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Retomada dos eventos presenciais aquece o mercado de plantas e flores

Depois de quase pararem a produção por causa da pandemia, setor comemora: está sobrando comprador

O mercado da produção de flores e plantas em Minas Gerais, finalmente, atravessa um bom momento depois de um período crítico durante a pandemia. O presidente da Associação dos Produtores de Flores e Plantas de Minas Gerais, Flávio Vieira, conta que a partir de agosto, o mercado parece ter “acordado” e tem dado sinais de recuperação pós-pandemia. Segundo ele, o segmento de festas, eventos e casamentos representa cerca de 70% das movimentações do setor no estado e, até então, estava apenas “pagando” a realização de eventos quitados no período anterior à Covid-19. O restante é complementado pelas vendas a varejo das floriculturas.

“Passamos a fase mais difícil de toda a nossa história. O movimento caiu 80%. Muitos produtores simplesmente abandonaram a atividade migrando para outros segmentos do agronegócio”, disse Flávio, que trabalha no mercado de flores e plantas há 35 anos. Com a retomada dos eventos como as exposições agropecuárias, as feiras institucionais e as festas particulares, o mercado se aqueceu, mas ainda encontra-se em desequilíbrio: bom para os produtores e ruim para os consumidores porque como tem pouca oferta de produtos, o preço final está alto. “Além disso, as baixas temperaturas comprometeram parte da produção. Antes e durante a pandemia, havia muitas flores, mas não havia compradores. Agora, temos compradores, mas não temos as flores pra entregar”, lamenta.


Mercado padece com falta de incentivo e políticas públicas


Flávio diz que, de um modo geral, o mercado ‘pena’ por falta de incentivo, de reconhecimento, de infraestrutura de distribuição e de políticas públicas. “Como a flor é considerada um produto supérfluo, não somos prioridade para o governo. Quem está de fora, não imagina o trabalho que dá pra produzir e quantas pessoas são empregadas e tiram seus sustentos do setor”, disse.

O resultado é que não há estatísticas nem de produção, nem de produtores. “Dizem que somos o segundo maior produtor de flores do país. Mas como podemos saber se nem nós mesmos sabemos quanto produzimos ou quanto entregamos?”, indaga. Outro problema é a pouca diversidade de produção. Sem orientação ou incentivo para a abertura de novos mercados, os produtores acabam apostando sempre nas mesmas espécies. Elas “encalham”, se desvalorizam e os produtores sentem-se desmotivados e com baixa autoestima.

A Associação dirigida por Flávio tem 23 associados. Ele acredita que existam em todo o estado cerca de 100 produtores. Os municípios que mais produzem são: Igarapé, Mateus Leme, Juatuba e Serra Azul, na região metropolitana; Barbacena, no Campo das Vertentes e Andradas, no sul de Minas. Atualmente, o único Centro de Distribuição de flores e plantas do Estado foi fundado por ele, há 23 anos, no bairro Santa Cruz, em BH.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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