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Produtores de queijo e leite relatam dificuldades com disparada de preços

Com a alta dos custos, eles tiveram que reduzir suas margens de lucro

Queijos da Canastra ficaram cerca de 60% mais caros, mas custos totais não foram repassados ao consumidor

O preço do leite, do queijo e de outros derivados anda desagradando os consumidores. Mas lá na ponta da cadeia, a situação também não está fácil. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do Serro, Adilson Cirino de Carvalho, disse que na sua região, muitos queijeiros e produtores de leite estão abandonando a atividade por não conseguirem fechar as contas. “Estamos reféns do alto custo dos insumos. As vacas só dão leite pela boca. Ou seja, precisam de uma alimentação reforçada para terem boa produtividade. E isso custa caro”, explicou.

Pecuarista de leite e produtor do Queijo Minas Artesanal Bonsucesso, ele conta que, desde o início do ano, tem sido obrigado a aumentar, todo mês, pelo menos R$ 1 no valor do queijo que repassa ao comércio local. “Caso contrário, não sobrevivo na atividade”. E isso é que ele tem visto a acontecer com conhecidos que estão desistindo da pecuária leiteira. “Muitos estão migrando para o ramo da cria, recria e engorda que, segundo ele, exige menos mão de obra, dá menos trabalho e tem custo mais baixo. “A situação é preocupante. Se essa situação se prolongar, receio que comece a faltar produtos à base de leite no mercado”, falou.

O presidente da Associação dos Produtores de Queijo Minas Artesanal de Região do Serro (APAQS), José Ricardo Ozólio, explica que o impacto maior tem sido sobre o queijo fresco que tem rotatividades e procuras maiores. Ele acredita que, de janeiro desse ano para cá, esse produto tenha tido um aumento de cerca de R$ 4, a unidade, comercializada tanto para a cooperativa local como para o mercado informal, via ‘atravessadores’.

Além do impacto do alto custo dos insumos, Ozólio aponta o regime de chuvas desse ano (muito concentradas em janeiro e escassas nos meses seguintes), comprometendo a produção de silagem, como também ‘responsável’ pelo aumento dos preços.

“Com menos comida para as vacas, tivemos menos leite e isso interferiu no preço final ao consumidor”. Outro motivo, segundo ele, é ainda reflexo da pandemia. Como houve drástica retração nas vendas nos períodos de lockdown e comércio fechado, muitos produtores se viram obrigados a se desfazerem de parte de seus rebanhos. “E isso não se recupera da noite para o dia. Para colocar um animal em produção, leva pelo menos três anos”, explica.

 

Situação diferente na Canastra

 

Se no Serro, o queijo maturado praticamente não sofreu alteração de preço, na região da Serra da Canastra não foi o que aconteceu.  O gerente executivo da Associação Produtores Queijo Canastra (Aprocan), Higor Freitas, explica que os queijeiros tiveram um aumento de custos em torno de 60% e não repassaram nem próximo da metade para o consumidor. “Ou seja, eles reduziram suas margens de lucro para que o produto continue a chegar nas prateleiras dos supermercados, mercados e empórios com a mesma qualidade e a um preço acessível”.

Freitas lembra ainda que o ‘fazer’ do queijo artesanal, implica naturalmente em custos maiores em função do tempo de maturação, levando, no mínimo 14 dias para ficar pronto. Ele também cita a dificuldade de se conseguir mão-de-obra especializada “gente disposta a morar na fazenda” ou a ter que fazer grandes deslocamentos todos os dias, sete dias por semana. Outro impacto nos custos é o preços dos combustíveis necessário para o transporte do queijo até as capitais.

 

Se for pra falar de custos, a lista é interminável. O produtor de queijos e diretor-técnico da Aprocan, Vinícius Soares, lembra que o índice de custos de produção, calculado pela Embrapa Gado de Leite já apresentava uma elevação de 10,7% em 2020 e atingiu 30% em 2021. Os outros fatores que pesaram foram a alta da energia elétrica, que sofreu uma elevação de 27% em 12 meses. “A valorização das commodities está na raiz de todos esses aumentos. O preço da soja e do milho, presentes na formulação da ração concentrada, encontra-se numa curva ascendente há cinco anos, disparando ainda mais nos anos de pandemia”.

 

 

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