Ouça a rádio

Compartilhe

Uma seleção brasileira renovada e coadjuvante

Mesmo com mudanças no elenco, seleção mantém resultados positivos

Depois da eliminação do Brasil na Rússia, em 2018, a principal cobrança por parte da imprensa foi no sentido de uma renovação da Seleção. Novas caras aparecerem, terem suas oportunidades durante o “ciclo” para a Copa do Mundo seguinte, no Catar.

Pois bem, o técnico Tite renovou o grupo, e o fez de maneira sutil, aos poucos e muita gente, inclusive os que clamavam por uma “nova seleção”, não percebeu. Foi uma mudança muito bem feita, sem forçar a barra, aproveitando bem a base já montada, com a permanência de jogadores experientes, renomados e que seguem atuando em altíssimo nível, como Alisson, Marquinhos, Thiago Silva, Casemiro, Fabinho e Neymar. 

Como em toda mudança, vieram as oscilações, mas de desempenho, não de resultado. O Brasil faz uma Eliminatória impecável, com apenas dois pontos “perdidos” em 33 disputados (11 jogos e 10 vitórias). Os resultados são incontestáveis, mas o desempenho é questionável, ainda que de maneira exagerada e em certa parte incoerente, principalmente por parte daqueles mesmos que bradavam pela “necessária renovação”. Como renovar um grupo sem oscilar, sem passar por dificuldades? 

No último jogo pelas eliminatórias, contra o Uruguai, em Manaus, a lista de “caras novas” em relação ao último ciclo de Copa era grande. O goleiro Weverton, os laterais Emerson, Alexsandro e Arana; os zagueiros Lucas Veríssimo e Militão; os meio-campistas Douglas Luiz, Edenilson, Gerson e Everton Ribeiro; e os atacantes e meias-atacantes Paquetá, Raphinha, Antony, Gabriel Barbosa e Vini Jr. São 15 caras novas em um grupo de pouco mais de 20 atletas. A partida, vencida pelo Brasil por 4 a 1, terminou com sete destes jogadores em campo, sendo que três gols foram marcados por dois “novatos”, Raphinha (2) e Gabigol. A exigida renovação está aí pra quem quiser enxergar, acompanhada de resultado e de uma mescla de boas, más e razoáveis atuações em campo. 

Os muitos críticos do trabalho feito pelo Tite podem ter razão em alguns pontos, mas deveriam buscar seus próprios comentários de três, quatro anos atrás, quando cobravam algo que esta acontecendo, mas que o tempo e a paciência necessários para uma “nova seleção” raramente foram respeitados pela imprensa especializada. Da mesma maneira que treinadores erram, formadores de opinião também cometem equívocos e praticam a incoerência, erro grave! 

Como chegaremos ao Catar?

Faltando pouco mais de um ano para o início do mundial do Catar, o Brasil de Tite ainda não está pronto, não joga o melhor futebol entre as seleções campeãs mundiais, não é favorito, mas vai para a competição oxigenado, com muita gente que não esteve na Rússia, como muitos de nós exigimos após a derrota para Bélgica. 

Outras seleções, inclusive europeias, passaram por esse tipo de renovação. A Itália, atual campeã da Europa, ficou fora do último mundial. A Inglaterra não ganha uma Copa desde 1966 e agora tem um elenco muito forte e renovado. A Alemanha foi eliminada na primeira fase na Rússia e também passa por renovação. O problema é que no Brasil nada serve se não for o título, a taça. Quando o assunto é futebol, geralmente só enxergamos o início e o fim, desdenhando o meio, que é parte fundamental.

Precisamos, de uma vez por todas, entender que a Seleção Brasileira não tem mais os protagonistas de outras épocas. Gerações de craques como nos últimos 60 anos não existem mais. Tite tem apenas um craque à disposição do meio pra frente, com bons coadjuvantes ao redor. Os outros protagonistas da Seleção estão no sistema defensivo, como goleiros, zagueiros e volantes. Nossa realidade mudou, independentemente do comando técnico.

Minha expectativa quanto a participação do Brasil no Catar é de uma boa participação, sem favoritismo, sem esperança por título. Não sou daqueles que acham que Seleção Brasileira e Copa do Mundo são sinônimos de taça, até porque já perdemos muito mais do que ganhamos, inclusive quando favoritos. Não somos a melhor seleção do Mundo na atualidade, não somos o país do futebol e não temos uma seleção pra dar show, empolgar. Entender e aceitar o momento do futebol brasileiro e da seleção brasileira é fundamental para que possamos encarar o mundial de 2022 da maneira correta e não como uma fantasia. Ganhar é possível, mas improvável. Quem sabe em 2026 seja, além de possível, provável? 

Bem-vindo(a) à realidade!

Edu Panzi é jornalista e comentarista esportivo na Rádio Itatiaia
Siga @edupanzi no Twitter

Leia Mais

IMPONENTE

Mancini destaca velocidade do América em vitória sobre o Botafogo

ÍDOLO

Juninho é homenageado pelos 300 jogos com a camisa do América 

COPA DO BRASIL

América X Botafogo: clique e acompanhe o jogo ao vivo pela Copa do Brasil 

CATAR 2022

Conversa de Redação: pacotes de viagem para a Copa do Catar ultrapassam R$50 mil e tem baixa procura

NO INDEPENDÊNCIA

Pressionado, América recebe o Botafogo pela Copa do Brasil 

Acesso rápido