Ouça a rádio

Compartilhe

Sogro do indigenista Bruno Pereira teme pela vida da filha: ‘Lá é a lei do mais forte’

Kleber Gesteira Matos concedeu entrevista exclusiva à Itatiaia nesta quinta-feira

Indigenista Kleber Gesteira Matos falou com a Itatiaia sobre o assassinato do genro

A região da Amazônia onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados é completamente desprovida de políticas públicas e de segurança, onde prevalece a lei do mais forte e de quem tem revólver para atirar. O cenário foi traçado pelo sogro de Bruno Pereira, o também indigenista Kleber Gesteira Matos, durante entrevista exclusiva ao Itatiaia Agora nesta quinta-feira (16). Kleber disse também temer pela da filha, a antropóloga Beatriz Matos, e de toda família.

"A região é completamente desprovida de políticas públicas e de segurança, porque o que vale lá é a lei do mais forte. Quem tem o revólver que atira mais tem mais poder; quem tem mais capangas arregimentados tem mais poder. E os poderes públicos não comparecem na medida do que é necessário. Então, é claro que o desenvolvimento do trabalho dela nessa área vai trazer preocupação para família inteira. Mas, infelizmente, nas outras áreas indígenas onde ela já trabalhou, também passou por insegurança”, disse.

Bruno Pereira é ex-coordenador de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (MEC) e foi responsável pela formação de professores, produção de materiais didáticos específicos e construção de escolas em terras indígenas. Ele diz que já esteve no município de Atalaia do Norte duas vezes e descreve a região como uma ‘bagunça institucionalizada’.

Imprensa internacional destaca assassinatos de Bruno e Dom na Amazônia

“Os procuradores dos municípios são, ao mesmo tempo, defensores de traficantes. Os promotores de festa são, ao mesmo tempo, colegas e amigos de pessoas que estão na contravenção. Então, existe um território vasto para explorar e esconder quem quer fazer coisa errada. A percepção que a gente tem é que a lei não vigora, ou melhor, a lei vigora de acordo com o poder que a pessoa tem”.

Mais envolvidos

A Polícia Federal (PF) ampliou as investigações sobre o assassinato do indigenista e do jornalista. Mais pessoas estariam envolvidas no crime, que tem repercussão internacional. O número de suspeitos vai mudando conforme novas provas são adicionadas à investigação.

Duas pessoas já foram presas pelo envolvimento no desaparecimento: Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como "Pelado" – que confessou o crime, e o irmão dele, Oseney da Costa de Oliveira.

O superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmou nessa quarta-feira (15) que as investigações seguem em sigilo e não é possível dizer a motivação do crime.

A família de Dom Phillips emitiu um comunicado nesta quinta-feira (16) dizendo que está de coração partido com a confirmação dos assassinatos e agradeceu a todos os que participaram das buscas, em especial os indígenas da região. Confira a entrevista na íntegra:

Leia Mais

Mais lidas

Ops, não conseguimos encontrar os artigos mais lidos dessa editoria

Baixar o App da Itatiaia na Google Play
Baixar o App da Itatiaia na App Store

Acesso rápido