Uma Igreja que caminha

“Uma Igreja que caminha na história da humanidade”, sublinha o Papa Leão XIV na Carta Encíclica Magnifica Humanitas, ao recordar que a Igreja Católica não pode ser confundida com um clube, uma ONG ou mera associação beneficente. Instituição bimilenar presente no mundo inteiro, a Igreja é sinal de unidade para a família humana e chamada a exercer sua missão de escuta, diálogo e serviço diante dos desafios contemporâneos.
A missão da Igreja nasce do Evangelho de Jesus, possui alcance histórico e social. Por isso, não pode permanecer indiferente às alegrias, sofrimentos e angústias da humanidade. Recordando o Papa Francisco, Leão XIV destaca que a religião não deve ficar “escondida nas sacristias”, mas oferecer contribuição efetiva à vida social, promovendo valores, justiça, reconciliação e paz.
A Igreja caminha com a humanidade sem se sobrepor à sociedade civil ou ao Estado. Reconhece a legítima autonomia das instituições políticas, mas também denuncia negligências e injustiças quando o bem comum é ameaçado, especialmente diante das violências, exclusões e discriminações sofridas pelos pobres e vulneráveis.
O Concílio Vaticano II ensina a distinção entre comunidade eclesial e comunidade política, cada qual com sua autonomia. Quando essa separação é desrespeitada, surgem confusões e enfraquecimentos. Assim, a Igreja não busca exercer funções do Estado, mas inspirar caminhos de conversão, solidariedade e renovação social.
A Encíclica ressalta ainda o diálogo entre Evangelho e ciências humanas, fonte que fortaleceu a Doutrina Social da Igreja. Com isso, a Igreja contribui para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, caminhando ao lado da humanidade rumo ao Reino de Deus.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



