Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

Presidente da Siamig diz que Minas terá a maior safra de cana da sua história

Estimativa é de que sejam produzidas 72,5 milhões de toneladas, com possibilidade de superar Goiás e alcançar o primeiro lugar no ranking nacional

Às vésperas da 15ª edição da Megacana Tech Show, o presidente da Associação Sucroenergética de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, falou à Itatiaia sobre os principais desafios do setor e revelou que a safra atual superou as expectativas e que, provavelmente, estamos caminhando para uma quebra de recorde produtivo no país. Segundo, Minas, com certeza terá a maior safra da sua história.

A Megacana 2023 acontece nos dias 9 e 10 de agosto em Campo Florido, na sede da Canacampo que, junto com a Siamig, organiza a feira. Estão previstos diversos painéis, palestras e importantes nomes do agro e da cena política como o ex-ministro Aldo Rebelo, o publicitário Walter Longo e o técnico da seleção brasileira de vôlei feminino, José Roberto Guimarães.

Confira a entrevista com Campos:

Que momento vive a produção de cana no país?

O setor sucroenergético vive um momento muito interessante. Estamos numa safra muito produtiva, com um verão úmido e chuvoso, em que o desenvolvimento da cana foi excepcional. Então, temos visto uma moagem caminhando para um recorde de produção em alguns estados. Nossa expectativa é de que haja um recorde produtivo na região centro-sul, que é a maior região produtora do país.

Temos um cenário semelhante em Minas?

Aqui, com certeza faremos a maior safra de toda a nossa história. Nossa estimativa inicial é de que sejam produzidas 72,5 milhões de toneladas de cana. Pode ser até mais do que isso, tem mais plantas no campo, mas não sabemos se teremos tempo de processar todo esse volume. Muito provavelmente, passaremos a ser o maior produtor de cana do Brasil, passando o Estado de Goiás

Na prática, o que isso significa?

sso irá se reverter num aumento de produtos para o setor, tanto no açúcar, quanto no etanol e na produção de energia elétrica.

No Brasil, o subproduto da cana que mais se discute é o etanol, que é um biocombustível limpo e renovável e que diferencia o Brasil na jornada da descarbonização.

Podemos nos aprofundar um pouco mais sobre esse tema?

O Brasil iniciou a produção de etanol na década de 70, um biocombustível que, hoje, representa boa parte do que a gente consome em termos de combustível no país. E essa parcela torna a matriz de transporte brasileira uma das mais sustentáveis do mundo. Lembrando que a produção de etanol no Brasil não vem só da cana, mas também a partir do milho que é uma cultura que tem a possibilidade da segunda safra em nosso país. Ou seja, quem planta milho, normalmente, planta também soja na mesma área. Colhe-se uma e já entra com a outra. Isso é uma riqueza, um privilégio.

A cana de açúcar representa apenas 1% do território brasileiro. Mesmo assim, a partir disso, eu consigo produzir 20% de toda a energia que o Brasil produz, através do etanol e da energia elétrica que nós produzimos e esse é um resultado fantástico.

Como será a Megacana esse ano?

A gente está muito feliz de estarmos realizando essa 15ª edição da Megacana, numa parceria entre a indústria canavieira e os produtores rurais que plantam cana. Serão dois dias de debate com pessoas importantes do mundo agro. Vamos falar sobre tecnologia, riscos do setor, oportunidades e cases de sucesso, além de conteúdo motivacional com pessoas que vão mexer com o público e poderão fazer diferença em suas vidas.

Quais são as perspectivas de futuro para o setor?

Está para ser inaugurada a primeira planta de biogás metano no Triângulo Mineiro, que é um produto que consolida o conceito da energia circular. Esse moderno conceito diz que a agroindústria canavieira deve aproveitar tudo o que a cana de açúcar tem para oferecer. Por meio do Renova Bio, as usinas são certificadas e têm uma determinada nota de acordo com a ‘pegada de carbono’ delas. E aí quando eu comparo com o que emite um produto concorrente, como, por exemplo, a gasolina, a diferença, eu transformo em crédito de carbono. Esse mercado já estão em seu 4º ano de funcionamento.

Desde então, todo o setor que já era sustentável, passa a se posicionar de forma ainda mais estratégica para reduzir a pegada de carbono. Acredito que o biometano poderá, no futuro, substituir o óleo diesel nas nossas máquinas. Temos várias ideias para descarbonizar o processo produtivo e isso também será debatido na Megacana.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



Leia mais