Em 2036, talvez você não precise mais de dinheiro
A frase sobre a pouca importância do dinheiro foi dita elo multimilionário Elon Musk

Elon Musk fez recentemente uma das previsões mais provocativas sobre o impacto da inteligência artificial na economia: em 2036, o dinheiro poderá deixar de ser tão importante. A frase parece exagerada, mas a lógica por trás dela merece atenção.
O dinheiro existe, em grande parte, porque existe escassez. Existem poucos médicos, poucos professores excelentes, poucas horas de trabalho, pouca capacidade de produção. Como não existe tudo para todos, criamos preços para organizar o acesso.
A inteligência artificial começa a romper essa lógica porque transforma inteligência em um recurso abundante. Um professor humano consegue ensinar um número limitado de alunos. Uma IA pode ensinar milhões. Um médico atende algumas dezenas de pessoas por dia. Uma IA pode analisar milhões de informações simultaneamente.
Isso já começa a aparecer no mercado. Há poucos anos, produzir uma campanha, desenvolver um software ou realizar uma análise complexa exigia equipes inteiras. Hoje, uma única pessoa apoiada por IA consegue produzir muito mais. A internet reduziu o custo de distribuir informação. A IA está reduzindo o custo de produzir inteligência.
Mas essa é apenas a primeira etapa. A segunda é a robótica. Hoje, a IA consegue pensar, escrever, planejar e analisar, mas ainda dependemos de pessoas para construir casas, movimentar produtos, plantar alimentos e operar boa parte da economia física.
Quando inteligência artificial e robótica se encontram, surge uma possibilidade econômica completamente nova: máquinas capazes de pensar e executar, trabalhando continuamente e compartilhando instantaneamente aquilo que aprendem. Um ser humano aprende individualmente. Uma máquina pode aprender coletivamente.
Se isso acontecer em larga escala, o custo de produzir muitas coisas poderá cair dramaticamente. Transporte automatizado, fábricas autônomas, agricultura robotizada, construção mais eficiente, educação personalizada, diagnósticos médicos por IA e software produzido em minutos podem transformar serviços hoje caros em produtos cada vez mais acessíveis.
Isso não significa que tudo ficará gratuito. Terra continuará limitada, um apartamento de frente para o mar continuará escasso, experiências exclusivas continuarão restritas e recursos naturais continuarão impondo limites. Por isso, imaginar que o dinheiro simplesmente desaparecerá em 2036 provavelmente é literal demais.
Mas Musk pode estar certo sobre a direção. O dinheiro pode continuar existindo e, ainda assim, perder importância para muitas necessidades humanas. Quanto mais inteligência e trabalho se tornarem abundantes, menor tende a ser o custo de tudo aquilo que depende deles.
E então a discussão sobre IA muda. A pergunta deixa de ser apenas “a inteligência artificial vai tirar meu emprego?” e passa a ser: “o que acontece com uma sociedade organizada em torno do trabalho quando produzir riqueza depende cada vez menos do trabalho humano?”
Durante milhares de anos, trabalhamos para produzir, produzimos para receber, recebemos para consumir e consumimos para sobreviver. Se máquinas passarem a produzir grande parte do que precisamos, trabalhar poderá gradualmente deixar de ser uma obrigação econômica e se tornar mais relacionado a propósito, realização, criação e escolha.
Talvez essa seja a verdadeira provocação da previsão de Musk. Não que o dinheiro vá desaparecer em 2036, mas que a IA possa começar a atacar a própria escassez que tornou o dinheiro tão importante. E, se inteligência, trabalho e produção se tornarem abundantes, talvez precisemos descobrir o que continuará tendo valor: tempo, atenção, confiança, reputação, relações humanas e propósito.
Henrique Borges, empreendedor, investidor e fundador da Somos Young, empresa brasileira líder no setor educacional e uma das referências no país na aplicação de inteligência artificial para jornadas de relacionamento, CRM, captação, atendimento e geração de receita. Com formação em Publicidade e Propaganda e pós-graduação em Inovação, Henrique atua no mercado digital desde 1999, liderando projetos de marketing, transformação digital, marketing direto e growth para grandes marcas e instituições, como Petrobras, Iveco, Mondaine, Minas Arena, Governo do Estado de Minas Gerais, GoPro, Airbnb e Canais Globosat, entre outros grandes players. À frente da Somos Young, construiu uma trajetória voltada à transformação de negócios por meio de tecnologia, dados, inteligência artificial e estratégia. A empresa atua em projetos para alguns dos principais grupos de educação do país, como Unifenas, Fumec, Uniube, PUCPR e Rede Claretiano. No futebol, Henrique lidera algumas das principais iniciativas de relacionamento com torcedores baseado em IA no Brasil, com projetos desenvolvidos para clubes como Cruzeiro, Corinthians, Vasco, Grêmio, Vitória, Bahia, Sport e Coritiba, entre outros. Henrique é reconhecido por defender uma visão prática e estratégica da inteligência artificial: não como uma ferramenta isolada, mas como uma nova camada de inteligência capaz de transformar operações, ampliar receitas e redesenhar companhias inteiras por meio da tecnologia. Atualmente, também desenvolve iniciativas de conteúdo e autoridade sobre o impacto da inteligência artificial nos negócios, no trabalho e na sociedade, incluindo o podcast O Último Humano, disponível no Spotify.



