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O vale tudo das urnas

Leia a coluna de Eduardo Costa

De dois em dois anos viro papagaio repetidor de frases que chateiam parte da audiência. Uma das pregações: o Brasil não aguenta eleição de dois em dois anos, porque todo sonho de gestão é sepultado pela busca incessante dos votos. A maioria dos ouvintes e telespectadores concorda, mas, sempre desagrado os que vêm nos pleitos o oxigênio da democracia e “a chance de alguma providência acontecer, uma obra ser iniciada”. 

Minha outra luta é pela importância do voto, lembrando que tudo depende da política e, se a gente não escolher, não vai poder nem reclamar depois. É dilacerante quando o cidadão xinga políticos e não sabe dizer o nome do deputado no qual votou na última eleição. Quando digo “vamos votar, gente, caprichar na escolha”, recebo uma enxurrada de perguntas do tipo “votar em quem?”. 

Fico na chamada sinuca de bico, pois, não posso induzir o voto e nem ignorar o quanto boa parte dos políticos faz de tudo para dar razão aos desesperançados.  

Agora mesmo estou estupefato com Geraldo Alkmin. O homem governou São Paulo por várias vezes, sempre que o entrevistei deixou ótima impressão de seriedade, compromisso com as coisas. Mas, 35 anos depois de ajudar a fundar o PSDB – partido que, historicamente, enfrentou o PT em fatos e argumentos – Alkmin abandona o barco e vira vice de Lula com a maior cara de pau. Pior, transforma o ladrão em esperança. 

Não dá para transmitir. Comparem dois rápidos trechos de discursos do ex-governador, um de 2018, quando Lula, livrando-se de alguns dos muitos processos, avisava que voltaria, e outro, agora, desta semana. O ladrão que voltava à cena do crime virou a grande esperança da Nação.  

Na confirmação da dupla antes impossível e diante dos sindicalistas, com os quais Alkmin nunca teve aproximação, declarou que eles são responsáveis por terem criado o maior líder popular do país. E fez cara de paisagem quando ouviu a principal reivindicação do encontro: a revogação da reforma trabalhista, aprovada no governo Temer. Outro dia mesmo. E Lula, que perdeu a divina chance de fazer reformas quando tinha índices altíssimos de aprovação popular, acena agora, de novo, com a possibilidade de destruir o pouco que foi feito, ignorando a insegurança jurídica que provoca. 

Impossível não lembrar Hélio Garcia que dizia, entre um porre e outro: “Em eleição, feio é perder”. 

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