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Disparada do preço obriga famílias de BH a deixar de comer feijão: ‘Está tudo muito difícil’ 

Valor da saca atingiu o maior patamar desde 2013

Feijão virou artigo de luxo na mesa de brasileiros pobres

A disparada do preço do feijão tem levado brasileiros a diminuir o consumo do produto, essencial para a dieta da população por ser fonte de ferro, cálcio, fibras e proteínas vegetais. A reportagem da Itatiaia conversou com moradores de Belo Horizonte sobre a dificuldade para comprar o item básico, que tem o quilo vendido atualmente acima de R$ 10. Levantamento do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe) mostra que a saca de 60 quilos do feijão-carioca atingiu, neste mês, US$ 92 (R$ 444), maior valor desde 2013.

A assistente logística Renata Souza, de 48 anos, disse que diminuiu pela metade o consumo. “Compro agora dois (quilos), porque antes eu comprava quatro por mês. Isso porque lá em casa só eu, minhas duas meninas e meu esposo. Às vezes, a gente deixa até de comer por causa do preço alto”, diz a trabalhadora, que chega a pagar R$ 15, R$ 16 pelo quilo do produto.

Diminuir o consumo também foi alternativa encontrada pela aposentada Maria Luiza Medeiros, 63 anos. Ela estava fazendo compras e deixou o feijão fora do carrinho. "É caro. Então, a gente tem que diminuir também a porção da família”, disse.

A analista contábil Andreza Lopes, 44 anos, diz que a conta não fecha, mesmo sem cozinhar todos dos dias. “A gente tenta comprar, né? Está tudo muito difícil e caro. Como não faço comida todos os dias, um pacote de feijão dá para um tempo razoável. Mas as pessoas que têm o hábito de fazer de fazer comida todos os dias estão com um peso muito grande. O salário hoje está muito defasado”, reclama.

Caro e ruim

Além de caro, o feijão vendido atualmente não é o de melhor qualidade. O presidente da Comissão Técnica de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais do Sistema (FAEMG), Wilson Valentini, projeta que a nova safra resultará na queda de preço. O patamar, no entanto, deve ficar acima de R$ 6.

“Acreditamos que com a entrada da safra do feijão irrigado, fim de maio, começo de junho, até meio de junho, porque houve um atraso em função da chuva muito intensa no começo do plantio, a oferta do feijão vai aumentar e, com certeza, o feijão vai dar uma baixada. A gente espera que com a entrada do feijão irrigado a oferta é maior, a produtividade é maior do feijão irrigado, é a tendência do mercado é se estabilizar num patamar de preços parecido com o que era praticado antigamente, na faixa de R$ 6, R$ 7, R$ 8 o quilo, no máximo”, disse.

Enquanto a nova safra não chega, o brasileiro vai continuar pagando caro por grãos velhos. Conforme Valentini, o preço elevado do produto é reflexo de uma série de fatores: “Os insumos subiram de 100% a 200%, o maquinário subiu de 200 até 300% e a mão de obra com dificuldades todas. E possível que a gente comece a trabalhar num patamar um pouco mais elevado, mas não proibitivo”, diz o presidente, que garante a qualidade do feijão vendido atualmente.

“Feijão não é um produto de luxo. O feijão que tá sendo apresentado ao mercado é um feijão de boa qualidade, embora seja um pouco mais velho, é o feijão colhido na época das águas. Então, está colhido desde janeiro e, realmente, vai escurecendo um pouquinho com o tempo”, explicou.

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