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Farinha de sorgo reduz a gordura no fígado de ratos

Cientistas registraram também outros benefícios como o auxílio no controle da adiposidade

Sorgo é o termo que designa um gênero de grãos nativos de regiões tropicais e subtropicais. São mais de 30 espécies diferentes'


Você já comeu sorgo? Se a resposta for não, sugiro considerar a possibilidade de experimentar esse grão ainda pouco utilizado na culinária brasileira. É que, além de todos os benefícios já conhecidos do cereal, uma pesquisa da Embrapa e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) demonstrou que a farinha integral feita com o sorgo BRS 305, reduziu o acúmulo de gordura no fígado de ratos, uma condição médica conhecida como esteatose hepática. 

Os cientistas registraram também outros efeitos inéditos, como o auxílio no controle da gordura no organismo (adiposidade) e a redução de triglicérides e de ácido úrico. O sorgo também promoveu melhora na sensibilidade à insulina e na tolerância à glicose. Os animais analisados receberam dieta rica em gordura e em frutose, conhecida pela sigla HFHF.

 

Menos inflamação e estresse oxidativo

 

O resultado desta pesquisa integra a tese de doutorado de Oscar David Medina Martinez e foi publicada no periódico internacional Journal of Cereal Science. “Observamos que as alterações metabólicas ocasionadas pela dieta rica em gordura saturada e frutose foram revertidas pelo tratamento com a farinha do sorgo BRS 305”, relata a professora Hercia Stampini Duarte Martino, do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV.  

Além desses benefícios, registrou-se nos animais tratados, menor inflamação e estresse oxidativo no fígado e no plasma sanguíneo. A pesquisadora Valéria Queiroz, da Embrapa Milho e Sorgo, ressalta que esses resultados estão associados à alta concentração de taninos e amido resistente, ao perfil de compostos fenólicos e à elevada capacidade antioxidante presentes nesse híbrido do sorgo.

 

 Específico para alimentação humana

Lavoura de Sorgo

 

O sorgo BRS 305 é um híbrido de sorgo granífero, desenvolvido pela Embrapa na década de 1990, para  alimentação de bovinos. A pesquisadora Valéria Queiroz explica que, em 2010, a Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com outras universidades, iniciou uma linha de pesquisa com o objetivo de difundir o uso do sorgo na alimentação humana no Brasil. 

“Centenas de genótipos de sorgo, incluindo linhagens, variedades e híbridos foram avaliadas quanto à composição em substâncias bioativas. Entre esses, o híbrido BRS 305 se destacou com altos teores de compostos fenólicos totais, taninos, amido resistente e elevada capacidade antioxidante.

Entre os resultados obtidos, um estudo em parceria com o Departamento de Nutrição e Saúde da UFV mostrou que o genótipo BRS 305 continha concentração oito vezes maior de fenólicos totais e 21 vezes maior de taninos em relação ao sorgo BRS 309, e níveis sete vezes maiores de fenólicos totais e cinco vezes maiores de taninos em relação ao sorgo BRS 310. 

Além disso, de acordo com Cícero Bezerra de Menezes, melhorista de sorgo da Embrapa, esse híbrido também apresentou características agronômicas interessantes, pois, entre 12 materiais avaliados sob deficiência hídrica, o sorgo BRS 305 foi um dos dois mais produtivos. 

 

Cereal tem mais de trinta espécies

 

Sorgo é o termo que designa um gênero de grãos nativos de regiões tropicais e subtropicais. São mais de 30 espécies diferentes, sendo que apenas algumas são próprias para o consumo humano. As outras têm aplicações na fabricação de biocombustíveis e ração de animais. 

Vai bem em saladas

Grão de sorgo compõe bem as saladas e pode ser feito como feijão

Amplamente consumido em todo o mundo, seu uso é mais comum no preparo de melaço, xarope de sorgo e como grão, compondo muito bem as saladas. Pode também ser cozido na panela de pressão, da mesma forma que se prepara o feijão. Por não conter glúten, é uma boa alternativa para quem é celíaco ou possui intolerância. 

O sorgo é rico em vitaminas, antioxidantes, proteínas, gorduras boas e possui uma quantidade significativa de fibras. Apenas uma porção corresponde a 48% da dose recomendada por dia.  Isso significa que o aparelho digestivo trabalha melhor, ajudando a evitar problemas como prisão de ventre e outros. Além disso, essas fibras são importantes para a redução do nível de colesterol ruim (LDL), protegendo a saúde do coração.

 

(*) Com informações da Embrapa Milho e Sorgo


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