado à prática do delito. E isso tem levado a prisões preventivas, por exemplo, e eles não retornam para as ruas. Isso é importante porque, devido à dependência, a pessoal dificilmente vai parar, o que gera um dano social muito importante."

Outra situação que acompanhamos são os homicídios entre a população de rua. E acontece por motivos banais, não é mesmo?

"É preciso compreender a realidade deles e como eles analisam essa convivência. Todo meio social tem seus códigos, e com eles não é diferente. A população em situação de rua não tem endereço, mas tem território, noção de pertencimento. Não rara vez, é dali que ele tira o sustento, lavando carro, tomando conta. Mas também é lá onde nascem os conflitos. O que costuma acontecer é a desinteligência, a incapacidade de resolver conflitos, que surgem por motivos certamente banais".

A polícia tem liberdade para chegar, abordar um morador em situação de rua, e entrar na barraca deles? Por que a gente sabe que está difícil para a polícia fazer o trabalho dela, existem interferências...

"Existe uma discussão recente sobre a liberdade de atuação da PM nas abordagens procedidas a indivíduos em situações suspeitas. Não havendo a abordagem, a gente acaba perdendo muito no critério da prevenção. A gente faz operações envolvendo pessoas em situação de rua com suspeição, que resultam em apreensão de facas e outros elementos que podem ser usados para lesões e homicídios. Se a gente não tiver a possibilidade de abordar, vai perder muita vida pela inação e provocação de ação de omissão que viesse a preservar a vida dessas pessoas".

"Somado a isso, as abordagens policiais que acontecem certamente por motivos relacionados ao crime, também acontecem por outras motivações. Diversas vezes, a polícia é o Estado presente naquele momento para socorrer o morador em situação de rua que está quase morrendo por problema de frio, por exemplo. Sem a abordagem, a gente não gera a prevenção criminal, e pela omissão, vamos gerar danos graves."

Em relação às polêmicas barracas, elas ajudam ou atrapalham o trabalho da polícia?

"O acúmulo de barracas na rua naturalmente atrapalha a intervenção policial. Estamos falando de um bem público de uso comum. Calçada e rua são bens públicos que pertencem à coletividade. Atrapalha também a vida do cidadão no dia a dia. Uma ocupação irregular dessa forma, e tenho certeza que é irregular porque o bem é público, vai atrapalhar certamente."

A polícia vai desanimar com esse tanto de dificuldade em relação a esse desafio em relação aos moradores em situação de rua?

"Certamente não, e não só com relação a essa situação, que merece nossa atenção, mas como todos os demais desafios. Não compete a nós desanimar, nós nascemos para servir e é isso que a gente faz".

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