Desafio eleitoral

O maior desafio eleitoral relaciona-se a cada cidadão e à responsabilidade sociopolítica do voto, instrumento para escolher representantes e definir os rumos da nação. Aos candidatos cabe convencer os eleitores e, uma vez eleitos, exercer os mandatos com responsabilidade moral. Entretanto, parte da classe política busca validar a própria imagem por meio de falácias e da desmoralização de adversários, enfraquecendo a credibilidade da política e dificultando o discernimento necessário ao voto.
A democracia exige mais que o respeito formal às regras. Conforme ensina São João Paulo II, na Centesimus annus, ela assegura a participação dos cidadãos, permitindo-lhes escolher, controlar e substituir pacificamente seus governantes. A Doutrina Social da Igreja ressalta que a democracia deve promover a dignidade humana, os direitos fundamentais e o bem comum, impedindo que grupos restritos usurpem o poder em benefício de interesses particulares ou ideológicos.
O relativismo ético, a corrupção e a busca por vantagens pessoais corroem as instituições e os ideais democráticos. A democracia é instrumento, não fim, e precisa estar submetida à lei moral, ao Estado de direito e ao equilíbrio entre os poderes.
Encontrar representantes capazes de corresponder às necessidades da sociedade é, portanto, um grande desafio. Os eleitos devem compreender o poder como serviço, dedicando-se ao bem comum e às dores do povo. Virtudes como moderação, caridade, prudência e responsabilidade são indispensáveis à missão política.
A escassez de nomes preparados torna ainda mais importante o exercício consciente da cidadania. O desafio eleitoral envolve toda a sociedade e exige discernimento e escolhas qualificadas, capazes de contribuir para novas e exitosas páginas na história da nação.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



