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PBH reorganiza respostas a pedidos de vereadores em decreto batizado de ‘Anti-Fernanda Altoé'

Após erro enviado a vereadora, agora só a Secretaria de Governo vai responder questionamentos

A partir de agora, caberá à Secretaria de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte a responsabilidade de responder ofícios, pedidos de informação e esclarecimentos enviados por vereadores. Antes, os questionamentos feitos pelos parlamentares eram deliberados diretamente junto às autarquias e pastas indagadas nos pedidos, mas, nesta quarta-feira (11), o Executivo publicou portaria reorganizando esse sistema interno. Curiosamente, o ato foi batizado por interlocutores da Câmara Municipal como “Decreto Anti-Fernanda Altoé".

E a piada tem explicação: no ano passado, a vereadora Fernanda Altoé (Novo) pediu informações à Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) sobre valores e a quantidade de contratos firmados entre a PBH e empresas de construção do ex-prefeito Alexandre Kalil. A resposta deu o que falar: os ofícios enviados diretamente ao gabinete da parlamentar continham informações erradas que indicavam que Kalil teria recebido milhões em contratos quando ainda era prefeito.

Na verdade, a resposta da Sudecap errou os anos do contrato - Kalil de fato possuía contratos com o município, mas de anos anteriores à posse como prefeito. O caso repercutiu na imprensa e repercute até hoje, mas com investigações na Polícia Federal para identificar se houve sabotagem no ato.

Esse episódio gerou a mudança publicada hoje pela Prefeitura. Aliás, a Procuradoria-Geral do Município também recebeu a incumbência de responder pedidos de informações e outros procedimentos, mas só dos que forem oriundos dos órgãos de controle e dos órgãos externos ao Poder Executivo Municipal.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
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