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Guerra completa 100 dias e cresce o receio dos impactos no agronegócio

Levantamento da CNA estima que safras de milho e soja serão até 49% mais caras

Lavoura de milho, juntamente com a de soja, deverá custar até 49% mais

A guerra entre Rússia e Ucrânia completa 100 dias sem perspectiva de desfecho, o que aumenta a preocupação sobre o agronegócio mineiro e brasileiro. A coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Natália Fernandes, diz que o projeto Campo Futuro, responsável pelo levantamento dos custos de produção do agro, estima que as próximas safras de soja e milho serão até 49% mais caras, em função da alta dos insumos.

A imprevisibilidade no fornecimento desses produtos gera apreensão, segundo Fernandes. “Vimos também uma valorização significativa do petróleo, do gás natural, do trigo e do milho. Mas a principal preocupação é, de fato, o encarecimento dos fertilizantes, item que mais pesa nos custos de produção do produtor rural brasileiro. Antes do conflito, os gastos com fertilizantes representavam 23% no chamado custo operacional efetivo, agora, esse patamar já chega a 50%”.

No entanto, as importações mensais de fertilizantes, nesse primeiro semestre de 2022, foram superiores ao mesmo período do ano passado, o que sinaliza o receio  do risco de falta do produto. A maior preocupação reside na escassez do cloreto de potássio; 94% desse insumo, utilizado no Brasil, é importado da Rússia.

O engenheiro agrônomo Walter Ribeiro explica que tanto o fósforo, quanto  o cloreto de potássio são considerados macronutrientes e que a falta ou deficiência deles pode limitar, severamente, o crescimento das lavouras. “Dependendo do solo e do fator climático, pode ser que as plantas nem nasçam. Ou, se nascerem, não produzam”.

“Por isso, é muito importante que os produtores  tenham maior facilidade de acesso ao  crédito rural: para que consigam plantar suas safras, ajudando a garantir a oferta de alimentos no país.

Preços dos Insumos já vinham em tendência de alta

O especialista em commodities da Terra Investimentos,  Geraldo Isoldi, disse que, na semana passada, autoridades russas e turcas se reuniram na tentativa de encontrar uma solução para a liberação dos grãos e fertilizantes estocados nos portos da Ucrânia. Isso fez com que os preços caíssem. 

“A Bielorrússia - pequeno país do leste europeu -  também ofereceu-se para permitir o escoamento desses grãos por meio do seu território, mediante algumas contrapartidas. Mas, nenhuma decisão concreta foi divulgada”, disse Isoldi.

Essa demora na tomada de decisões, segundo o especialista, é ruim para o mercado mundial, uma vez que gera descrédito na busca por soluções e pode provocar uma nova escalada nos preços dos fertilizantes.

“O pior é que esses valores já vinham numa tendência de alta considerável desde 2020. Para se ter uma ideia, o cloreto de potássio, no início do ano passado, era comercializado a US$ 300, a tonelada.  E agora já está sendo vendido a US$ 1300. O fósforo, que na mesma época, era vendido a US$ 600, já está saindo por US$ 1200. Pode ser que não falte fertilizante, mas esse cenário, inevitavelmente, afetará a margem de lucro dos agricultores e os preços nas gôndolas dos supermercados.

Plano Nacional de Fertilizantes

Recentemente, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), durante solenidade no Palácio do Planalto. O Plano apresenta medidas para os próximos 28 anos e faz parte da estratégia para reduzir a dependência brasileira dos fertilizantes dos outros países. Atualmente, 85% do total desses insumos utilizados no Brasil são importados e a meta do Ministério da Agricultura é reduzir esse percentual para 45% até 2050.

O Brasil é o 4ª maior consumidor de fertilizantes, com cerca de 8% do consumo global, sendo o potássio o principal nutriente utilizado pelos produtores rurais brasileiros (38% do total). Na sequência, estão o fósforo (33% do consumo total de fertilizantes) e o nitrogênio, com 29%. Dentre as culturas que mais utilizam fertilizantes estão a soja, o milho e a cana-de-açúcar, somando mais de 73% da demanda nacional, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Os fertilizantes adquiridos pelo Brasil vêm principalmente da Rússia, China, Canadá, Marrocos e Belarus. Estados Unidos, Catar, Israel, Egito e Alemanha completam a lista dos 10 maiores exportadores de fertilizantes para o Brasil em 2021, de acordo com dados do Ministério da Economia.

Também foi criado o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas, órgão consultivo e deliberativo que coordena e acompanha a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes.




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