Minas são muitas: alianças regionais como motores da inovação

O Órbi de Portas Abertas, realizado no Órbi ICT, trouxe uma reflexão profunda sobre a pluralidade do território mineiro e como essa diversidade é, na verdade, o maior ativo estratégico para o desenvolvimento tecnológico do estado. Sob o tema "Minas são muitas: o valor das alianças e o olhar regional para potencializar a inovação", um painel reuniu vozes que representam lideranças e programas regionais que fomentam a inovação, empreendedorismo e desenvolvimento tecnológico no estado. . O consenso entre os debatedores foi claro: a inovação em Minas Gerais só a avança a partir da participação ativa, construída de forma colaborativa e descentralizada, voltada às necessidades de cada território”.
O debate foi conduzido por Francis Aquino, COO e CMO do Órbi ICT, que abriu a conversa destacando a potência dos municípios mineiros e a necessidade de diálogo para estruturar projetos locais, potentes e de longo prazo. "Minas são muitas, um total de 853 municípios. Um estado potente e reconhecido pela sua cultura, criatividade. Trazer as lideranças, com lugar de fala, e projetos transformadores em seus territórios, somada à atuação do Estado, inspira à nossa comunidade caminhos possíveis para a ação e participação ativas que potencializam as vocações do território” ", afirmou a mediadora ao introduzir os convidados.

O vigor do interior: do Vale da Eletrônica para o mundo
Um dos grandes destaques foi a participação de João Miguel, curador de startups do festival HackTown, em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas). Ele detalhou como uma cidade de apenas 45 mil habitantes se tornou o "Vale da Eletrônica" e hoje lidera pesquisas de ponta em telecomunicações, como o desenvolvimento do sinal 5G e as futuras redes 6G.
João Miguel ressaltou que a inovação no interior não é apenas sobre tecnologia, mas sobre comunidade e resiliência. "O HackTown prova que uma cidade pequena pode ser o epicentro de discussões globais. Em cinco dias, injetamos R$ 35 milhões na economia local. Mas a nossa única meta real é ser uma cidade feliz, unindo desenvolvimento econômico com ética, arte e cidadania", explicou o engenheiro.

Inovação social e o 'corre' das favelas
A discussão ganhou uma camada fundamental de impacto social com a fala de Marciele Delduque, presidente da Central Única das Favelas (Cufa-MG, Expo Favela MG). Ela compartilhou a trajetória da cidade de Mariana, que após o desastre de 2015, precisou se reinventar por meio do empreendedorismo feminino. Esse movimento, que começou com 14 mulheres, hoje impacta milhares e gerou as bases para projetos de escala nacional como a Expo Favela.
"Inovação na favela é potência, não é carência. O empreendedorismo ali tem outro nome, que é o 'corre'. É a necessidade de se reinventar na raça", afirmou Marciele. Ela enfatizou que a verdadeira transformação ocorre quando as comunidades acessam ambientes de inovação como o Órbi, criando pontes entre os talentos da quebrada e os grandes CNPJs.

Regionalismo estratégico no Vetor Norte
Representando a força da Região Metropolitana, Renata Carvalho, sócia-diretora do Vetor Norte Summit, destacou o papel de Lagoa Santa e região como polos de alta tecnologia. Ela citou a presença do primeiro laboratório de ímãs de terras raras da América Latina e indústrias de nanotecnologia que desenvolvem máquinas para detecção precoce de câncer.
"O regionalismo não é fechar portas, é entender as dores locais. O Vetor Norte Summit nasceu para que as nossas crianças possam se desenvolver e encontrar oportunidades na região onde nasceram", defendeu Renata, celebrando o impacto de mais de 2,5 mil pessoas em sua primeira edição em 2025, que contou com recursos da Fapemig Anunciou ainda, os preparativos para e edição 2026.

De projeto de Governo a projeto de Estado
O Secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Bruno Araújo, trouxe números da atual gestão: R$ 530 bilhões em investimentos atraídos e a abertura de 114 mil novas empresas. No entanto, seu discurso foi marcado por um forte apelo à participação política dos empreendedores.
Araújo alertou que, para a inovação ser perene em Minas, ela não pode depender apenas de quem ocupa as cadeiras do governo no momento. "A comunidade empreendedora precisa participar mais ativamente das decisões públicas para defender o setor. Só assim transformaremos projetos de governo em projetos de Estado, garantindo que os editais e incentivos continuem existindo independentemente da transição política", reforçou o secretário.

O próximo capítulo: Lagoinha como polo digital
O encerramento do evento foi marcado por anúncios que definem os próximos passos do ecossistema mineiro. O CEO do Órbi, Christiano Xavier, detalhou o plano audacioso de transformar a região da Lagoinha em um polo digital, inspirado no Porto Digital de Recife. "Queremos contribuir com o desenvolvimento socioeconômico de Belo Horizonte por meio de um protagonismo coletivo, resolvendo dores básicas da sociedade através da tecnologia", afirmou Xavier.
Como marco final dessa nova fase, Christiano Xavier anunciou oficialmente a entrada de Francis Aquino, Janayna Bhering e Sabrina Oliveira na sociedade do Órbi. O anúncio simboliza o fortalecimento de uma liderança feminina e técnica à frente da instituição, consolidando o compromisso do Órbi com a educação, o fomento e a gestão estratégica da inovação em Minas Gerais.

O Órbi ICT é um hub de soluções tecnológicas, educação e impacto social fundado em Belo Horizonte por Inter, MRV&Co e Localiza&Co e mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.
