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Especialistas alertam que pequeno produtor, isolado, tende a desaparecer  

Produtores e pesquisadores concordam que o associativismo é a saída para quem quiser permanecer na atividade. Mas há quem pense diferente

Glauco Carvalho, especialista da Embrapa Gado de Leite

O pequeno produtor de leite que se mantiver sozinho, desvinculado de cooperativas ou associações, ainda que informais, tende a desaparecer. Ou passará a produzir apenas para a própria subsistência. Essa foi uma das conclusões da Reunião da Comissão Técnica da Pecuária de Leite CTPL/Sistema FAEMG, a respeito da “pecuária do futuro”. O economista, pesquisador e doutor em Economia Agrícola da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, disse que as fazendas estão cada vez maiores e tecnificadas e existe uma pressão econômica para que seja assim. "O problema é que essa exigência tecnológica começa a colocar barreiras. A profissão passa a exigir uma sofisticação e uma certa tecnificação da propriedade, além de assistência técnica e gerencial, para que o leite seja um negócio viável.

Para o gerente de captação e fomento da Alvoar Lácteos, Yago Silveira, o associativismo é sempre benéfico, mas não deve ser visto como ‘tábua de salvação’. “Assistência técnica, genética e tecnologia são os pilares que salvarão os produtores. A associação contribui para dar acesso a esses pré-requisitos. Torna mais acessível produtos que individualmente o produtor teria dificuldade em conseguir, mas ela está longe de resolver por si só”.

Silveira alertou que há casos de sucesso e de insucesso tanto no cooperativismo, quanto no associativismo. O produtor deve procurar opções para entregar um bom produto e receber um pagamento justo por ele, independente se o sistema é cooperativo, associativo ou privado. De fato, esses modelos ajudam bastante na hora das compras coletivas, só acho que não deve ser visto como 'a única saída’.

O produtor rural e ex-presidente da Comissão Nacional do Leite da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, concorda com Silveira. "Eu dizia sempre nas minhas palestras: 'Catitu fora da manada, é comida de onça', incentivando o associativismo e afirmando que era o caminho".

Segundo ele, a cooperativa não é importante para os pequenos e médios produtores apenas por comprarem suas produções, mas também por serem uma central de compras de insumos, atenderem a necessidade de assistência técnica e capacitação por meio de cursos, palestras e dias de campo. "Mas o que pode, de fato, excluir os pequenos produtores é a má qualidade do leite. Havendo qualidade e organização, eles sobreviverão por muito tempo, até porque sobrevivem com valores mais baixos do produto, uma vez que os custos de produção são menores: a mão de obra é familiar e o custo da mão de obra na atividade leiteira representa em torno de 20% do custo total da produção".

Momento Difícil

Glauco Carvalho explica que o setor passa por um momento adverso com a alta dos principais insumos impactando diretamente no aumento do custo de produção num curto espaço de tempo. De janeiro de 2020 a maio de 2022, o custo da produção do leite subiu 65% e o preço ao consumidor, 40%. “Essa estatística nos diz que, tanto produtores quanto laticínios, têm contribuído com a sociedade porque se eles fossem repassar todas as despesas, o preço do leite nas gôndolas dos supermercados estaria ainda mais alto, disse Carvalho”.

Por outro lado, o pesquisadormá pondera que os pecuaristas menores já vêm de uma situação difícil há mais tempo por não terem poder de barganha com os laticínios. Segundo ele, estamos vivendo “a era da economia de escala, onde quem dita as regras é quem produz em grande quantidade e qualidade”.

De acordo com o especialista,, quem quiser sobreviver na profissão, hoje, terá que ser “muito bom em gestão ou contratar alguém que seja muito bom nessa área”. Outra coisa importante é pensar seriamente na possibilidade de parcerias. O pesquisador ensina que é fundamental ter parceiros para vender produtos, para comprar insumos e compartilhar tecnologia. “Um conselho que dou é: olhem em seus entornos para que consigam seguir avançando na atividade e produzindo bem. Com uma eficiência de gestão e um maior volume de produção, consegue-se um desempenho melhor na compra de insumos, na venda do leite e na capacidade de negociação”, orienta o especialista.

 

 Associativismo é o caminho

 

O presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da FAEMG (Federação da Agricultura do Estado de MG), Jonadan Ma confirma a tendência mundial da necessidade de se ter escala na produção leiteira. “Aqueles que não tiverem condições de aumentar suas produções, devem se associar a outros produtores. O associativismo é o caminho para o futuro do produtor de leite. É a salvação, é a base para o pequeno produtor de leite em Minas e no Brasil”, disse Jonadan.

Segundo ele, 70% dos produtores de leite do Brasil produzem abaixo de 800 litros de leite, o que comprova a importância deles e o quanto associativismo é fundamental para viabilizar a cadeia do leite e permitir que o pequeno produtor se mantenha na atividade, com sucesso, sustentabilidade e dignidade.

O associativismo é o caminho  para o futuro do produtor de leite. É a salvação, é a base para o pequeno produtor de leite em Minas e no Brasil”, Jonadan Ma.

O presidente lembrou que as pesquisas nos informam que o leite, hoje, representa 12% do orçamento das famílias e isso tem um peso no bolso do consumidor.  “Por isso, precisamos trabalhar para que o esse precioso alimento seja produzido com o maior nível de eficiência possível e com o maior número de produtores na atividade. “Se alguns produtores forem eficientes e outros não. O ‘grupo dos não’ vai sair, a produção vai diminuir e isso vai se refletir negativamente no preço para o consumidor. Não queremos que ninguém abandone a atividade”.

 

 

Informativo do Leite

 

O Sistema Faemg, lançou durante o evento, um Informativo do Leite. A publicação será quinzenal, com as principais informações do mercado do leite, custos de insumos e de produção para que o produtor possa planejar melhor o seu negócio. O livreto será distribuído gratuitamente.

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