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Mineira fica acamada após diagnóstico de dengue e mãe pede ajuda para custear tratamento da filha na Tailândia

Polyana Matias de Sousa, que à época tinha 15 anos, foi desacreditada por médicos, ficou em coma e acordou após sete meses 

Poly, como é carinhosamente chamada, esteve em coma por sete meses

“A vida é muito frágil”. Este relato é da enfermeira Elizangela Maria Matias Corrêa, de 42 anos, mãe de Polyana Matias de Sousa, de 18 anos, que, aos 15, descobriu que estava com dengue tipo 2. Após a doença, veio as sequelas, um coma, muita luta e também superação. A família mora em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais.

Era 28 de maio de 2019 quando Poly, como carinhosamente é chamada, apresentou sintomas comuns de dengue, como febre e dores de cabeça e no corpo. Cinco dias depois, ela começou a ter confusão mental, crises convulsivas e vômitos. Por isso, precisou ser internada na urgência.

“Os médicos achavam que era 'xilique', ter brigado com o namorado, eu falei ‘não’, ela está com dengue”, conta Elizangela que relatou ter que insistir para que eles chamassem um neurologista. “Com a minha insistência, ele pegou e pediu a consulta com o neurologista. A Poly não estava nem me reconhecendo mais”, disse emocionada à Itatiaia.

“Aí o neurologista avaliou ela e falou que precisava fazer uma punção lombar para poder ver se poderia ser meningite, e perguntou se ela tinha tido contato com macacos, porque na época estava um surto de febre maculosa. Aí eu falei que não, que não tinha tido, mas aí eles falaram que ia fazer uma tomografia e que logo ele ia colher uma punsão lombar dela, o líquido da coluna, para saber se era meningite”, explicou.

Como é enfermeira, Elizangela perguntou se não deveria fazer um exame de sangue nela para saber como estavam as plaquetas. “Aí que eles solicitaram exame, pediram as plaquetas e viram que elas estavam muito baixas. O médico pegou e falou que não ia fazer a punção lombar até restabelecer as plaquetas dela”.

Em seguida, a menina foi levada para “repor as plaquetas antes de colher a punsão lombar”. No entanto, eles não souberam identificar o que era. “Eles acharam, a princípio, que fosse meningite mesmo. Só que a punção lombar mostrava que ela estava com uma infecção no cérebro, mas eles não sabiam a causa, se era meningite mesmo, porque, até então, eles nunca tinham ouvido falar da meningoencefalite causada pela dengue”.

Elizangela conta que os líquidos da coluna eram colhidos diariamente. “Como ela convulsionava sem parar, eles falaram que iriam ter que sedar e entubar ela. Encaminharam ela para o CTI pediátrico e falaram que as lesões cerebrais estavam muito grandes e que ela não iria resistir, que se ela resistisse, ela iria ficar vegetativa. Eles induziram ao coma, ela ficou no CTI três meses e eles falaram que ela estava com morte encefálica, que ela não tinha atividade cerebral mais, que nem convulsionar mais, ela convulsionava, e que ela poderia falecer a qualquer momento, que iriam iniciar o protocolo de morte encefálica nela por não ter atividade cerebral”, lembrou a mãe.

‘Ela acordou do coma’

Segundo Elizangela, os médicos então iniciaram protocolo de morte encefálica, que duraria 48 horas, tempo em que os aparelhos seriam totalmente desligados. “Nós começamos uma corrente de oração e dentro de todas as horas tinha alguém rezando por ela, orando, pedindo pela vida dela. Quando estava com 23 horas de morte encefálica, ela convulsionou novamente. Aí eu saí correndo, eu estava de frente ao aparelho, chamei os médicos, eu vi que estava tendo atividade e eles falaram que era problema no aparelho. Eles trocaram três vezes o aparelho pra saber se realmente era atividade, porque eles nunca tinham visto aquilo, era um milagre. Ela ressuscitou”, recordou a mãe.

Com isso, os médicos interromperam o desligamento dos aparelhos e resolveram colocá-la na enfermaria para uma ‘última despedida’ de familiares e colegas de escola. Nessa época, o outro filho de Elizangela, de 2 anos, também foi internado com dengue, porém, ele se recuperou, e recebeu alta em dois dias. Ela precisou ficar intercalando entre os quartos dos filhos.

“Nessa enfermaria, ela contraiu várias infecções, os médicos não queriam investir nela, eles não queriam dar antibiótico venoso pra ela, porque eles falaram que era só prorrogar uma coisa que não tinha perspectiva de vida”, contou a mãe de Poly.

“Os médicos achavam que ela ia falecer. Sete meses de coma, ela abriu os olhos e acordou depois de uma oração. Segundo milagre que Deus fez nas nossas vidas”, completou.

‘Um leito de hospital em casa’

Com a chegada da pandemia e com Poly dividindo o quarto com pacientes diagnosticados com a doença, Elizangela iniciou uma nova luta. “Eu fiquei desesperada, fiquei com medo dela contrair covid depois de tantos ganhos, que ela já tinha acordado do coma, já conversava com a gente por sinais de sim e não com a cabeça. Aí eu comecei a buscar recursos para comprar o respirador dela. Inclusive, eu fui à Itatiaia, tive o apoio de vocês”, relatou.

Com o leito montado, Elizangela conseguiu levar a filha para casa. De acordo com ela, Poly não recebe nenhum benefício do governo. Com tantas coisas acontecendo, ela conta que precisou cuidar da saúde mental.

“Eu adoeci, eu comecei a fazer tratamento psiquiátrico porque faltava a dieta dela, faltava tudo pra ela e eu não conseguia nada pelo posto, eu tinha que ficar pedindo, mendigando, como até hoje eu faço [...] Ela precisa de fisio, ela precisa de fono, ela precisa de tudo e é tudo através de vaquinha, através de ações sociais, através de busca, porque pelo governo eu não tenho nada”, contou.

Como Poly está hoje

Após três anos, Elizangela explica que Poly está com nível de consciência preservado e estuda em casa escutando os áudios das aulas em que está matriculada. “Ela está matriculada em uma escola, ela escuta as aulas pelo áudio. A professora liga e deixa o celular ligado na sala, ela vai escutando, ela participa, responde tudo. É uma das melhores da sala dela. Ela só foi uma vez na escola, porque não tem transporte, não tem acomodações adequadas para ela na escola”, contou.

Poly faz uso de ventilação mecânica e traqueostomia. O objetivo é que a família consiga tirar ela do respirador para fazer um tratamento com células-tronco na Tailândia. A intenção é de que Poly volte a enxergar, sendo este seu maior sonho. “Ela sente que tá presa, numa prisão, porque ela não enxerga”.

“Nós temos esperança que isso vai acontecer e a gente ficou sabendo do tratamento com a célula-tronco na Tailândia que aqui no Brasil é proibido. A gente quer levar ela pra lá, pra fazer esse tratamento. Só que eles não aceitam pacientes com respiração mecânica. E pra levar ela pra lá na respiração mecânica seria mais de R$ 1 milhão só de voo. O médico da Tailândia se dispôs a vir aqui no Brasil fazer o tratamento nela. Só que pra isso a gente precisa de um advogado pra fazer uma liminar judicial permitindo que ele venha aqui no Brasil fazer o tratamento”, destacou.

Saiba como ajudar Poly a voltar a enxergar

A página ‘Razões para Acreditar’, que possui 4,8 milhões de seguidores, abriu uma vaquinha para arrecadar R$ 140 mil para o tratamento da jovem na Tailândia. Para participar, basta acessar a plataforma ‘Voaa’. As doações podem ser feitas por PIX em qualquer quantia ou por boleto e cartões de crédito e débito com valor mínimo de R$ 25.

“Hoje, eu acredito que foi Deus que ressuscitou ela, foi Deus que devolveu ela pra gente, eu fiz um pacto com Deus no momento que eles falaram que ela ia morrer. Eu falei com Deus que eu queria ela do jeito que ele me desse. E ele me deu desse jeito. Eu não reclamo. Mas eu busco o melhor pra ela sempre. Então eu abdico toda a minha vida pra ela. Eu parei de trabalhar, eu fico 24 horas por conta dela, eu vivo por conta dela”, concluiu Elizangela.

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