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Cafés com cascas e paus são recolhidos pelo Mapa; saiba o que observar na hora de comprar

Grãos foram substituídos por resíduos impróprios para o consumo a fim de aumentar o volume e enganar o consumidor; especialista dá dicas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou o recolhimento, em todo o território nacional, de oito lotes de café das marcas Fazenda Mineira, Jardim, Lenhador Extra Forte, Lenhador Tradicional, Balaio, Bico de Ouro e Bico de Ouro 100% Puro Robusta após a constatação de matérias estranhas e impurezas acima dos limites permitidos pela legislação vigente, a Portaria nº 570.

Os lotes afetados são: FAB08DEZ22 da Fazenda Mineira; 046/23/3D da Jardim; 59 da Lenhador Extra Forte; 59 da Lenhador Tradicional; 58 da Balaio; 02 e 05 da Bico de Ouro; e 04 da Bico de Ouro 100% Puro Robusta. Nesses produtos foram detectados que os grãos foram substituídos por matéria-prima contendo excesso de cascas e paus de café, a fim de aumentar o volume e enganar o consumidor.

“Esses resíduos do beneficiamento do grão de café foram torrados como se fossem grãos de café legítimos”, explica o coordenador de Fiscalização da Qualidade Vegetal, Tiago Dokonal.

As fiscalizações de café torrado e moído no mercado interno pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal começaram este ano com a entrada em vigor da Portaria nº 570, que define o regulamento técnico do café torrado no Brasil, o que culminou na descoberta dessa prática fraudulenta. A ação está respaldada pelo artigo 29-A do Decreto 6.268/2007, que prevê a aplicação do recolhimento em casos de risco à saúde pública, adulteração, fraude ou falsificação de produtos.

Dicas do especialista

O coordenador de culturas da Emater-MG, Sérgio Brás, diz que cada vez mais as pessoas têm valorizado os cafés especiais. A disseminação das informações, de tecnologia e de assistência técnica também tem elevado a qualidade da produção. Segundo ele, basicamente, o que diferencia o café especial do comum, é o capricho no processo de produção. A grosso modo, pode-se dizer que o café comum é feito sem muito cuidado na colheita e no pós-colheita porque trabalha-se com volume e tudo precisa ser feito de forma muito rápida, Já o café especial tem frutos cuidadosamente selecionados, maduros e exige uma criteriosa secagem.

“O café comum de má qualidade passa por uma torra severa para esconder os defeitos. Ele pode conter grãos verdes, brocados, pedras, paus, cascas de café e até pequenos insetos triturados. O resultado é que acaba se tornando um alimento pirogênico com elementos tóxicos como o carvão, o que não é bom para a saúde”, disse Sérgio.

Portanto, a dica mais importante é:

“Fuja dos cafés de pó muito escuros e baratos”.

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Força-Tarefa

No mês de julho de 2023, uma força-tarefa composta por 16 auditores fiscais federais agropecuários e agentes do Mapa foi mobilizada nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal para combater a fraude em cafés. Durante a operação, uma fábrica de café torrado e moído em Minas Gerais foi interditada, e foram apreendidos 20.312 kg de café torrado e moído, além de 16.090 kg de matéria-prima irregular, composta por café com cascas e paus. Nessa ação mais de 26 marcas foram identificadas com indícios de irregularidades. Parte dessas marcas ainda estão em fase de contestação das análises.

Por meio de sua assessoria, o Mapa informou que continuará atuando de forma vigilante em todo o Brasil para coibir irregularidades observadas nos cafés com o objetivo de garantir a integridade e a confiança dos consumidores.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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