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Realismo político

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Realismo político • Reprodução/Canva

Em sua Carta Encíclica, Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV reflete sobre importante temática com aspectos muito relevantes quando se considera a cultura do poder decorrente da crise do sistema político-econômico global. Assiste-se a um enfraquecimento das instituições criadas para salvaguardar a ideia de um bem comum mundial. O Papa sublinha que ao invés de se progredir com as conquistas e mudanças históricas do século XX, constatam-se retrocessos. A globalização econômica assumiu a referência mais importante, no entanto, desprovida de arquitetura política adequada capaz de sustentar o diálogo e a paz.

Em lugar da consolidação do multilateralismo vê-se um multipolarismo desordenado e conflituoso, multiplicando desconfianças. O Papa Leão XIV chama de irresponsável esta forma de realismo político por semear nas consciências e na cultura a resignação perante uma guerra inevitável, sobretudo por qualificar a paz e o diálogo como posições utópicas ou irracionais. O Papa focaliza a responsabilidade dos que atuam no mundo da pesquisa, chamados a trabalhar numa lógica de transparência e responsabilidade. Enriquecida assim a Doutrina Social da Igreja Católica, dá-se um passo no convite a reflexões mais profundas e efetivação de novos horizontes em vista da paz social e do respeito à justiça, apostando numa sociedade contemporânea não beligerante, mas construtora da paz assentada em diálogos que façam das diferenças uma riqueza e jamais matéria de disputas fratricidas e desfiguradoras da humanidade. Trata-se de uma advertência e de uma oportunidade.

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O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.

 

 

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