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Brasileirão, pero no mucho, oh pá!

Atual edição do Campeonato Brasileiro registra recorde de técnicos gringos

'El Turco' e Pezzolano comandam Atlético e Cruzeiro nesta temporada

O Campeonato Brasileiro de 2022 chegou a dez treinadores estrangeiros trabalhando entre seus vinte clubes, um recorde nos pontos corridos. O número inédito tem gerado boas perguntas e debates. Será que o nível dos nossos profissionais é tão ruim, a ponto de termos que importar cada vez mais treinadores? O número recorde de técnicos estrangeiros trabalhando na principal competição do futebol brasileiro é bom ou ruim pro desenvolvimento do nosso futebol? Os nossos profissionais são piores do que os de fora?

Para responder as perguntas acima, podemos ir até a Premier League, principal Liga de clubes do Mundo e por lá, ao final da última temporada, mais da metade (12) dos treinadores era formada por “estrangeiros”, ou “não ingleses”, como preferirem chamar. Por lá trabalhavam escocês, francês, português, dinamarquês, italiano, austríaco, holandês, norte-americano, alemães, espanhóis e claro, ingleses (8). Em La Liga (ESP) e Ligue 1, eram seis e na Bundesliga, sete “forasteiros”. Entre os semifinalistas da Champions League apenas o Villarreal (ESP) tinha um técnico nascido no mesmo país. Os treinadores dos outros três, Madrid, City e Liverpool, eram todos estrangeiros.

Na Europa a presença de técnicos estrangeiros trabalhando nas principais ligas é algo comum e podem ter certeza, enriquecedor. O intercâmbio de culturas e ideias futebolísticas é absolutamente fundamental para o crescimento e desenvolvimento tático, físico e técnico dos campeonatos locais e certamente com reflexos positivos nas seleções nacionais. Aqui no Brasil demorou, mas finalmente está acontecendo!

Num recorte dos últimos três anos, nomes como Jorge Jesus, Sampaoli, Abel Ferreira, Vojvoda e recentemente Turco Mohamed, Paulo Pezzolano, Vitor Pereira, Paulo Souza, Fabian Bustos e Gustavo Morinigo têm trazido, além de línguas e sotaques diferentes a cada coletiva, novas ideias de jogo, de treinamento, novas metodologias de trabalho e maneiras distintas de enxergar o jogo. Para alguns pode parecer frescura, vira-latismo ou simplesmente incompetência dos nossos treinadores brasileiros, mas nada mais é do que repetir aquilo que o mundo inteiro já faz e que traz muito mais benefícios do que qualquer outra coisa.

Fico imaginando o quão enriquecedor deve ser o dia-a-dia dos auxiliares fixos do Atlético, que nos últimos dois anos e meio tiveram a oportunidade de trabalharem com cabeças geniais do futebol sul-americano, porém diferentes, como Sampaoli, Cuca e agora Turco Mohamed. Ou no Flamengo, com JJ, Rogério Ceni, Domi e agora Paulo Sousa. No Cruzeiro o excelente inicio de Pezzolano também deve estar sendo um ótimo aprendizado pra quem seguiu no clube após a chegada do uruguaio.

O número recorde de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro parece incomodar parte dos profissionais da área (técnicos), mas podemos estar presenciando uma virada de chave na forma com a qual enxergamos o futebol por aqui e também com a qual os próprios treinadores brasileiros levam/cuidam de suas carreiras. Estudar e se atualizar será cada vez mais necessário e quem relutar vai ficar pra trás, de fora do bolo e dos grandes clubes.

O fato é que há espaço para todos os treinadores de futebol no Brasil, sejam eles brasileiros, argentinos, uruguaios, chilenos, portugueses ou de outras nacionalidades. Quanto mais ideias, formas de trabalho, diferentes culturas e métodos tivermos diariamente no futebol pentacampeão do Mundo, maior a chance de crescermos dentro e fora de campo e voltarmos a dominar o esporte no mundo. Seja Mister, Profe, Professor, não importa, o intercâmbio de treinadores é 100% positivo para a evolução tática do futebol brasileiro!

Edu Panzi é jornalista e comentarista esportivo na Rádio Itatiaia.

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